Evento registrou ampla participação do público, com intensa programação científica e cultural e fortaleceu o diálogo entre universidade e sociedade
A Universidade Federal Fluminense (UFF) encerrou, no sábado (1º), a realização da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) com um balanço que confirma o sucesso de uma das maiores edições da história do evento. Ao longo de uma semana, mais de 60 mil pessoas passaram pelo Campus do Gragoatá, em Niterói, para participar de conferências, mesas-redondas, minicursos, exposições, atividades culturais e experiências interativas que aproximaram a produção científica da sociedade. Com o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, a reunião registrou mais de 23 mil inscritos e reafirmou o papel da ciência como elemento estratégico para o desenvolvimento do país.
“Receber a 78ª Reunião Anual da SBPC foi motivo de grande orgulho para a UFF e reafirma nossa missão como universidade pública comprometida com a produção e a democratização do conhecimento. Foram milhares de docentes, estudantes, pesquisadores e autoridades. Ver a população circulando pelo campus pela primeira vez, participando das atividades e se aproximando da ciência mostra que estamos cumprindo nosso papel de integrar a universidade à sociedade. Parabenizo toda a comunidade acadêmica que se mobilizou para tornar este evento um sucesso”, afirmou o reitor da UFF, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega.
Para receber o evento, a UFF mobilizou sua comunidade acadêmica em um amplo esforço institucional. Ao todo, cerca de 90 espaços da Universidade foram utilizados para sediar as atividades da programação de um dos maiores eventos científicos da América Latina.
A programação científica reuniu 187 atividades e contou com cerca de 9 mil participantes, além de 2.710 inscritos em minicursos e webcursos. Ao longo da semana, pesquisadores, estudantes, gestores públicos, representantes de instituições científicas e visitantes participaram de debates sobre inteligência artificial, mudanças climáticas, saúde, educação, soberania tecnológica, democracia, inovação, sustentabilidade, equidade, diversidade e divulgação científica.
Entre os destaques estiveram a mesa-redonda “Terras Raras em Disputa: o Papel do Brasil nas Cadeias Globais de Tecnologias Estratégicas”, com o presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Anderson Stevens Leônidas Gomes; a atividade “Capacitação profissional em cibersegurança (e IA) para soberania tecnológica”, conduzida por Michelle Silva Wangham e Leandro Guimarães, da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP); a conferência “Microplásticos: impactos ambientais e desafios científicos”, ministrada por Vitor Francisco Ferreira, da UFF; e a palestra da geógrafa e pesquisadora do Laboratório de Agroecologia da Universidade Livre de Bruxelas (ULB), Larissa Mies Bombardi, sobre “Agrotóxicos, Colonialismo Químico e Digitalização da Agricultura”. Também ganhou destaque a conferência do reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, e do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, que apresentou a cooperação entre a Universidade e a Prefeitura como um modelo de integração entre ciência e políticas públicas.
A professora da UFF, Laura Maciel, coordenadora da comissão executiva local, ressaltou a responsabilidade de realizar um evento científico desta magnitude:
“Organizar um evento para mais de 60 mil pessoas foi um desafio que exigiu planejamento, articulação e o envolvimento de muitas equipes, para prover a infraestrutura necessária, uma logística de mobilidade urbana em massa e planos de contingência sanitária e de segurança bem delineados. O resultado que alcançamos demonstra que foi possível transformar o campus em um grande espaço de produção, circulação e compartilhamento do conhecimento. A diversidade de públicos e de temas presentes ao longo da semana mostrou que a ciência dialoga com a vida cotidiana e que a universidade pública tem um papel essencial na construção desse encontro.”
Um dos pontos altos do evento foi a ExpoT&C, considerada a maior mostra científica do país. O espaço reuniu 1.100 expositores de 69 instituições e recebeu, em média, 10 mil visitantes por dia, chegando a registrar aproximadamente 16 mil pessoas em um único dia. A SBPC Jovem também atraiu grande público, especialmente crianças e adolescentes, com mais de 200 trabalhos apresentados e atividades voltadas à popularização da ciência.
Além da programação científica, a reunião promoveu importantes debates públicos e recebeu autoridades dos três poderes e de diferentes esferas de governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma sessão especial, realizada no Distrito de Inovação da Cantareira, na qual destacou, ao lado de outras autoridades, a importância do investimento em ciência, tecnologia e educação para o futuro do desenvolvimento do país.
