A Organização da 78ª Reunião Anual da SBPC informa que, em razão da forte ventania registrada na tarde desta quarta-feira (29), acionou imediatamente os protocolos de segurança previstos, em articulação com as equipes de apoio, da Defesa Civil e de órgãos competentes. Como medida preventiva, foi determinada a evacuação das estruturas temporárias do evento, orientando o público a buscar abrigo em locais seguros, como a Arena Niterói e os prédios da UFF.
A ação foi realizada de forma rápida e organizada, priorizando a integridade de estudantes, pesquisadores, expositores, trabalhadores e visitantes. Destaca-se que não houve registros de incidentes, feridos ou danos que tenham comprometido a realização do evento.
Neste momento, todas as estruturas — palcos, tendas, totens, testeiras, windflags, sinalização e demais montagens — estão sendo vistoriadas para verificar eventuais danos e garantir que não restem quaisquer riscos aos participantes. Como medida de precaução, a fim de assegurar a conclusão das vistorias em todas as áreas, a abertura das atividades na ExpoT&C e na tenda Jovem e em áreas externas, nesta quinta-feira (30), está prevista para às 13h. Já a programação científica, realizada nas salas e prédios da UFF, está mantida sem alterações.
A Organização da 78ª Reunião Anual da SBPC segue monitorando permanentemente as condições meteorológicas. Qualquer alteração na programação ou adoção de novas medidas será informada nos canais oficiais do evento, tendo como prioridade a segurança de todos os participantes.
O segundo dia da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência aconteceu nesta terça-feira (28) e contou com atividades interativas, atrações culturais, rodas de conversa e muito mais. Um dos destaque foi a conferência realizada pelo prefeito da cidade de Niterói, Rodrigo Neves, coordenada pelo reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antonio Claudio Lucas da Nóbrega.
Além disso, ocorreram discussões e debates sobre ciência, tecnologia, gênero, educação, cultura e inovação, bem como as cerimônias de premiação do 15º Prêmio de Fotografia – Ciência & Arte e do 46º Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica. As atividades integram a programação do maior encontro científico da América Latina, realizado neste ano na UFF, entre os dias 26 de julho e 1º de agosto.
Cooperação entre a Prefeitura de Niterói e a UFF como modelo de ciência nas políticas públicas
A conferência do reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, e do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, abordou a parceria e o diálogo entre a universidade e a prefeitura. Com a presença de nomes como Francilene Garcia, presidente da SBPC, e Isabel Swan, vice-prefeita da cidade, os participantes discutiram como a ciência e a tecnologia podem ser as principais frentes para a gestão das instituições.
Durante a apresentação, os gestores celebraram o fortalecimento da parceria entre a prefeitura municipal e a universidade para o progresso da ciência e da inovação. O Programa de Desenvolvimento para Projetos Aplicados (PDPA) fomentou mais de 70 projetos voltados ao desenvolvimento socioeconômico da cidade e se tornou um exemplo de iniciativa voltada ao encontro entre ciência e sociedade.
O prefeito Rodrigo Neves e o reitor Antonio Claudio da Nóbrega. Crédito: Renato Vasconcellos- SCS/UFF
Investimentos na ciência em foco
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma sessão especial da 78ª Reunião Anual da SBPC, realizada no Distrito de Inovação da Cantareira na qual destacou, ao lado de outras autoridades, a importância do investimento em ciência, tecnologia e educação para o futuro do desenvolvimento do país.
Além do presidente Lula, a mesa o evento contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; do ministro da Saúde, Alexandre Padilha; do ministro da Educação, Leonardo Barchini; do governador em exercício do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto; do reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antonio Claudio Lucas da Nóbrega; do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves; da presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Procópio; e da presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Bonciani Nader.
46º Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica
Aconteceu também a cerimônia de premiação do 46º Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, considerado o mais tradicional do Brasil na área. Promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o prêmio reconhece duas categorias: um jornalista profissional, enquanto divulgador da ciência, tecnologia e inovação, e uma instituição ou veículo de comunicação que tenha tornado acessível ao grande público o conhecimento científico. Os vencedores foram a tradicional publicação de jornalismo científico Pesquisa Fapesp e o jornalista e repórter da revista Piauí, Bernardo Esteves Gonçalves da Costa.
