Com o intuito de reunir as informações da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em um só lugar, docentes e alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF) que integram a startup BaXiJen desenvolveram um aplicativo de mensagens de Inteligência Artificial (IA) que responde a dúvidas sobre o evento.
A ferramenta já está disponível no site: baxi.ia.br/
O aplicativo de chatbot foi treinado especificamente com a programação, palestrantes, temas, locais e serviços desta edição da Reunião Anual, utilizando uma interface amigável e familiar e com funcionalidades que auxiliam o participante na busca rápida e precisa por informações.
A assistente de IA permite que qualquer participante consulte a programação completa do evento por dia, modalidade ou público-alvo; gere trilhas temáticas personalizadas a partir dos seus interesses; adicione eventos diretamente ao calendário do celular; e tire dúvidas sobre locais, mapas e informações logísticas do evento.
As ações são realizadas por conversação natural em português. No primeiro acesso, o usuário ainda conta com o tutorial em áudio, para ajudar o participante a entender e aproveitar as funcionalidades da Assistente.
Funcionalidades
A assistente foi treinada com o conjunto de informações da 78ª Reunião Anual e disponibiliza aos participantes:
Programação científica: consulta completa por dia, horário, local e modalidade, abrangendo palestras, mesas-redondas, conferências, minicursos e atividades voltadas ao público infantil;
Mapa do campus: localização das atividades no Gragoatá e sugestão de rotas entre compromissos consecutivos;
Sessão de pôsteres: busca de trabalhos aprovados por área, autor, palavra-chave, horário e local de apresentação;
Trilhas temáticas: filtros por eixo — Gênero, Afro-Indígena, Jovem e Cultural — com destaques e atividades recomendadas;
Minicursos e webminicursos: consulta a ementa, público-alvo, pré-requisitos e vagas, com confirmação de inscrição pelo próprio chat;
Informações do evento: inscrições, acessibilidade, transporte, alimentação, hospedagem, wi-fi e orientações de atendimento;
Integração com o calendário: inclusão das atividades selecionadas diretamente na agenda do celular;
Avatar personalizado: geração de imagem com a identidade visual oficial da SBPC a partir de foto enviada pelo participante.
Serviço – 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Data e hora
Abertura: 26/07 às 17h30
Programação: de 27/07 a 01/08, das 9h às 20h
Local
Abertura: Distrito de Inovação: Estação Cantareira
Programação: Universidade Federal Fluminense – UFF (Campus Gragoatá).
Endereço: R. Prof. Marcos Waldemar de Freitas Reis – São Domingos, Niterói – RJ.
Maior evento científico da América Latina oferece atividades gratuitas para todos os públicos
A programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o maior evento científico da América Latina, reúne uma série de atrações gratuitas que serão realizadas, entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, na Universidade Federal Fluminense (UFF). A agenda contempla experiências interativas, apresentações culturais, feiras literária e solidária, exposições e atividades científicas, com diversas ações de popularização da ciência. São cerca de 300 atividades destinadas a crianças, jovens e adultos.
Durante a semana, toda a população poderá visitar, no campus da UFF no Gragoatá, planetários, robôs inteligentes, museus itinerantes, shows, palestras e conferências sobre temas estratégicos para o futuro do Brasil e do mundo. A expectativa é que cerca de 50 mil pessoas venham de todo o país para acompanhar o encontro que volta ao estado do Rio de Janeiro após 35 anos.
A iniciativa é realizada em parceria com a Prefeitura de Niterói e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), com o apoio da Fundação Itaú.
De olho no roteiro
A tenda da SBPC Jovem proporcionará experiências imersivas, lúdicas e educativas para que os estudantes possam aproveitar o período de férias escolares a partir da união entre diversão e ciência. O espaço de 2,4 mil metros quadrados receberá a montagem de dois planetários, em que crianças e demais visitantes poderão observar imagens do Universo, da Via Láctea e do planeta Terra.