Além do presidente Lula, a mesa o evento contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; do ministro da Saúde, Alexandre Padilha; do ministro da Educação, Leonardo Barchini; do governador em exercício do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto; do reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antonio Claudio Lucas da Nóbrega; do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves; da presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Procópio; e da presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Bonciani Nader.
Outro momento marcante foi o Ato Contra o Feminicídio, com a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia; a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia e a presidente da Academia Brasileira de Ciência (ABC), Helena Nader.
Entrada do Campus Gragoatá durante o Ato Contra o Feminicídio. Renato Vasconcellos SCS/UFFParticipante do Ato Contra o Feminicídio levanta cartaz de protesto à violência contra as mulheres. Foto: Divulgação/SCS.
A diversidade também esteve presente em diferentes espaços do evento. As programações da SBPC Gênero, Diversidade e Equidade e da SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais promoveram rodas de conversa, mesas-redondas, exposições e debates sobre desigualdades, direitos, produção do conhecimento e valorização dos saberes tradicionais. A programação cultural reuniu 18 sessões de cinema, 15 apresentações artísticas, oficinas e manifestações da cultura popular brasileira.
Uma novidade da edição foi a entrega do primeiro Prêmio SBPC-TikTok de Divulgação Científica, criado para reconhecer criadores de conteúdo que aproximam a ciência da sociedade. Ao todo, foram recebidas setenta inscrições e os vencedores da primeira edição foram: Museu Paraense Emílio Goeldi (PA), na categoria Melhor Divulgação Científica Institucional; Antonio Miranda, na categoria de Melhor Perfil de Divulgação Científica; Daniel Dahis, na categoria Revelação da Divulgação Científica. Além da premiação, o líder de Políticas Públicas para Segurança do TikTok no Brasil, Gustavo Rodrigues e o diretor de Políticas Públicas para América Latina do TikTok, Woolley Allan, ministraram uma oficina voltada para as “Boas Práticas na Criação de Conteúdo Orgânico no TikTok”.
Outro diferencial desta edição foi o compromisso com a inclusão. A estrutura de acessibilidade realizou 893 atendimentos, contando com o trabalho de 128 profissionais especializados, garantindo condições de participação para pessoas com deficiência durante toda a programação. Na área da saúde, também foram promovidas ações de prevenção e promoção do bem-estar, incluindo a aplicação da vacina contra a influenza.
O evento alcançou ainda ampla repercussão na imprensa, registrando cerca de 1.800 inserções na mídia nacional e regional, ampliando a visibilidade da produção científica brasileira e da Universidade Federal Fluminense.
O encerramento aconteceu com o tradicional Dia da Família na Ciência, que levou milhares de visitantes às tendas da SBPC Jovem e da ExpoT&C. Famílias, crianças e jovens participaram de oficinas, demonstrações, experimentos e atividades interativas, reforçando o compromisso da universidade pública com a popularização da ciência e a formação de novas gerações de pesquisadores.
“Niterói foi palco, nesses últimos dias, de várias agendas importantes. Debates e discussões que, como em toda Reunião Anual da SBPC, sempre nos ajudam a compreender um pouquinho mais a situação do nosso País e do mundo e a relação da Ciência com as grandes transformações que a gente está vivendo”, afirmou a presidente da SBPC, Francilene Garcia, durante a cerimônia de encerramento do evento.
Crédito: Mariana Angélica SCS-UFFAtividade na Tenda ExpoT&C. Crédito: Mariana Angelito SCS/UFFAtividade da SBPC Jovem. Crédito Renato Vasconcellos SCS-UFFJovem com óculos de realidade virtual em tenda da ExpoT&C. Foto: Divulgação/SCS.
No último dia de programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Universidade Federal Fluminense (UFF) recebeu, neste sábado (1º), o Dia da Família na Ciência. Desde as primeiras horas da manhã, famílias, crianças, jovens e visitantes ocuparam as tendas da SBPC Jovem e da ExpoT&C, participando de oficinas, experimentos, demonstrações e diversas atividades gratuitas voltadas à divulgação científica.