15º Prêmio de Fotografia – Ciência & Arte
A principal premiação de fotografia de imagens relacionadas à atividade científica do país completou 15 anos em 2026 e realizou sua cerimônia na UFF, durante o segundo dia da Reunião Anual da SBPC. O estudante da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Ediego de Sousa Batista, conquistou o primeiro lugar na categoria de imagens produzidas por câmeras fotográficas, captando o exato momento em que uma aranha-pescadora da espécie Architis captura um girino de Pithecopus hypochondrialis, enquanto a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ingrid Augusto venceu a categoria de imagens produzidas com instrumentos especiais, com o trabalho intitulado “Investigação morfofuncional do sistema de osmorregulação em Trypanosoma cruzi”.
Programação Geral
A programação científica do segundo dia também foi marcada por rodas de conversa, mesas-redondas e conferências dedicadas à construção do conhecimento científico no Brasil. Os núcleos SBPC Gênero e SBPC Afro e Indígena promoveram discussões sobre desigualdades, produção intelectual e estratégias de resistência, evidenciando o papel da ciência na promoção da equidade, da inclusão e do fortalecimento da democracia.
Atividade da SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais.
O encontro promove uma semana de debates, exposições, atrações culturais e experiências interativas abertas à sociedade
A 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) começou com casa cheia. Neste domingo (26), a Universidade Federal Fluminense (UFF) realizou a cerimônia de abertura no Distrito de Inovação – Estação Cantareira, em Niterói, com o espaço completamente lotado. Considerado o maior evento científico da América Latina, o encontro segue até 1º de agosto, com atividades concentradas no Campus Gragoatá e uma programação gratuita voltada a pesquisadores, estudantes, professores e ao público em geral.
Crédito: Renato Vasconcellos. SCS/UFF
A cerimônia de abertura homenageou o geógrafo e professor Milton Santos e contou com uma apresentação do violeiro Roberto Corrêa, e a presença do reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, da presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, da ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, além de autoridades acadêmicas, científicas e representantes de instituições parceiras.
Com o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, o evento reúne mais de 700 atividades científicas e culturais e cerca de 500 palestrantes de todo o país. Ao longo da semana, o público poderá participar gratuitamente de conferências, mesas-redondas, minicursos, exposições, apresentações culturais, feiras literárias e de economia solidária, além de diversas iniciativas voltadas à popularização da ciência.
“Para nós, é um marco histórico para a nossa universidade, um momento de máxima representatividade da nossa missão institucional”, afirmou. O reitor também ressaltou que a realização do evento é fruto do trabalho coletivo de dezenas de pessoas envolvidas na organização, muitas delas nos bastidores, cujo empenho tornou possível trazer, pela primeira vez, o encontro científico para a UFF”, celebrou o reitor da UFF.
Crédito: Renato Vasconcellos. SCS/UFF
Já o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, destacou o compromisso do município com a ciência, a educação e a preservação do patrimônio histórico, defendendo o investimento contínuo na produção científica como estratégia para o desenvolvimento do país. “Precisamos investir cada vez mais na ciência, porque esse é o caminho para a construção de um Brasil soberano. Viva a ciência brasileira! Viva a SBPC!”.
Realizada desde 1949, a Reunião Anual da SBPC é um dos principais espaços de debate sobre ciência, tecnologia, inovação e educação no Brasil. A cada edição, o encontro reúne pesquisadores, estudantes, gestores públicos e representantes da sociedade civil para discutir temas estratégicos para o desenvolvimento do país.
Esta edição marca o retorno do principal encontro científico brasileiro ao estado do Rio de Janeiro após 32 anos e foi organizada pela SBPC em parceria com a UFF, a Prefeitura de Niterói e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), além do apoio da Fundação Itaú e diversos outros parceiros. A expectativa é que Niterói receba cerca de 50 mil visitantes durante o evento.
A agenda científica inclui 63 minicursos, 60 conferências e 88 mesas-redondas que promovem debates sobre temas estratégicos para o futuro do Brasil, reforçando o papel da ciência na formulação de políticas públicas, na promoção da inovação e no desenvolvimento sustentável. Além disso, haverá atrações culturais, exposições, mostras interativas, a SBPC Jovem e a ExpoT&C. As atividades são destinadas aos públicos de todas as idades e incluirão planetários, museus itinerantes, robôs inteligentes, oficinas, experiências interativas e shows.
