Vozes da SBPC: Como a química interfere no mundo e cotidiano para além da ciência

Vozes da SBPC: Como a química interfere no mundo e cotidiano para além da ciência

Conferência do professor Fernando de Carvalho discute sobre o papel da química e a presença desde atividades comuns aos dilemas globais contemporâneos

A química é uma vertente da ciência presente em diversos níveis do cotidiano. Nos medicamentos, alimentos e fontes de energia que moldam a vida hoje, a chamada “ciência invisível” é fundamental para solucionar diversos desafios socioeconômicos, desde à fome mundial às mudanças climáticas e novas tecnologias.

Esses são alguns tópicos abordados pelo professor do departamento de Química Orgânica, coordenador do Laboratório de Síntese Orgânica Aplicada (LabSOA) da UFF e presidente da Sociedade Brasileira de Química (SQB), Fernando de Carvalho da Silva, na programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira no Progresso da Ciência (SBPC), evento sediado na Universidade Federal Fluminense (UFF), durante os dias 26 de julho a 1 de agosto. 

A conferência “Química: a ciência invisível no enfrentamento dos desafios globais (SBQ)” propõe uma reflexão sobre o papel da química na sociedade, a importância de informações acessíveis e o conhecimento como ponte entre a ciência e a população.

A conferência na qual você participa na 78ª Reunião Anual da SBPC aborda como as pesquisas na área da química são responsáveis por enfrentar desafios globais. Quais são esses desafios e por que essa ciência é fundamental para enfrentá-los?

Fernando de Carvalho: A conferência na Reunião Anual da SBPC faz parte de um grupo de atividades e, como presidente da Sociedade Brasileira de Química, também tenho a responsabilidade de apresentar no evento. Como esse é um evento multidisciplinar, não poderia apresentar algo focado na química, então decidimos falar sobre temas presentes no cotidiano. Eu costumo dizer que a química é uma das profissões mais importantes, porque não há nada no mundo que não haja química. Nós temos a capacidade de solucionar vários problemas a partir dela.

O título da palestra chama a química de “ciência invisível”. Por que ela ainda recebe esse rótulo, mesmo estando presente em diversos aspectos da nossa vida?

Fernando de Carvalho: Existem livros que dizem que a química é uma ciência central, pois ela é usada de forma oculta em várias áreas, como uma linguagem para outras ciências. A engenharia de materiais, medicina, farmácia e nanotecnologia, por exemplo, têm a química como ferramenta ou linguagem científica.

Na sua opinião, por que a química ainda desperta certo distanciamento ou receio em parte da população?

Fernando de Carvalho: Em primeiro lugar, isso é um erro de formação. Os estudantes leem literatura clássica, mas não formam pensamento crítico sobre ciência, com Isaac Newton, Copérnico, Einstein, Stephen Hawking, por exemplo. Quando o interesse das crianças e adolescentes é desviado, principalmente, para as áreas humanas, a área científica não sobrevive. O mesmo ocorre frente à grande mídia: sabemos quando um acadêmico toma posse na Academia Brasileira de Letras, mas não sabemos sobre a Academia Brasileira de Ciências. Eu acredito que seja cultural, uma herança do passado, que incentiva a população a outras áreas e não estimula a conteúdos dessa área da ciência.

A química é considerada por autores como uma “ciência central”, uma ferramenta para outras áreas. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A crise climática, a saúde e a segurança alimentar estão entre os principais desafios da atualidade. De que maneira as pesquisas em química podem contribuir para transformações e avanços concretos nessas áreas?

Fernando de Carvalho: A química trabalha em diferentes frentes, por exemplo: o desenvolvimento de agrotóxicos e herbicidas para lutar contra a fome e escassez de alimentos no mundo; a fabricação de novos medicamentos para médicos e farmacêuticos por meio de novas moléculas; e a produção de fontes alternativas de energia para as baterias de carros elétricos, ou carros movidos a hidrogênio. A química tem a capacidade de solucionar vários problemas mundiais, como esses. Os químicos ou engenheiros químicos estão envolvidos nestes processos, ligados à educação científica, que deveria ser um ponto fundamental da formação de qualquer cidadão.