Outra atividade confirmada é o Elevador Geo-Paleontológico da Casa da Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que oferece uma viagem no tempo na qual o público poderá conhecer diferentes camadas rochosas, fósseis e compreender a dinâmica das placas tectônicas responsáveis pela movimentação dos continentes. Além das aventuras pelo passado, a tenda também apresenta inovações tecnológicas, como o Zequinha, um robô inteligente capaz de conversar, criar arte e estabelecer interações semelhantes às humanas, integrando robótica, inteligência artificial e expressão artística. O local também terá como destaque “O Circo da Ciência”, que reunirá 16 centros e museus de diferentes regiões do Brasil, como o Museu Nacional da UFRJ e a Casa da Descoberta da UFF. Ao longo da semana, serão realizadas outras diversas ações de popularização da ciência, incluindo as atividades itinerantes da “Ciência Móvel” e as exposições da área de saúde que acontecem no espaço da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Para os apaixonados por tecnologia, a ExpoT&C, um dos espaços mais visitados da Reunião, traz novidades que valorizam a integração entre setor público, privado e comunidade acadêmica. A tenda, com mais de 4 mil metros quadrados, contará com a presença de diversas instituições ligadas à inovação. Para pesquisadores, estudantes universitários e profissionais, o espaço é também uma oportunidade de networking, permitindo o encontro entre diferentes projetos e iniciativas que movimentam a produção científica brasileira.
Programação valoriza a inclusão na ciência
Na SBPC Cultural, a programação integra a diversidade de linguagens artísticas. Com exibição de curtas e longas-metragens, como o “Circuito Tela Verde”, voltado para o debate de sustentabilidade e meio-ambiente, além de oficinas de dança e percussão “Boi das Águas Escondidas”. As atividades criam um espaço dinâmico de troca entre múltiplas expressões culturais. Haverá também apresentações musicais como a Orquestra Sinfônica Nacional da UFF, roda de hip-hop e roda de samba.
Pelo segundo ano, o evento conta com o núcleo Gênero, Diversidade e Equidade, que tem como objetivo a promoção da equidade como componente fundamental da excelência científica. O espaço contará com conferências, rodas de conversa e mesas-redondas acerca de temas como Mulheres na Ciência, Enfrentamento da Violência de Gênero, Desafios da População Trans e Travesti e a Interseccionalidade na Ciência e Tecnologia, além de promover um Ato Contra o Feminicídio.
Outra comissão temática com uma gama de atividades confirmadas é a SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais. Durante toda a semana, os participantes poderão acompanhar a Exposição Cidade Imaginária Antirracista, um experimento estético político-pedagógico premiado e que representou a UFF no Rio Innovation Week. O eixo terá ainda um coral indígena, divulgação de saberes ancestrais na área da saúde, relato de experiências de estudantes indígenas e quilombolas nas Universidades, e demais oficinas, rodas de conversa e mesas-redondas.
Ciência debate o futuro do Brasil e do mundo
O evento tem como eixo central a programação científica, que reúne os principais pesquisadores, cientistas e personalidades do país para refletir sobre temas atuais e de interesse da sociedade, como sustentabilidade, mudanças climáticas, inteligência artificial, saúde, educação, inovação, tecnologia e políticas públicas, reforçando o papel da ciência como ferramenta para enfrentar os desafios contemporâneos globais.
As atividades científicas da 78ª Reunião da SBPC incluem 63 minicursos, 60 conferências e 88 mesas-redondas que articulam debates relacionados ao tema central da edição, “Ciência Para Todos: Soberania, Desenvolvimento e Inclusão”, destacando o papel estratégico da ciência nas políticas públicas e no planejamento de longo prazo do país.
Um dos destaques é o espaço destinado à rede social Tiktok, onde haverá a cerimônia de premiação do “Prêmio SBPC-TikTok de Divulgação Científica”, iniciativa com foco em reconhecer criadores de conteúdo e instituições que atuam com comunicação de conteúdo cientificamente embasado. Sessões de pôsteres, premiações e debates sobre soberania tecnológica, biodiversidade e financiamento da ciência também integram a programação do evento.
Outro componente da agenda do encontro anual são as sessões especiais, que contam com atrações para unir a comunidade científica. Entre elas estão o anúncio dos finalistas ao Prêmio Jabuti Acadêmico; uma homenagem aos 75 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Quanto aos minicursos, as inscrições já estão abertas e disponíveis no site da SBPC, bem como a divulgação completa de horário e locais em que serão realizados. Os temas incluem inteligência artificial, astronomia, química forense e mudanças climáticas.