Além de conhecer experimentos e tecnologias desenvolvidas por instituições de ensino e pesquisa de todo o Brasil, o público pode conversar diretamente com cientistas e participar de experiências que demonstram, de forma prática, como a ciência está presente no cotidiano e contribui para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do país.
“Ver o campus ocupado por crianças, famílias e visitantes reafirma uma missão essencial da universidade pública: aproximar o conhecimento da sociedade. O Dia da Família na Ciência encerra esta histórica Reunião Anual como uma grande celebração aberta, inclusiva e capaz de despertar novas perguntas, vocações e possibilidades. É emocionante ver a UFF transformada em um espaço de encontro, descoberta e construção coletiva do futuro”, destacou o reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega.
A programação de encerramento também inclui a cerimônia de entrega do Prêmio “Leonard Rieser” para Jovens Cientistas, seguida da conferência da laureada Camila Perochena, em formato virtual. Com o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, a 78ª Reunião Anual da SBPC chega ao fim consolidando uma edição de grande alcance científico e social, reconhecida pela qualidade da programação, pela intensa participação do público e pelo fortalecimento do diálogo entre universidade, ciência e sociedade.
Ao longo de toda a semana, a UFF foi palco de uma intensa programação científica e cultural, reunindo pesquisadores, estudantes, professores, gestores públicos e representantes de instituições de todo o país. Com mais de 700 atividades, entre conferências, mesas-redondas, minicursos, exposições, oficinas e atrações culturais, a reunião consolidou-se como um grande espaço de produção e compartilhamento do conhecimento.
A 78ª Reunião Anual da SBPC reuniu mais de 50 mil pessoas nos campi da UFF, em Niterói. A programação integrou atividades científicas, culturais e educativas, com participação de pesquisadores, estudantes, professores e visitantes de diferentes idades. O Dia da Família na Ciência encerrou o evento com ações voltadas à aproximação entre a produção de conhecimento e a sociedade.
Debates sobre democracia e educação, controle da Dengue e apresentação da Viradouro integram a programação do evento nesta sexta-feira (31)
O quinto dia da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), nesta sexta-feira (31), reuniu atividades voltadas para o combate à dengue, discussão sobre saúde pública, democracia e soberania nacional. Entre os destaques, estão a entrega do Prêmio SBPC TikTok de Divulgação Científica, além da roda de samba do Quilombo do Grotão, reconhecido oficialmente como patrimônio cultural e centro de resistência da cultura negra em Niterói, e da apresentação da Viradouro, atual campeã do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro.
Ciência em debate
O Projeto Wolbachia (Wolbito) para o Controle da Dengue foi um dos destaques da programação científica deste penúltimo dia de evento. O engenheiro agrônomo Luciano Andrade Moreira, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), falou sobre o Projeto Wolbachia, em conferência coordenada pelo biólogo, secretário da SBPC e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, Samuel Goldenberg. A iniciativa apresentada utiliza a bactéria Wolbachia em mosquitos Aedes aegypti, como meio de bloquear a transmissão de vírus como a dengue.
O método Wolbachia ajudou a proteger 5 milhões de brasileiros entre 2014-2024 e a expectativa é que nos próximos 10 anos proteja mais de 140 milhões de pessoas. Moreira pesquisa a aplicação do método há mais de uma década, e é o fundador da empresa Wolbito do Brasil, a maior biofábrica de Wolbitos no mundo.
Luciano Andrade durante apresentação do Projeto Wolbachia. Crédito: Mariana Angelito SCS-UFF
O stand da Prefeitura de Niterói, na ExpoT&C, conta com amostras de ovos e mosquitos infectados com a Wolbachia à disposição dos visitantes. O município é o primeiro do Brasil a ter 100% de cobertura com o método, registrando uma baixa de 89% nos casos de dengue.
O eixo SBPC Gênero promoveu discussões sobre temáticas referentes à maternidade, democracia, e educação. Durante a manhã, aconteceu a roda de conversa “Maternidades que Insistem”, coordenada pela professora Karin Calaza (UFF), e com participação de Luana Fontel de Souza, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Gisele Camilo da Mata, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Camila Infanger Almeida, da Universidade de São Paulo (USP) e Hestefania da Motta Alves (UFF).