UNESCO aponta que investir em educação científica é fundamental para enfrentar os desafios atuais, porém o Brasil ainda apresenta uma escassez de professores de química e outras áreas das ciências. Como a compreensão sobre o papel da ciência pode alterar essa realidade?

Fernando de CarvalhoIsso é o reflexo do pouco estímulo. Por exemplo, são poucos os graduandos em química ou física que concluem o curso, talvez eles sejam menos receptivos a se formar na universidade, entre outros pontos. Eu acredito que, em primeiro lugar, é preciso aumentar a carga horária em ciências no currículo do ensino básico. É caro, trabalhoso, mas deveríamos ter, por exemplo, atividades e experimentos práticos nas escolas como regra. Isso atrai a atenção das crianças e jovens. A química tem conceitos fundamentais muito abstratos – é preciso imaginar um elétron, um próton ou um átomo, diferente de outra área em que você consegue ver ou tocar o conteúdo. A Casa da Ciência da UFF, que também estará presente na SBPC, sempre recebe visitas e atrai estudantes que, no futuro, podem se especializar nisso.

Suas pesquisas variam entre diferentes compostos como quinonas, triazóis e cumarinas. Como os estudos sobre esses elementos podem resultar em aplicações práticas para o cotidiano?

Fernando de Carvalho: Essas são moléculas que tem o que chamamos de função química e, aqui na UFF, trabalhamos com sínteses químicas, ou seja, a fabricação de novas moléculas que são enviadas para avaliação contra várias doenças como cânceres, tumores, bactérias, fungos, inflamações. A partir disso, encontramos resultados e podemos desenvolver patentes de medicamentos ou publicamos artigos, gerando conhecimento para a área. Nosso grande objetivo é contribuir para a área de síntese orgânica e química com aplicação de potencial biológico e doenças.

O professor da UFF também é coordenador do LabSOA e presidente da Sociedade Brasileira de Química. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Qual o papel de eventos como a SBPC, que levam a ciência até o público geral, para ampliar o conhecimento da química e solução de problemas através dela?

Fernando de Carvalho: Eles são fundamentais. Eventos como a SBPC são um sopro de esperança entre todos os problemas que citei anteriormente. É uma oportunidade enorme encontrar e trazer jovens para estudar, dar continuidade e até mesmo melhorar as tecnologias e conhecimentos que temos hoje. O evento tem o papel de colocar as pessoas em contato com grandes pesquisadores e professores, para entenderem mais sobre as várias ciências envolvidas, desde as humanas até as exatas e, além disso, despertar o interesse das pessoas. Acredito que a SBPC tira a ciência do local de elitismo intelectual, que, de certa forma, ainda existe. O fato de ser uma Reunião Anual bem diversa oferece o cardápio completo para os participantes. 

Como presidente da SBQ e palestrante na SBPC, qual a importância de eventos como esse para fortalecer a confiança na ciência, em um contexto em que a desinformação ainda desafia a comunicação científica?

Fernando de CarvalhoA luta contra as fake news é diária, e se tornou ainda mais intensa durante a pandemia do corona vírus. Antes, haviam várias pseudociências que eram inofensivas, de certa forma: é perigoso comer manga com leite, fazer bolo durante a menstruação pode dar errado, entre outras. O problema foi quando elas passaram a prejudicar as pessoas, como os movimentos antivacina ou a indicação de remédios errados para uma doença. É neste momento que entramos em ação, com vídeos em redes sociais com linguagem inclusiva, ou através do jornalismo científico. O papel da SBPC gira em torno disso: com uma população informada, muitos danos são reduzidos. 

SBPC na UFF

São esperadas mais de 50 mil pessoas de todo o Brasil para acompanhar a 78ª Reunião Anual da SBPC, de volta ao estado do Rio de Janeiro após 32 anos. O tema “Ciência Para Todos: Soberania, Desenvolvimento e Inclusão” engloba a programação de 26 de julho a 1 de agosto no Campus do Gragoatá, da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói. O evento, com atividades voltadas à ciência, educação, cultura, tecnologia e inovação, é realizado em parceria com a Prefeitura de Niterói e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), com o apoio da Fundação Itaú. 