A presidente da SBPC, Francilene Procópio, defendeu a ciência como instrumento de justiça social, desenvolvimento e fortalecimento da democracia, destacando a necessidade de ampliar oportunidades para todas as regiões e grupos sociais do país. “Talento não tem CEP. Ele nasce em toda parte: no sertão, na capital, na periferia, no litoral. O que falta não é gente capaz; o que falta, muitas vezes, é oportunidade”, afirmou. Em seu discurso, também reforçou a importância de um sistema nacional de ciência com financiamento estável, da valorização da diversidade na produção científica e do compromisso da SBPC com a defesa da democracia, convidando pesquisadores, estudantes e a sociedade a participarem do debate sobre os rumos do Brasil durante a 78ª Reunião Anual.
O encerramento da programação, no dia 1º de agosto, será marcado pelo Dia da Família na Ciência. Nas tendas da SBPC Jovem e da ExpoT&C, crianças, jovens e adultos poderão participar de atividades interativas, conhecer experimentos científicos e dialogar com pesquisadores, fortalecendo a aproximação entre a produção científica e a sociedade.
Início do evento contou com a presença da Ministra do STF, Cármen Lúcia, e atrações para todos os públicos
O primeiro dia da 78º Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) foi marcado pela realização do Ato Contra o Feminicídio e pela abertura da ExpoT&C, tradicional mostra de ciência, tecnologia e inovação. A programação científica e a visitação às tendas e exposições, com a participação de institutos de pesquisa, agências de fomento, entidades governamentais, setor empresarial e outras organizações, também começaram nesta segunda-feira (27).
O evento, gratuito e aberto ao público geral, conta com atrações culturais, feiras de ciência e tecnologia, programação científica, e atividades interativas, no Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no Rio de Janeiro, entre os dias 26 de julho e 1 de agosto.
Abertura da ExpoT&C
A ExpoT&C, a maior feira científica do país, abriu as portas para o público em solenidade, que teve início às 8h. Compareceram à cerimônia o reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e a presidente da SBPC, Francilene Garcia.
Abertura da Expotec, durante a 78ª Reunião Anual da SBPC, no Campus Gragoatá da UFF. Foto: Divulgação.
Com atuação desde 1993, na ocasião da 45ª Reunião Anual da SBPC na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife (PE), a mostra traz oportunidades de networking, para além de possibilitar a disseminação de conhecimento, debates e discussões acerca de tecnologia e inovação. Neste ano, na 78ª edição do encontro da SBPC, na UFF, o núcleo reúne 67 entidades que integram o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, como instituições de ensino e pesquisa, agências de fomento, e empresas privadas.
Jovem com óculos de realidade virtual em tenda da ExpoT&C. Foto: Divulgação/SCS.
Ato contra o feminicídio
Diante de um cenário de crescimento nos registros de feminicídio no Brasil, a SBPC promoveu um Ato Contra o Feminicídio, realizado no Distrito de Inovação da Cantareira. A mobilização buscou a defesa da vida das mulheres, unindo diferentes segmentos da sociedade para a conscientização acerca da violência de gênero. A atividade representou um convite à comunidade para pensar sobre equidade e direitos humanos em conjunto com a produção científica.
Público acompanha o pronunciamento da Ministra do STF, Cármen Lúcia, no Distrito de Inovação da Cantareira. Foto: Renato Vasconcellos SCS/UFF.
Estiveram presentes no ato a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia; a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia e a presidente da Academia Brasileira de Ciência (ABC), Helena Nader.
Participante do Ato Contra o Feminicídio levanta cartaz de protesto à violência contra as mulheres. Foto: Divulgação/SCS.
Programação científica
Nesta segunda-feira (27), também foram realizadas as primeiras conferências e mesas-redondas da 78ª Reunião Anual da SBPC. As temáticas incluíram a importância das terras raras, divulgação científica para a formação de professores de ciências, a inteligência artificial na pesquisa científica, e uma série de outras questões centrais para o debate da ciência no Brasil.
A programação da tarde contou com a mesa-redonda “Divulgação Científica como Ferramenta Estratégica na Formação de Professores de Ciências”. Já a SBPC Gênero, Diversidade e Equidade, um dos eixos temáticos do evento, promoveu duas mesas redondas acerca da diversidade na educação e na ciência, intituladas “População Trans e Travesti e os Desafios da Diversidade na Educação e na Ciência” e “Meninas Digitais: Equidade de Gênero e Interseccionalidade na Ciência e Tecnologia”.