Além disso, o debate sobre mulheres na política marcou a mesa-redonda “Desafios à Democracia Brasileira: Eleições 2026 e a Presença das Mulheres”, com a professora e vereadora da cidade do Rio de Janeiro, Tatiana Marins Roque (UFRJ); a antropóloga e professora emérita, Miriam Pillar Grossi, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); a professora, Luciana Veiga, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e Zuleica Goulart, coordenadora no Instituto Cidades Sustentáveis, como palestrantes.
Também integrando os debates de gênero, houve a conversa sobre “Pioneirismo e Resistência: Trajetórias de Mulheres que Moldaram a Universidade Pública”, coordenada por Maria Lucia de Santana Braga, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com as presenças de Hildete Pereira de Melo Hermes de Araújo (UFF), Rosário Andrade, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e Nilma Lino Gomes (UFMG).
Crédito: Mariana Angelito
A saúde pública também esteve em pauta, com a conferência “Desafios do SUS para a Soberania e Inclusão”, com o médico e epidemiologista, Rômulo Paes de Sousa, do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE). A geógrafa e pesquisadora do Laboratório de Agroecologia da Universidade Livre de Bruxelas (ULB), Larissa Mies Bombardi, apresentou uma conferência sobre “Agrotóxicos, Colonialismo Químico e Digitalização da Agricultura”.
Ciência e Redes Sociais
A programação desta sexta-feira apresentou uma novidade para a reunião com a entrega do primeiro Prêmio SBPC-TikTok de Divulgação Científica, criado para reconhecer criadores de conteúdo que aproximam a ciência da sociedade. Ao todo, foram recebidas setenta inscrições e os vencedores da primeira edição foram: Museu Paraense Emílio Goeldi (PA), na categoria Melhor Divulgação Científica Institucional; Antonio Miranda, na categoria de Melhor Perfil de Divulgação Científica; Daniel Dahis, na categoria Revelação da Divulgação Científica.
Além da premiação, o líder de Políticas Públicas para Segurança do TikTok no Brasil, Gustavo Rodrigues e o diretor de Políticas Públicas para América Latina do TikTok, Woolley Allan, ministraram uma oficina voltada para as “Boas Práticas na Criação de Conteúdo Orgânico no TikTok”.
Cultura, Cinema e Samba
Exibição de filmes na tenda SBPCine e espetáculos musicais integraram parte da programação do núcleo SBPC Cultural, nesta sexta-feira (31). Entre as atividades, houve sessões de cinema, com a projeção de curtas e do longa-metragem Fanon, do diretor Jean-Claude Barny.
A programação cultural reuniu duas referências da cultura de Niterói. O Quilombo do Grotão, comunidade tradicional da Serra da Tiririca reconhecida como patrimônio cultural do município, apresentou uma roda de samba que evidenciou seu trabalho de preservação das tradições afro-brasileiras. Na sequência, a Unidos do Viradouro, atual campeã do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, levou ao público uma apresentação com integrantes da escola, integrando a produção acadêmica e as manifestações culturais presentes na cidade de Niterói.
Crédito: Mariana Angelito
A Sessão de Encerramento da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) ocorreu também nesta sexta-feira, na Sala Nelson Pereira dos Santos (Reserva Cultural), As atividades finais do evento se estendem, no entanto, até o sábado com o Dia da Família na Ciência.
O quarto dia da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizado nesta quinta-feira (30), contou com discussões sobre a soberania digital, educação brasileira, mulheres na ciência, encontro de jongueiros e muito mais. No total, o Campus Gragoatá, da Universidade Federal Fluminense (UFF), recebeu mais de 40 atividades.
A programação geral do evento, incluindo as atividades nas tendas ExpoT&C e Jovem, começou às 13 horas da tarde devido à conclusão das verificações de segurança em decorrência da forte ventania registrada na tarde desta quarta-feira (30). Após as vistorias, a inspeção não identificou quaisquer danos que comprometam a segurança dos espaços.
Atividade na Tenda ExpoT&C. Crédito: Mariana Angelito SCS/UFF
Um dos grandes destaques da programação foi a mesa-redonda “Sistema Nacional de Educação e Plano Nacional de Educação: o que esperar da educação brasileira na próxima década?”, que reuniu o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro e professor da Faculdade de Educação da UFF, Waldeck Carneiro, e os pesquisadores Luiz Fernandes Dourado, da Universidade Federal de Goiás (UFG); Roberta Valeria Guedes de Lima, do Fórum Nacional de Educação (FNE); e Dante Henrique Moura, do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). A conversa reuniu pesquisadores e especialistas para discutirem dificuldades e possíveis soluções para a educação pública brasileira para os próximos anos.