Fernando de Carvalho da Silva é professor do departamento de Química Orgânica  e coordenador do Laboratório de Síntese Orgânica Aplicada (LabSOA) na Universidade Federal Fluminense (UFF). É doutor e graduado em Química pela UFF e graduado no Programa Especial de Formação de Docentes pela Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). É presidente da Sociedade Brasileira de Química (SBQ).

78ª Reunião Anual da SBPC lança plataforma de acessibilidade e amplia rede de apoio no Campus Gragoatá

78ª Reunião Anual da SBPC lança plataforma de acessibilidade e amplia rede de apoio no Campus Gragoatá

Participantes poderão solicitar atendimento pelo celular, acionar carro adaptado, localizar espaços de autorregulação e receber apoio de monitores e centrais de acessibilidade durante toda a programação.

Um participante em sobrecarga sensorial encontra um espaço tranquilo em poucos minutos. Uma pessoa surda solicita um intérprete de Libras pelo celular e recebe atendimento no auditório onde está. Alguém com mobilidade reduzida aciona um carro adaptado para se deslocar entre prédios do Campus Gragoatá. Essas cenas fazem parte da estrutura planejada para a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói.

Com o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, o evento chega com um amplo conjunto de ações voltadas à promoção da acessibilidade, combinando infraestrutura, apoio humano e tecnologia para garantir a participação plena e efetiva de pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, pessoas idosas e neurodivergentes. 

O planejamento é conduzido pela Comissão de Acessibilidade da 78ª Reunião Anual da SBPC, responsável por assegurar o acesso e a permanência dos participantes ao longo dos sete dias de atividades. Todos os espaços destinados à programação passaram por mapeamento prévio de condições de acesso e circulação. 

“A acessibilidade na Reunião Anual da SBPC 2026 é pilar fundamental para garantir a democratização da ciência e o livre acesso ao conhecimento. Essa construção coletiva ganha excelência com o protagonismo da equipe da Secretaria de Acessibilidade e Inclusão (vinculada a PROAES) que opera, com sua consolidada bagagem, no acolhimento técnico e humanizado para proporcionar um evento inclusivo e representativo. Reafirmando, assim, que “Nada sobre nós, sem nós” orienta essas ações e compromissos éticos na Universidade e na 78ª Reunião da SBPC.”, afirma Jaqueline Brum, coordenadora da Comissão de Acessibilidade.

Para garantir uma experiência acessível ao longo dos sete dias de programação, a UFF e a SBPC disponibilizarão uma série de serviços voltados à inclusão e ao acolhimento dos participantes, entre eles intérpretes de Libras, audiodescrição, impressão de materiais em Braille, carro adaptado para deslocamento no campus, equipe de apoio para locomoção, higiene e alimentação. 

Além disso, serão disponibilizados espaços de autorregulação, abafadores para pessoas neurodivergentes, banheiros e auditórios acessíveis. Monitores identificados e ferramentas digitais de solicitação de serviços complementam a estrutura, que busca eliminar barreiras comunicacionais, informacionais e atitudinais, assegurando que todas as pessoas possam participar das atividades científicas, culturais e educativas em condições de igualdade.

AjudaSBPC: apoio a um toque

Desenvolvido especialmente para a 78ª Reunião Anual da SBPC, o AjudaSBPC reúne, em uma única interface, os principais serviços de apoio do evento. Sem necessidade de login, a ferramenta pode ser acessada pelo celular, por meio do endereço eletrônico ou de QR Codes distribuídos pelo Campus Gragoatá, permitindo que os participantes solicitem atendimento em poucos passos.

Além dos pedidos de acessibilidade, a plataforma centraliza solicitações de transporte acessível, atendimento em situações de emergência médica e comunicação de crianças perdidas. Em todos os casos, o usuário poderá informar sua localização por geolocalização, QR Code, lista de pontos do evento ou descrição manual, agilizando o encaminhamento das equipes responsáveis.