Aconteceu ainda a mesa-redonda “Terras Raras em Disputa: o Papel do Brasil nas Cadeias Globais de Tecnologias Estratégicas”, com o presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Anderson Stevens Leônidas Gomes. A palestra tratou dos desafios e das oportunidades para que o Brasil amplie sua participação nas cadeias globais de valor associadas aos minerais críticos. Já a mesa-redonda “Impactos da instalação de centros de dados (datacenters) no Brasil” abordou as políticas recentes atreladas às big techs, e contou com as participações de Lisandro Zambenedetti Granville (RNP), Antonio Mauro Barbosa de Oliveira (IFCE) e Dan Rodrigues Levy (Unifesp). A mediação foi de Lucia Maria de Assumpção Drummond (UFF).
Estudantes participam da SBPC Jovem na UFF. Foto: Divulgação.
Os núcleos Cultural e Jovem também realizaram a abertura de suas principais atrações, com a exposição “Frantz Fanon, revolucionário anticolonial: um programa de desordem absoluta” e a ação “Conectando gerações III: Meninas Cientistas Encontram Mulheres Empreendedoras”. Além disso, os planetários do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) e da Casa da Descoberta (UFF), assim como o Elevador Geo-paleontológico da Casa da Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro já estão disponíveis na tenda da SBPC Jovem.
Conferência do professor Fernando de Carvalho discute sobre o papel da química e a presença desde atividades comuns aos dilemas globais contemporâneos
A química é uma vertente da ciência presente em diversos níveis do cotidiano. Nos medicamentos, alimentos e fontes de energia que moldam a vida hoje, a chamada “ciência invisível” é fundamental para solucionar diversos desafios socioeconômicos, desde à fome mundial às mudanças climáticas e novas tecnologias.
Esses são alguns tópicos abordados pelo professor do departamento de Química Orgânica, coordenador do Laboratório de Síntese Orgânica Aplicada (LabSOA) da UFF e presidente da Sociedade Brasileira de Química (SQB), Fernando de Carvalho da Silva, na programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira no Progresso da Ciência (SBPC), evento sediado na Universidade Federal Fluminense (UFF), durante os dias 26 de julho a 1 de agosto.
A conferência “Química: a ciência invisível no enfrentamento dos desafios globais (SBQ)” propõe uma reflexão sobre o papel da química na sociedade, a importância de informações acessíveis e o conhecimento como ponte entre a ciência e a população.
A conferência na qual você participa na 78ª Reunião Anual da SBPC aborda como as pesquisas na área da química são responsáveis por enfrentar desafios globais. Quais são esses desafios e por que essa ciência é fundamental para enfrentá-los?
Fernando de Carvalho: A conferência na Reunião Anual da SBPC faz parte de um grupo de atividades e, como presidente da Sociedade Brasileira de Química, também tenho a responsabilidade de apresentar no evento. Como esse é um evento multidisciplinar, não poderia apresentar algo focado na química, então decidimos falar sobre temas presentes no cotidiano. Eu costumo dizer que a química é uma das profissões mais importantes, porque não há nada no mundo que não haja química. Nós temos a capacidade de solucionar vários problemas a partir dela.
O título da palestra chama a química de “ciência invisível”. Por que ela ainda recebe esse rótulo, mesmo estando presente em diversos aspectos da nossa vida?
Fernando de Carvalho: Existem livros que dizem que a química é uma ciência central, pois ela é usada de forma oculta em várias áreas, como uma linguagem para outras ciências. A engenharia de materiais, medicina, farmácia e nanotecnologia, por exemplo, têm a química como ferramenta ou linguagem científica.
Na sua opinião, por que a química ainda desperta certo distanciamento ou receio em parte da população?
Fernando de Carvalho: Em primeiro lugar, isso é um erro de formação. Os estudantes leem literatura clássica, mas não formam pensamento crítico sobre ciência, com Isaac Newton, Copérnico, Einstein, Stephen Hawking, por exemplo. Quando o interesse das crianças e adolescentes é desviado, principalmente, para as áreas humanas, a área científica não sobrevive. O mesmo ocorre frente à grande mídia: sabemos quando um acadêmico toma posse na Academia Brasileira de Letras, mas não sabemos sobre a Academia Brasileira de Ciências. Eu acredito que seja cultural, uma herança do passado, que incentiva a população a outras áreas e não estimula a conteúdos dessa área da ciência.