Serviço – 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Data e hora Abertura: 26/07 às 17h30 Programação: de 27/07 a 01/08, das 9h às 20h
Local Abertura: Distrito de Inovação: Estação Cantareira Programação: Universidade Federal Fluminense – UFF (Campus Gragoatá). Endereço: Rua Prof. Marcos Waldemar de Freitas Reis – São Domingos, Niterói – RJ
A SBPC foi fundada em 8 de julho de 1948, tendo a sua primeira reunião no ano seguinte na cidade de Campinas, em São Paulo. Em 1990, o evento cresceu, deixando de ser limitado apenas a “doutores”. Neste mesmo período, fundou-se a SBPC Jovem em Recife, em sua 45ª reunião. A criação deste grande nome para a educação no país acontece com o objetivo de fomentar a criação de fundos de amparo à ciência e para proteger a carreira de pesquisador.
A entidade permanece conectada a esta origem, atuando a favor da pesquisa no Brasil, e da divulgação e difusão científica. Esta representa 161 sociedades científicas afiliadas e múltiplos sócios ativos, dentre os quais se enquadram pesquisadores, docentes, estudantes, entre outros. Para além disso, a SBPC tem assento permanente no Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT) e apresenta representantes oficiais em mais de 20 conselhos e comissões governamentais. Sobre a Universidade Federal Fluminense
Fundada em 1960, a Universidade Federal Fluminense (UFF) é uma instituição de ensino superior pública. Com sede em Niterói, ela apresenta diversos campi em diferentes cidades do Estado do Rio de Janeiro, e uma unidade avançada em Oriximiná, no Pará. A UFF é reconhecida como uma das principais universidades do Brasil, e apresenta uma grande presença na pesquisa e investigação científica. Ela oferece cursos de graduação e pós-graduação em variadas áreas do conhecimento, contemplando desde as ciências exatas e da natureza, saúde, ciências humanas,ciências sociais aplicadas, artes e letras.
A Universidade Federal Fluminense (UFF) está com inscrições abertas para a seleção de estudantes que desejam atuar como monitores na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O evento será realizado entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, no Campus do Gragoatá, em Niterói. As inscrições podem ser feitas até 20 de julho, por meio de formulário eletrônico.
Maior evento científico da América Latina, a Reunião Anual da SBPC reúne pesquisadores, estudantes, professores e o público em geral em uma programação voltada à divulgação científica e ao fortalecimento do diálogo entre a universidade e a sociedade. Além de conferências, mesas-redondas e minicursos, a programação inclui oficinas, atividades interativas, atrações culturais e outras iniciativas abertas ao público.
Os estudantes selecionados para a monitoria irão apoiar a organização das atividades durante o evento e receberão certificado de participação, que poderá ser utilizado para fins de horas complementares, além de apoio para alimentação e outros benefícios oferecidos pela organização. A monitoria é uma oportunidade para vivenciar a realização de um dos mais importantes encontros científicos do país e contribuir para a promoção da ciência, da educação e da cultura.
Mesa-redonda traz professor da UFF, Felipe Pena, para entender os possíveis caminhos para o letramento informacional
Um levantamento realizado pelo DataSenadodiz que sete em cada 10 brasileiros já viram alguma notícia falsa. Diante do cenário no qual a tecnologia passa por múltiplas transformações e ganha protagonismo, estima-se a necessidade de desenvolver habilidades que possibilitem ao indivíduo pensar e entender criticamente o conteúdo consumido. O crescimento na disseminação de desinformação é expressivo, já que a circulação de notícias atreladas a qualquer gênero é feita de forma rápida e massificada.
A formação de uma consciência informacional acerca do ambiente midiático é um assunto posto em pauta na atualidade. O professor de Jornalismo da UFF, Felipe Pena, debaterá a questão em participação na mesa-redonda “Educação Midiática e Inclusão: Caminhos para a Soberania Informacional”, voltada a discutir os possíveis meios de ampliação da educação e letramento midiático. O objetivo é enfatizar a importância da criticidade e responsabilidade ao lidar com as tecnologias da contemporaneidade.
A atividade faz parte da programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o maior encontro científico da América Latina, que acontece na Universidade Federal Fluminense (UFF), entre os dias 26 de julho e 1° de agosto.
Como tem sido a inserção da educação midiática nas escolas do Brasil e quais são os principais ganhos com a implementação?