No caso dos serviços de acessibilidade, o participante poderá solicitar apoio para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, neurodivergências e pessoas idosas, além de registrar demandas relacionadas a deslocamento, comunicação, leitura de informações ou acolhimento em situações de sobrecarga sensorial. Caso não saiba exatamente qual serviço solicitar, a ferramenta oferece a opção “Não sei qual opção escolher”, permitindo que um monitor faça a triagem do atendimento.

Outra funcionalidade é a área “Minhas solicitações”, que permite acompanhar o andamento dos pedidos por meio de um número de protocolo, sem necessidade de repetir o registro da demanda.

Pensado para ser acessível desde sua concepção, o AjudaSBPC oferece recursos como aumento de texto, modo noturno, alto contraste, redução de animações e interface simplificada, além de compatibilidade com tecnologias assistivas, como NVDA, JAWS, VoiceOver e TalkBack, e integração com o VLibras.

Três centrais de acessibilidade distribuídas pelo campus

Além da plataforma digital, a 78ª Reunião Anual da SBPC contará com três Centrais de Acessibilidade distribuídas em pontos estratégicos do Campus Gragoatá. Os espaços funcionarão como locais de acolhimento, orientação e encaminhamento de demandas, reduzindo deslocamentos e garantindo atendimento próximo às diferentes áreas do evento.

As Centrais de Acessibilidade estão identificadas no mapa oficial da 78ª Reunião Anual da SBPC pelo símbolo de acessibilidade e localizadas em regiões de grande circulação, próximas aos blocos da programação científica, à Expo T&C e às entradas principal e secundária do evento. Monitores de acessibilidade identificados circularão pelo campus durante toda a semana, atuando como referência para os participantes que precisarem de auxílio.

mapa oficial do evento também indica a localização dos postos de saúde, pontos de hidratação, banheiros, áreas de alimentação e demais serviços de apoio disponíveis no Campus Gragoatá.

Espaços de autorregulação

A programação contará ainda com áreas de autorregulação destinadas a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições neurodiversas. Os dois ambientes, localizados próximo à tenda da ExpoT&C e ao Espaço de Cultura e Diversidades, foram preparados para oferecer acolhimento em situações de sobrecarga sensorial, ansiedade ou necessidade de redução de estímulos, permitindo que os participantes possam retomar suas atividades com maior conforto e autonomia.

Os espaços de autorregulação estão sinalizados no mapa oficial da 78ª Reunião Anual da SBPC e poderão ser facilmente localizados ao longo da programação.

Serviço

Solicitação prévia de acessibilidade

Os participantes que desejarem registrar antecipadamente suas necessidades poderão preencher o formulário disponibilizado pela organização do evento. O cadastro prévio permite dimensionar recursos, organizar equipes e planejar os atendimentos com antecedência.

Solicitação de apoio durante o evento

  • Plataforma AjudaSBPC;
  • Monitores de acessibilidade identificados;
  • Centrais de Acessibilidade distribuídas pelo Campus Gragoatá.

Serviços que podem ser solicitados

  • Intérprete de Libras;
  • Audiodescrição;
  • Carro adaptado;
  • Cadeira de rodas;
  • Apoio para deslocamento;
  • Materiais em Braille;
  • Espaços de autorregulação;
  • Apoio para pessoas idosas;
  • Orientação para alimentação e higiene.

Onde encontrar os serviços no mapa oficial

  • Símbolo de acessibilidade: Centrais de Acessibilidade;
  • Símbolo multicolorido: Espaços de autorregulação;
  • Símbolo vermelho: Postos de saúde e ambulâncias;
  • Símbolo roxo: Banheiros;
  • Símbolo azul-claro: Pontos de hidratação;
  • Símbolo laranja: Áreas de alimentação.
Foto: mapa do evento/SBPC

Ao reunir milhares de participantes de todo o país, a 78ª Reunião Anual da SBPC reforça que a democratização da ciência passa, necessariamente, pela garantia de que todas as pessoas possam ocupar e vivenciar seus espaços com autonomia, acolhimento e respeito à diversidade.