A química é considerada por autores como uma “ciência central”, uma ferramenta para outras áreas. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
A crise climática, a saúde e a segurança alimentar estão entre os principais desafios da atualidade. De que maneira as pesquisas em química podem contribuir para transformações e avanços concretos nessas áreas?
Fernando de Carvalho: A química trabalha em diferentes frentes, por exemplo: o desenvolvimento de agrotóxicos e herbicidas para lutar contra a fome e escassez de alimentos no mundo; a fabricação de novos medicamentos para médicos e farmacêuticos por meio de novas moléculas; e a produção de fontes alternativas de energia para as baterias de carros elétricos, ou carros movidos a hidrogênio. A química tem a capacidade de solucionar vários problemas mundiais, como esses. Os químicos ou engenheiros químicos estão envolvidos nestes processos, ligados à educação científica, que deveria ser um ponto fundamental da formação de qualquer cidadão.
A UNESCO aponta que investir em educação científica é fundamental para enfrentar os desafios atuais, porém o Brasil ainda apresenta uma escassez de professores de química e outras áreas das ciências. Como a compreensão sobre o papel da ciência pode alterar essa realidade?
Fernando de Carvalho: Isso é o reflexo do pouco estímulo. Por exemplo, são poucos os graduandos em química ou física que concluem o curso, talvez eles sejam menos receptivos a se formar na universidade, entre outros pontos. Eu acredito que, em primeiro lugar, é preciso aumentar a carga horária em ciências no currículo do ensino básico. É caro, trabalhoso, mas deveríamos ter, por exemplo, atividades e experimentos práticos nas escolas como regra. Isso atrai a atenção das crianças e jovens. A química tem conceitos fundamentais muito abstratos – é preciso imaginar um elétron, um próton ou um átomo, diferente de outra área em que você consegue ver ou tocar o conteúdo. A Casa da Ciência da UFF, que também estará presente na SBPC, sempre recebe visitas e atrai estudantes que, no futuro, podem se especializar nisso.
Suas pesquisas variam entre diferentes compostos como quinonas, triazóis e cumarinas. Como os estudos sobre esses elementos podem resultar em aplicações práticas para o cotidiano?
Fernando de Carvalho: Essas são moléculas que tem o que chamamos de função química e, aqui na UFF, trabalhamos com sínteses químicas, ou seja, a fabricação de novas moléculas que são enviadas para avaliação contra várias doenças como cânceres, tumores, bactérias, fungos, inflamações. A partir disso, encontramos resultados e podemos desenvolver patentes de medicamentos ou publicamos artigos, gerando conhecimento para a área. Nosso grande objetivo é contribuir para a área de síntese orgânica e química com aplicação de potencial biológico e doenças.
O professor da UFF também é coordenador do LabSOA e presidente da Sociedade Brasileira de Química. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Qual o papel de eventos como a SBPC, que levam a ciência até o público geral, para ampliar o conhecimento da química e solução de problemas através dela?
Fernando de Carvalho: Eles são fundamentais. Eventos como a SBPC são um sopro de esperança entre todos os problemas que citei anteriormente. É uma oportunidade enorme encontrar e trazer jovens para estudar, dar continuidade e até mesmo melhorar as tecnologias e conhecimentos que temos hoje. O evento tem o papel de colocar as pessoas em contato com grandes pesquisadores e professores, para entenderem mais sobre as várias ciências envolvidas, desde as humanas até as exatas e, além disso, despertar o interesse das pessoas. Acredito que a SBPC tira a ciência do local de elitismo intelectual, que, de certa forma, ainda existe. O fato de ser uma Reunião Anual bem diversa oferece o cardápio completo para os participantes.
Como presidente da SBQ e palestrante na SBPC, qual a importância de eventos como esse para fortalecer a confiança na ciência, em um contexto em que a desinformação ainda desafia a comunicação científica?