A educação midiática ainda é incipiente no Brasil e no mundo. Mesmo os países com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) maior que o Brasil têm a educação midiática ainda precariamente abordada nas instituições de ensino, em qualquer nível. E por que isso é perigoso? Pois nós estamos em uma época, diferentemente do que pensam a maioria das pessoas, não da pós-verdade, mas uma época da auto-verdade, que é diferente.
A auto-verdade é uma confirmação de um sequestro cognitivo de uma parcela da população. Esse fenômeno é quando um espectro político cria uma narrativa implementada como se fosse verdade e, depois de estabelecê-la na sua comunidade, no seu grupo, passa a repercutir informações que confirmem a falsa verdade.
Esse é o grande risco de não se ter uma educação midiática: não saber checar fontes, de não saber de onde vem a informação. A ausência faz com que o indivíduo esteja condicionado a confirmar uma informação que o agrada cognitivamente.
Quais, na sua visão, são as principais ações que o Brasil precisa tomar para atingir a soberania informacional?
Existe uma medida principal, mas que é a mais difícil de se fazer: a regulamentação das big techs. Essa regulamentação é constantemente dificultada, por conta da articulação dessas empresas. Se as big techs não forem regulamentadas, teremos muita dificuldade em evoluir para outras medidas mais avançadas. Boa parte dos países da Comunidade Europeia estão conseguindo dar esse primeiro passo, mas o Brasil não. Sem isso, nós não temos o que fazer.
Quais ações mais específicas são necessárias para implementar essa regulamentação?
As plataformas precisam ser responsabilizadas pelo que publicam e não esperar que alguém entre na justiça para ganhar uma causa, que é o que acontece atualmente. Há algoritmos capazes de retirar conteúdo mentiroso assim que identificado, mas as empresas não são obrigadas a fazer isso nesse momento, quando, na minha opinião, deveriam ser.
Além da educação midiática, sua palestra também fala da inclusão como um caminho para garantir a soberania informacional. Quem seriam os incluídos e como a inclusão deve ser aplicada?
Eu tenho muito cuidado ao falar de inclusão e fico com muito medo quando esse termo é utilizado como se fosse apenas “dar internet para todos”. É muito mais que isso, é passar pela educação midiática, porque não adianta a pessoa ter internet, se não é educada midiaticamente para fazer uso dessa tecnologia e entender como funciona uma rede social, a produção de uma fake news e esse ciclo de auto-verdadede que eu mencionei anteriormente. Uma coisa sem a outra se torna ineficaz.
Quais exemplos de países que alcançaram essa soberania o Brasil pode seguir? Como foram os processos?
Nós não temos um exemplo a seguir. A União Europeia está um passo à frente, mas não é um exemplo, pois cada país tem sua peculiaridade, sua soberania e são culturalmente diversos uns dos outros, mas todos têm em comum a necessidade da regulamentação. Por isso que esse primeiro passo me parece global. Iniciando o processo regulatório no Brasil e tomando como referência alguns modelos globais como os da França e Reino Unido, talvez alcancemos essa soberania. No entanto, nunca pode ser uma cópia, temos que olhar o que está acontecendo lá fora, mas produzindo questões que absorvam a cultura brasileira.
Eu tenho pesquisas nessa área e fico absolutamente impactado com a massiva circulação de fake news sem nenhum tipo de regulamentação, sem nenhum tipo de restrição por parte da justiça, que são distribuídas em grupos de Whatsapp, porque falta uma legislação adequada.
O Relatório MacBride foi um documento da UNESCO, publicado em 1980, que teve como um de seus objetivos a inclusão do sul global na soberania midiática a partir de políticas de comunicação. Naquele tempo, diversas empresas multinacionais negociaram com líderes políticos e conseguiram barrar a iniciativa. Quais paralelos podemos tratar, considerando os acontecimentos dessa época e os dias atuais? O que melhorou e o que piorou?
Eu falo desse relatório em um dos meus livros e tento também conectar com a tentativa de implementar no Brasil o Conselho Federal do Jornalismo, que também seguiu a mesma lógica. Se o advogado comete um deslize ético, ele pode perder sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por que com jornalistas isso não acontece? Se um jornalista difunde uma fake news, ele deveria sofrer uma sanção.