Saiba mais: sbpc.uff.br/acessibilidade 

Solicite apoio durante o evento: ajudasbpc.uff.br 

Radar SBPC: Protótipo desenvolvido na UFF aposta em tecnologia para apoiar pessoas com dislexia no aprendizado de idiomas

Radar SBPC: Protótipo desenvolvido na UFF aposta em tecnologia para apoiar pessoas com dislexia no aprendizado de idiomas

Ferramenta combina recursos visuais e interação intuitiva para ampliar a acessibilidade no ensino

A dislexia, transtorno de desenvolvimento que afeta, principalmente, o aprendizado da leitura e da escrita, atinge milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo a Associação Internacional de Dislexia (IDA), 10% da população mundial convivem com a condição. No Brasil, cerca de 4% da população são disléxicos, representando mais de 8 milhões de pessoas, de acordo com dados do Instituto ABCD.

O transtorno é congênito e impõe desafios no reconhecimento, na decodificação e na escrita de palavras, além de comprometer o tempo de processamento fonológico, que pode prolongar a fala e leitura de textos. A assistência ao aluno disléxico é reconhecida pela Lei Federal nº 14.254/2021, que garante o direito ao suporte integral para estudantes com dislexia, além de determinar a identificação precoce e a intervenção multidisciplinar, focada na saúde e na educação do indivíduo.

A partir da observação das dificuldades e demandas específicas das pessoas com dislexia em sala de aula e do interesse em computação, a professora de Língua Inglesa e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Computação da Universidade Federal Fluminense (PGC/UFF), Luciana Palhanos, idealizou uma ferramenta para facilitar a aprendizagem e o aperfeiçoamento de línguas estrangeiras. 

Assim surgiu Lili (Learning and Improvement for Language with Immersion), protótipo de aplicativo desenvolvido por Luciana em parceria com Rodrigo Oliveira, UX Design e doutorando do PGC/UFF, criado para auxiliar pessoas adultas a aprenderem inglês. O aplicativo foi estruturado na área de Interação Humano-Computador (IHC), que estuda, projeta e avalia a interação de pessoas com os sistemas computacionais, e concebido durante o curso de Projeto de Interface Humano-Computador do PPG em Computação da UFF.

Luciana é orientada pelo professor do Instituto de Computação da UFF, José Viterbo Filho, que estará como palestrante na mesa “O papel das infraestruturas nacionais de Ciência Aberta na construção da soberania científica”, que integra a programação científica da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Para ele, iniciativas como a do aplicativo Lili personificam a socialização dos saberes, benefício inerente à Ciência Aberta. 

“A democratização do conhecimento, tema central da discussão do painel que farei parte na SBPC, ganha rosto e utilidade pública em projetos como o Lili. Quando a infraestrutura científica é aberta e soberana, o conhecimento gerado na pós-graduação se transforma em ferramentas acessíveis como esta, que impactam a vida e o aprendizado de quem mais precisa”, explica Filho.

A 78ª edição da Reunião Anual (RA) da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência acontece na UFF, entre os dias 26 de julho a 1º de agosto. Considerado o maior evento científico da América Latina, a expectativa é que 50 mil pessoas participem das atividades no Campus Gragoatá da UFF, localizado em Niterói.

Interface pensada para diferentes perfis de aprendizagem 

O projeto arquiteta um protótipo que une os conhecimentos em ciência da computação e design para entregar uma experiência fluida e intuitiva ao usuário. Lili têm algumas funções principais, onde o usuário pode escrever, falar, ou fotografar uma palavra e receber a tradução para o português, além de uma imagem, caso a palavra seja um objeto concreto, um áudio com a pronúncia correta e sinônimos e exemplos de aplicação. 

O aplicativo também conta com o recurso da gamificação, em que é possível praticar lições de inglês que geram ranking de pontuação e estímulos de encorajamento para que o usuário continue utilizando realizando tarefas. Em 2023, o projeto recebeu uma menção honrosa no Simpósio Brasileiro sobre Fatores Humanos em Sistemas Computacionais (IHC), na trilha de IHC na prática, considerado o maior evento científico da área de Interação Humano-Computador no país. 