Medicina e Meio Ambiente
Na área da saúde, a programação abordou os avanços no tratamento do câncer com a mesa-redonda “Imunoterapias Que Estão Revolucionando o Tratamento do Câncer e a Ciência Básica Que as Fundamenta (SBI)”, que ocorreu no Distrito de Inovação da Cantareira, com participação dos palestrantes Martin Hernan Bonamino (Inca), João Paulo de Biaso Viola (Inca) e Renata de Meirelles Santos Pereira (UFRJ).
A temática da preservação ambiental também foi abordada pelas mesas-redondas “O papel do Fundo Amazônia no financiamento científico: o programa desafios da Amazônia e a parceria com a iniciativa Amazônia+10” e “Microplásticos: impactos ambientais e desafios científicos”.
Gênero, Diversidade e Equidade
A SBPC Gênero, Diversidade e Equidade promoveu a conferência “As grandes contribuições das mulheres para a ciência”, visando reforçar a importância da participação das mulheres na ciência. Também aconteceu a mesa-redonda “Maternidade como marcador social da diferença na trajetória profissional das cientistas brasileiras”, que discutiu as condições para o ingresso e permanência das mães no meio acadêmico.
Gravação ao vivo de podcast científico
Aconteceu ainda a gravação ao vivo do podcast Ciência Suja durante a sessão especial “Ciência Aberta: Entre Tretas, Contradições e Promessas”, promovida pelo Instituto Serrapilheira. O programa visa mostrar a importância da ética e da responsabilidade na ciência a partir de “maus exemplos”, ou seja, fraudes científicas que geraram péssimas consequências para a sociedade. Coordenada pela integrante do podcast e jornalista Chloé Pinheiro, a atividade contou ainda com a participação do professor de Sociologia e Ciência Política da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Luiz Augusto Campos, e da representante do Instituto Serrapilheira, Clarissa Carneiro.
SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais
A programação desta quinta-feira também deu destaque a saberes e práticas culturais que mantêm vivas memórias, identidades e formas de resistência. No Auditório do Bloco M, ocorreu a mesa-redonda “Das políticas ancestrais: os saberes de terreiro, do quilombo e da floresta”, com participação de Angela Gomes (UFMG), Edimara Domingues de Oliveira (SEED/PR) e Tonico Benites (Funai), sob coordenação de Elaine Monteiro. Já o palco Orla do Iacs recebeu o Encontro de Jongueiros, reunindo o Jongo do Camorim e o Jongo Congola, para celebrar e exaltar essa expressão cultural afro-brasileira.
Crédito: Mariana Angelito SCS/UFF
SBPC Cultural
A cultura popular também marcou presença na programação da SBPC com a Oficina de Dança e o Cortejo do Boi das Águas Escondidas, primeiro grupo de Bumba Meu Boi de Niterói (‘yterõi’, em tupi-guarani, significa água escondida).
O Boi das Águas Escondidas é uma iniciativa do Centro de Artes UFF, em parceria com a Companhia Mãos Calejadas, grupo de cultura popular criado em 2005 por Mestre Cidel Trindade e Cristina Cavallo, com foco em música, ritmos percussivos, confecção de instrumentos, artes e sustentabilidade.
A organização da 78ª Reunião Anual da SBPC informa que foi concluída a vistoria realizada em conjunto com a Defesa Civil e demais órgãos competentes nas estruturas do evento após a interrupção preventiva das atividades em razão dos fortes ventos que atingiram Niterói na tarde de ontem (29).
A inspeção não identificou quaisquer danos que comprometam a segurança dos espaços. Assim, está confirmada a retomada da programação a partir das 13h desta quinta-feira (30), conforme previsto.
Seguiremos monitorando continuamente as condições meteorológicas e adotando todas as medidas necessárias para garantir a segurança e a integridade de estudantes, pesquisadores, trabalhadores, expositores e todos os participantes do evento.