Fernando de Carvalho: A luta contra as fake news é diária, e se tornou ainda mais intensa durante a pandemia do corona vírus. Antes, haviam várias pseudociências que eram inofensivas, de certa forma: é perigoso comer manga com leite, fazer bolo durante a menstruação pode dar errado, entre outras. O problema foi quando elas passaram a prejudicar as pessoas, como os movimentos antivacina ou a indicação de remédios errados para uma doença. É neste momento que entramos em ação, com vídeos em redes sociais com linguagem inclusiva, ou através do jornalismo científico. O papel da SBPC gira em torno disso: com uma população informada, muitos danos são reduzidos.
SBPC na UFF
São esperadas mais de 50 mil pessoas de todo o Brasil para acompanhar a 78ª Reunião Anual da SBPC, de volta ao estado do Rio de Janeiro após 32 anos. O tema “Ciência Para Todos: Soberania, Desenvolvimento e Inclusão” engloba a programação de 26 de julho a 1 de agosto no Campus do Gragoatá, da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói. O evento, com atividades voltadas à ciência, educação, cultura, tecnologia e inovação, é realizado em parceria com a Prefeitura de Niterói e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), com o apoio da Fundação Itaú.
Fernando de Carvalho da Silva é professor do departamento de Química Orgânica e coordenador do Laboratório de Síntese Orgânica Aplicada (LabSOA) na Universidade Federal Fluminense (UFF). É doutor e graduado em Química pela UFF e graduado no Programa Especial de Formação de Docentes pela Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). É presidente da Sociedade Brasileira de Química (SBQ).
Participantes poderão solicitar atendimento pelo celular, acionar carro adaptado, localizar espaços de autorregulação e receber apoio de monitores e centrais de acessibilidade durante toda a programação.
Um participante em sobrecarga sensorial encontra um espaço tranquilo em poucos minutos. Uma pessoa surda solicita um intérprete de Libras pelo celular e recebe atendimento no auditório onde está. Alguém com mobilidade reduzida aciona um carro adaptado para se deslocar entre prédios do Campus Gragoatá. Essas cenas fazem parte da estrutura planejada para a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói.
Com o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, o evento chega com um amplo conjunto de ações voltadas à promoção da acessibilidade, combinando infraestrutura, apoio humano e tecnologia para garantir a participação plena e efetiva de pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, pessoas idosas e neurodivergentes.
O planejamento é conduzido pela Comissão de Acessibilidade da 78ª Reunião Anual da SBPC, responsável por assegurar o acesso e a permanência dos participantes ao longo dos sete dias de atividades. Todos os espaços destinados à programação passaram por mapeamento prévio de condições de acesso e circulação.
“A acessibilidade na Reunião Anual da SBPC 2026 é pilar fundamental para garantir a democratização da ciência e o livre acesso ao conhecimento. Essa construção coletiva ganha excelência com o protagonismo da equipe da Secretaria de Acessibilidade e Inclusão (vinculada a PROAES) que opera, com sua consolidada bagagem, no acolhimento técnico e humanizado para proporcionar um evento inclusivo e representativo. Reafirmando, assim, que “Nada sobre nós, sem nós” orienta essas ações e compromissos éticos na Universidade e na 78ª Reunião da SBPC.”, afirma Jaqueline Brum, coordenadora da Comissão de Acessibilidade.
Para garantir uma experiência acessível ao longo dos sete dias de programação, a UFF e a SBPC disponibilizarão uma série de serviços voltados à inclusão e ao acolhimento dos participantes, entre eles intérpretes de Libras, audiodescrição, impressão de materiais em Braille, carro adaptado para deslocamento no campus, equipe de apoio para locomoção, higiene e alimentação.
Além disso, serão disponibilizados espaços de autorregulação, abafadores para pessoas neurodivergentes, banheiros e auditórios acessíveis. Monitores identificados e ferramentas digitais de solicitação de serviços complementam a estrutura, que busca eliminar barreiras comunicacionais, informacionais e atitudinais, assegurando que todas as pessoas possam participar das atividades científicas, culturais e educativas em condições de igualdade.
AjudaSBPC: apoio a um toque
Desenvolvido especialmente para a 78ª Reunião Anual da SBPC, o AjudaSBPC reúne, em uma única interface, os principais serviços de apoio do evento. Sem necessidade de login, a ferramenta pode ser acessada pelo celular, por meio do endereço eletrônico ou de QR Codes distribuídos pelo Campus Gragoatá, permitindo que os participantes solicitem atendimento em poucos passos.