Rodrigo Oliveira, co-criador do protótipo de aplicativo Lili (à esquerda), ao lado da sua orientadora, Prof. Luciana Salgado (PPGC/UFF) e outros colegas no Simpósio Brasileiro sobre Fatores Humanos em Sistemas Computacionais (IHC 2023)

De acordo com Luciana, co-criadora do Lili, a ferramenta foi pensada para suprir uma lacuna importante no ensino de inglês para pessoas com dislexia. “O aplicativo associa palavras a imagens de forma intencional, facilitando a compreensão e a memorização do vocabulário, funcionando como um apoio visual. É um recurso que complementa o trabalho do professor de línguas e, embora tenha sido desenvolvido com foco na dislexia, também pode beneficiar diferentes perfis de estudantes”, explica.

Avaliações orientam melhorias na experiência do usuário 

Segundo Rodrigo, desde o início houve uma preocupação em utilizar títulos e descrições das funcionalidades de forma clara e objetiva. O protótipo passou por uma fase de avaliação, realizada anonimamente por pessoas disléxicas, que contou com quatro etapas: avaliação heurística; percurso cognitivo; first click; e teste de usabilidade. Além dessas fases, os criadores também realizaram entrevistas durante uma imersão dos usuários. 

“Durante os testes, percebemos oportunidades de aprimorar alguns recursos do Lili a partir das contribuições dos próprios usuários. Como as pessoas com dislexia apresentam dificuldades diferentes entre si, buscamos tornar o aplicativo mais flexível e intuitivo. Um dos avanços foi facilitar o acesso à tradução, recurso que se mostrou especialmente útil para atender a essa diversidade de necessidades”, comenta Oliveira. 

Um dos principais diferenciais apresentados por Lili em comparação a outros aplicativos de aprendizagem de idiomas está no tutorial de pronúncia. A funcionalidade inovadora foi acrescentada a partir da sugestão de uma pessoa com dislexia que participou do desenvolvimento do aplicativo. “Quando o usuário não consegue pronunciar corretamente uma palavra após algumas tentativas, a ferramenta oferece um guia em que um falante nativo da língua inglesa apresenta a pronúncia letra por letra, tornando o aprendizado mais acessível e intuitivo”, diz Palhanos. 

No que se refere aos desafios do desenvolvimento, como o aplicativo tem o objetivo de suprir uma lacuna de aprendizado de um público-alvo específico, um dos principais pontos de atenção consistiu na organização clara e intuitiva da interface. “Entendemos que seria importante que cada recurso disponível fosse identificado por um ícone acompanhado de uma breve descrição. Contudo, ao longo das avaliações, notamos a necessidade de tornar alguns textos mais curtos e objetivos para melhor compreensão dos usuários”, explica Oliveira. Dessa forma, os ajustes no protótipo foram orientados tanto por análises baseadas em princípios de design e interação humano-computador quanto pelos testes realizados.

Futuro do Lili

Os próximos passos para a evolução da ferramenta incluem o aprimoramento da gamificação, ainda em estágio inicial no protótipo, a fim de integrar melhor os recursos já disponíveis no aplicativo com apoio de especialistas da área pedagógica. A equipe também busca voluntários para participarem de testes de uso prolongados para aprimorar a usabilidade no aplicativo e assim realizarem a  implementação da versão funcional. 

Apesar de ainda não estar disponível para download, Luciana e Rodrigo trabalham para torná-lo acessível quanto antes. “Nosso maior objetivo é disponibilizar o Lili gratuitamente para que ele chegue a quem realmente precisa. O aplicativo ainda está em fase de desenvolvimento, mas buscamos apoio para concluir essa etapa e colocá-lo à disposição de estudantes com dislexia, ampliando o acesso a uma ferramenta que pode fazer diferença na aprendizagem”, conclui Palhanos. 

Sobre os pesquisadores

Luciana Palhanos é professora e tradutora. Graduada em Letras-Inglês/Literaturas (Inglesa e Norte-Americana) pela UERJ e superior incompleto em Matemática pela UFF. Possui pós-graduação em Desenvolvimento de Aplicações para Dispositivos Móveis (APPs) pela UniBF. Atualmente, faz parte do corpo discente do Programa de Pós-graduação em Computação da UFF (PGC/UFF) como aluna de mestrado. 