O terceiro dia da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizado nesta quarta-feira (29), foi marcado por debates sobre Inteligência Artificial, emergência climática, saúde, equidade e sustentabilidade. Entre os destaques da programação estiveram a conferência do jornalista e ambientalista André Trigueiro, discussões sobre o uso da IA na ciência e atividades voltadas à inclusão e à divulgação científica para diferentes públicos.
O jornalista comandou a conferência “A Mídia Brasileira diante da Emergência Climática: Omissão ou Protagonismo?”, que discutiu o papel da imprensa na cobertura da crise climática e na formação jornalística voltada para o tema. Além de falar sobre o crescimento de novas mídias tecnológicas em detrimento da TV aberta no consumo de informações, Trigueiro também abordou a importância de combater o negacionismo e as fake news na comunicação ambiental. “Fake news não é mentira, é produção em larga escala para depredar informações, desconstruir fatos e descredibilizar cientistas. Em uma cobertura de crise climática não existe espaço para negacionismo”, ressaltou.
André Trigueiro em apresentação da conferência. Crédito Renato Vasconcellos SCS-UFF
Entre as mesas-redondas e conferências, o terceiro dia do evento contou com discussões sobre a Inteligência Artificial (IA) na ciência. Palestras como “Estética, ética, lógica e IA: proposta de debate”, com Cassiano Terra Rodrigues, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), e Jean-Yves Béziau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e “Capacitação profissional em cibersegurança (e IA) para soberania tecnológica”, com Michelle Silva Wangham e Leandro Guimarães, ambos da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), integraram a programação do dia.
A professora da UFF e presidente da Comissão SBPC Afro, Indígenas e Comunidades Tradicionais, Érika Frazão, participou da mesa-redonda “Cotas em Disputa: Desafios e Resistências na Construção da Equidade nas Instituições Públicas”, ministrada pela docente da UFF Ana Paula da Silva, com a participação da pesquisadora Ana Luisa Araújo de Oliveira e da deputada estadual Danieli Balbi.
A saúde também esteve em pauta em conferência com a participação da cientista social e ex-ministra da Saúde Nísia Trindade Lima, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), coordenada pela médica sanitarista e pesquisadora Ligia Bahia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A Saúde Global em um Mundo em Transformação” foi o tema do encontro, realizado na Sala Nelson Pereira dos Santos, no Reserva Cultural.
Também foi realizada a conferência com a vencedora da categoria Ciências Biológicas da sétima edição do Prêmio Carolina Bori – Ciência & Mulher, Luisa Lina Villa, professora da Universidade de São Paulo (USP). Durante a apresentação, a pesquisadora abordou seus estudos sobre o HPV, vírus associado ao câncer do colo do útero. O Prêmio é uma iniciativa da SBPC que reconhece cientistas brasileiras de destaque em suas áreas e jovens pesquisadoras com potencial para a formação de carreiras científicas.
Com programação voltada a crianças e adolescentes, a SBPC Jovem apresentou a peça “Céu de Pindorama”, que narra a história de quatro estrelas que observam a chegada das caravelas ao litoral de Pindorama e refletem sobre os diferentes significados que cada cultura atribui ao céu. O espaço também recebeu a conferência “Ciência, juventude e futuros brilhantes: da escola ao mundo, conectando experiências”, ministrada pelo secretário municipal de Educação de Niterói, Bira Marques.
Atividade da SBPC Jovem. Crédito Renato Vasconcellos SCS-UFF
No eixo Gênero, Diversidade e Equidade, as pesquisadoras Zelia Maria da Costa Ludwig, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Ana Luiza Carvalho da Rocha, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), e Rita de Cássia Martins Montezuma, da UFF, participaram da roda de conversa “Quem Cabe na Ciência? Discriminações Interseccionais de Gênero e Raça no Brasil”. O debate dialogou diretamente com o tema da 78ª Reunião Anual da SBPC, “Ciência para Todos: Soberania, Desenvolvimento e Inclusão”, propondo reflexões sobre como as desigualdades de gênero e raça impactam o ambiente acadêmico e discutindo caminhos para a construção de uma ciência mais plural, justa e acessível.
Em razão dos fortes ventos registrados em Niterói ao longo da tarde, parte da programação prevista para esta quarta-feira precisou ser interrompida por questões de segurança. As alterações foram divulgadas em nota oficial da organização e podem ser consultadas no portal da UFF.