Além dos pedidos de acessibilidade, a plataforma centraliza solicitações de transporte acessível, atendimento em situações de emergência médica e comunicação de crianças perdidas. Em todos os casos, o usuário poderá informar sua localização por geolocalização, QR Code, lista de pontos do evento ou descrição manual, agilizando o encaminhamento das equipes responsáveis.
No caso dos serviços de acessibilidade, o participante poderá solicitar apoio para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, neurodivergências e pessoas idosas, além de registrar demandas relacionadas a deslocamento, comunicação, leitura de informações ou acolhimento em situações de sobrecarga sensorial. Caso não saiba exatamente qual serviço solicitar, a ferramenta oferece a opção “Não sei qual opção escolher”, permitindo que um monitor faça a triagem do atendimento.
Outra funcionalidade é a área “Minhas solicitações”, que permite acompanhar o andamento dos pedidos por meio de um número de protocolo, sem necessidade de repetir o registro da demanda.
Pensado para ser acessível desde sua concepção, o AjudaSBPC oferece recursos como aumento de texto, modo noturno, alto contraste, redução de animações e interface simplificada, além de compatibilidade com tecnologias assistivas, como NVDA, JAWS, VoiceOver e TalkBack, e integração com o VLibras.
Três centrais de acessibilidade distribuídas pelo campus
Além da plataforma digital, a 78ª Reunião Anual da SBPC contará com três Centrais de Acessibilidade distribuídas em pontos estratégicos do Campus Gragoatá. Os espaços funcionarão como locais de acolhimento, orientação e encaminhamento de demandas, reduzindo deslocamentos e garantindo atendimento próximo às diferentes áreas do evento.
As Centrais de Acessibilidade estão identificadas no mapa oficial da 78ª Reunião Anual da SBPC pelo símbolo de acessibilidade e localizadas em regiões de grande circulação, próximas aos blocos da programação científica, à Expo T&C e às entradas principal e secundária do evento. Monitores de acessibilidade identificados circularão pelo campus durante toda a semana, atuando como referência para os participantes que precisarem de auxílio.
O mapa oficial do evento também indica a localização dos postos de saúde, pontos de hidratação, banheiros, áreas de alimentação e demais serviços de apoio disponíveis no Campus Gragoatá.
Espaços de autorregulação
A programação contará ainda com áreas de autorregulação destinadas a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições neurodiversas. Os dois ambientes, localizados próximo à tenda da ExpoT&C e ao Espaço de Cultura e Diversidades, foram preparados para oferecer acolhimento em situações de sobrecarga sensorial, ansiedade ou necessidade de redução de estímulos, permitindo que os participantes possam retomar suas atividades com maior conforto e autonomia.
Os espaços de autorregulação estão sinalizados no mapa oficial da 78ª Reunião Anual da SBPC e poderão ser facilmente localizados ao longo da programação.
Serviço
Solicitação prévia de acessibilidade
Os participantes que desejarem registrar antecipadamente suas necessidades poderão preencher o formulário disponibilizado pela organização do evento. O cadastro prévio permite dimensionar recursos, organizar equipes e planejar os atendimentos com antecedência.
Centrais de Acessibilidade distribuídas pelo Campus Gragoatá.
Serviços que podem ser solicitados
Intérprete de Libras;
Audiodescrição;
Carro adaptado;
Cadeira de rodas;
Apoio para deslocamento;
Materiais em Braille;
Espaços de autorregulação;
Apoio para pessoas idosas;
Orientação para alimentação e higiene.
Onde encontrar os serviços no mapa oficial
Símbolo de acessibilidade: Centrais de Acessibilidade;
Símbolo multicolorido: Espaços de autorregulação;
Símbolo vermelho: Postos de saúde e ambulâncias;
Símbolo roxo: Banheiros;
Símbolo azul-claro: Pontos de hidratação;
Símbolo laranja: Áreas de alimentação.
Foto: mapa do evento/SBPC
Ao reunir milhares de participantes de todo o país, a 78ª Reunião Anual da SBPC reforça que a democratização da ciência passa, necessariamente, pela garantia de que todas as pessoas possam ocupar e vivenciar seus espaços com autonomia, acolhimento e respeito à diversidade.