O relatório sofreu pressões por parte do poder econômico e do grande capital, hoje o grande capital são as big techs. Hoje, elas são a principal fonte de renda dos Estados Unidos, o capital dominante na política americana. Então, de certa forma, piorou muito porque há uma maior concentração de capital em algo que ainda é muito mais incisivo na condução e na coerção da comunicação pública. Elas conseguem influenciar governos e o poder legislativo pelo mundo todo, principalmente no governo americano.
Qual a importância de falar sobre essa temática em um evento como a SBPC?
A SBPC, como o próprio nome já diz, fala sobre o progresso da ciência, ou seja, em normas básicas, algo que tenta buscar uma determinada verdade com dados randômicos que podem ser comprovados a partir de pesquisas. Se vivemos em uma era de fake news, de que que adianta a pesquisa e a ciência, quando dizem, por exemplo, que a vacina não funciona quando a ciência prova que funciona?
Todo mundo que trabalha com jornalismo, ciência, artes, educação pública ou privada também está sendo atacado pelo negacionismo, por fake news, e pela tentativa de sequestrar a cognição pública e transformar em falsas verdades. A ciência tem que discutir isso porque ela está sendo atacada.
SBPC na UFF
A expectativa é de que cerca de 50 mil pessoas venham de todo o país para acompanhar a 78ª Reunião Anual da SBPC, que está voltando para o estado do Rio de Janeiro após 32 anos. Com o tema “Ciência Para Todos: Soberania, Desenvolvimento e Inclusão”, o encontro conta com uma programação repleta de atividades voltadas à ciência, educação, cultura, tecnologia e inovação. O evento é realizado em parceria com a Prefeitura de Niterói e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), com o apoio da Fundação Itaú.
Almoço cultural no cinema, roda de samba e apresentação de um coral indígena são alguns destaques da 78ª Reunião Anual
As comissões Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais e Gênero, Diversidade e Equidade retornam para a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) com a promoção de debates acerca da pluralidade no espaço acadêmico. A edição deste ano tem como tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão” e acontecerá entre os dias 26 de julho e 1° de agosto, na Universidade Federal Fluminense (UFF), no Campus Gragoatá, em Niterói.
O objetivo dos eixos é ampliar o debate e trazer para o centro do discurso as populações afro-indígenas e comunidades tradicionais do Brasil, bem como questões de gênero, raça, etnia, deficiência, território, classe social e diversidade sexual.
O evento, realizado este ano em parceria com a Prefeitura de Niterói, é considerado o maior encontro científico da América Latina e exerce um papel fundamental na expansão e aperfeiçoamento do sistema nacional da ciência e tecnologia, dialogando com diversos públicos sobre questões contemporâneas e o futuro do Brasil. A reunião conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Fundação Itaú.
Os saberes do Brasil diverso
A SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais visa promover reflexões sobre práticas de pesquisa éticas e decoloniais, que valorizam os saberes tradicionais que fogem do eurocentrismo acadêmico. Durante o evento serão realizadas conferências, mesas-redondas e discussões com o objetivo de garantir a participação ativa de lideranças dos povos indígenas e comunidades tradicionais.
A coordenadora da comissão e superintendente de Equidade, Políticas Afirmativas e Diversidade da UFF, Érika Frazão ressalta a importância da descolonização na produção do conhecimento e da valorização dos saberes ancestrais. “Para construirmos uma ciência e uma educação verdadeiramente plurais, precisamos descolonizar nossos currículos e práticas de pesquisa e incorporar cada vez mais textos e saberes de origens indígenas e quilombolas. A inclusão desse eixo na SBPC é um marco e permite fazer com que essas produções alcancem diferentes camadas”.
Entre os nomes confirmados no evento estão figuras de liderança importantes como o reitor da Universidade Pluriétnica Aldeia Marakana, Cacique Urutau Guajajara, e a representante do Coletivo de Ancestralidade Quilombola (CAQ) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Vitória Machado Alves, que trazem relatos de experiências universitárias na mesa “Estudantes Indígenas e Quilombolas nas Universidades produzindo ciência e tecnologia”.
Ao longo dos sete dias de reunião, a exposição “Cidade Imaginária Antirracista”, técnologia social da UFF desenvolvida pelo professor do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional de Campos dos Goytacazes (ESR-UFF), Edimilson Antonio Mota, estará aberta para experimentação do público. O jogo geo-racial demonstra como a cor de pele atua como peça na segregação das cidades brasileiras, com a população negra predominando zonas periféricas. A partir da peça central “antirracismo”, os visitantes terão como objetivo pensar em ideias antirracistas a partir de áreas como educação, diversidade, mobilidade, arte e lazer para transformar a cidade em um lugar mais igualitário para todos.
O eixo SBPC Gênero, Diversidade e Equidade foi ampliado para esta edição com debates sobre igualdade e inclusão. Ao longo do evento, os participantes terão acesso a diversas atividades que aprofundam a discussão sobre as interseccionalidades e transversalidades que perpassam as questões de gênero, raça/etnia, classe social e geração. A roda de conversa “Pioneirismo e Resistência: Trajetórias de mulheres que moldaram a Universidade Pública”, mediado pela pesquisadora Maria Lúcia Braga, abordará a história das mulheres que romperam barreiras do machismo e abriram caminhos para que a população feminina conquistasse mais espaço no meio acadêmico.
Para a coordenadora da comissão e professora de Fisiologia e Farmacologia da UFF, Letícia de Oliveira, trazer esse debate para o centro do evento é uma oportunidade histórica de rever o papel dado aos grupos sub-representados na ciência e de articular as produções com pautas e necessidades da sociedade.
“Nosso objetivo é fomentar um conhecimento crítico que lute ativamente contra o machismo, o racismo, o patriarcado e ajude a consolidar políticas públicas mais justas na educação e na tecnologia. Precisamos olhar para a ciência cruzando diferentes marcadores sociais para garantir que as produções acadêmicas reflitam a diversidade e rompam com as desigualdades históricas na produção científica”, afirma a pesquisadora. “Ao longo da história tivemos grandes nomes como Virginia Bicudo, uma mulher negra pioneira das ciências sociais e da psicanálise no Brasil, porém quando olhamos para as ementas e para o corpo docente das universidades ainda existe uma predominância por homens brancos da classe média”, complementa.
Um dos destaques na programação é a mesa-redonda “População Trans e Travesti e os Desafios da Diversidade na Educação e na Ciência”, mediada pela professora de Ciência da Computação da UFF, Luciana Salgado.
À luz das eleições presidenciais que acontecerão no final do ano, a SBPC contará com uma mesa-redonda mediada pela professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Clara Maria Araújo, intitulada “Desafios à democracia brasileira: Eleições 2026 e a presença das mulheres”, com participação das pesquisadoras Miriam Grossi e Luciana Veiga, debatendo o papel e a força feminina na política do Brasil.
A programação ainda conta com rodas de conversa, como a de “Enfrentamento às violências de gênero e os desafios cotidianos”, com participação das professoras da UFF, Paula Land e Carla Appollinario de Castro, além de conferências com diversos pesquisadores e atividades com outros núcleos da SBPC, como o “Almoço Cultural no Cinema – Transbordar”.
Está é a primeira edição do evento a ocorrer na cidade de Niterói. Em parceria com a Universidade Federal Fluminense e o apoio da Prefeitura municipal de Niterói, é esperado que 50 mil pessoas se reúnam no campus do Gragoatá entre os dias 26 de julho e 1° de agosto para discutir temas centrais da agenda nacional nas áreas de ciência, educação, tecnologia e inovação.
O acesso à reunião é aberto para todos os públicos. Entre os núcleos que integram o evento, estão a clássica Sessão de Pôsteres e Jornada Nacional de Iniciação Científica (JNIC); Programação Científica; Expo T&C; SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais; SBPC Gênero, Diversidade e Equidade; SBPC Jovem; e SBPC Cultural.
As inscrições para as atividades são gratuitas, com cobrança apenas para inscrições em minicursos e webminicursos, aquisição opcional do material do evento e apresentação de trabalhos aprovados na Sessão de Pôsteres.
Sobre a Universidade Federal Fluminense
Fundada em 1960, a Universidade Federal Fluminense (UFF) é uma instituição de ensino superior pública. Com sede em Niterói, ela apresenta diversos campi em diferentes cidades do Estado do Rio de Janeiro, e uma unidade avançada em Oriximiná, no Pará.
A UFF é reconhecida como uma das principais universidades do Brasil, e apresenta uma grande presença na pesquisa e investigação científica. Ela oferece cursos de graduação e pós-graduação em variadas áreas do conhecimento, contemplando desde as ciências exatas e da natureza, saúde, ciências humanas,ciências sociais aplicadas, artes e letras.