Rodrigo Oliveira é doutorando na pós-graduação em Computação da Universidade Federal Fluminense (PGC/UFF). Atua como UX/UI Design, possui mestrado em Informática pela UFRJ, tem dupla formação tanto em Sistemas de Informação (UNIRIO) como Design Gráfico (UNIGRANRIO).

José Viterbo é graduado em Engenharia Elétrica com ênfase em Computação pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, possui Mestrado em Computação pela UFF e doutorado em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Atualmente, é Professor Associado no Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (IC/UFF). Atua no Programa de Pós-Graduação em Computação da UFF (PGC /UFF), onde desenvolve pesquisas na área de inteligência coletiva, governo eletrônico, análise e gestão de dados abertos e computação ubíqua.

Nittrans altera trânsito para a 78ª Reunião Anual da SBPC

Nittrans altera trânsito para a 78ª Reunião Anual da SBPC

A Prefeitura de Niterói, por meio da Nittrans, irá realizar uma alteração no trânsito de São Domingos e Gragoatá, devido ao evento da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontecerá na Universidade Federal Fluminense entre os dias 26 de julho e 1 º de agosto. A expectativa é de receber um grande público e as mudanças temporárias servirão para atender quem for para o Campus Gragoatá da UFF, o Distrito de Inovação da Cantareira e o Reserva Cultural.

Durante a realização do evento, Operadores da Nittrans estarão em pontos estratégicos da intervenção, como em frente à Arena Niterói, no Distrito de Inovação da Cantareira, no Reserva Cultural e nas ruas adjacentes.

Atenção às intervenções

Não será permitido estacionar nas Ruas Professor Marcos Waldemar de Freitas e Projetada A. Na Arena Niterói, também serão suprimidas as vagas em 45º. Em frente ao Distrito de Inovação, na Cantareira, terá uma área exclusiva de embarque e desembarque e o ponto de ônibus será em frente ao Reserva Cultural. Para quem deseja ir ou voltar de táxi, terá um ponto exclusivo na Praça Leoni Ramos.

Como chegar ao evento

O endereço principal é o Campus Gragoatá da UFF, na Rua Prof. Marcos Waldemar de Freitas Reis, São Domingos, Niterói.
Não haverá estacionamento para participantes no Campus Gragoatá. A recomendação é utilizar transporte público, táxi ou carros por aplicativo — Uber e 99 atendem normalmente a região. Também é possível embarcar e desembarcar na área instituída em frente ao Distrito de Inovação – Cantareira e utilizar o novo ponto de táxi da Praça Leoni Ramos.

Orientações ao público

  • Chegue com antecedência, especialmente nos horários de abertura das atividades, quando o fluxo de pessoas tende a ser maior.
  • Consulte a programação previamente para identificar em qual prédio ou auditório sua atividade será realizada.
  • Em dias de chuva, use calçados adequados, já que parte do deslocamento entre os espaços é feita ao ar livre.
  • Atenção aos pertences pessoais, principalmente em terminais de transporte e locais com grande circulação de pessoas.
  • Respeite a sinalização temporária instalada nas vias e, se for de carro, considere rotas alternativas e evite o entorno imediato dos campi nos horários de pico.

A 78ª Reunião Anual da SBPC tem como tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão” e é aberta e gratuita a todos os públicos. Mais informações sobre a programação estão disponíveis no site oficial do evento.

Convite: Coletiva de Imprensa SBPC

Convite: Coletiva de Imprensa SBPC

A poucos dias da abertura da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a SBPC e a Universidade Federal Fluminense (UFF) convidam para a coletiva de imprensa de lançamento do evento, no dia 24 de julho (sexta-feira), às 10h, quando serão apresentados os principais destaques do maior e mais tradicional encontro científico da América Latina.

Com o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, a 78ª Reunião Anual será realizada de 26 de julho a 1º de agosto, no Campus Gragoatá da UFF, em Niterói (RJ). Em um ano de eleições gerais, o evento reunirá pesquisadores, estudantes, gestores públicos, lideranças científicas e representantes do Governo Federal para discutir alguns dos principais desafios do País, como saúde, inteligência artificial, mudanças climáticas, educação, desenvolvimento, soberania científica e tecnológica e políticas públicas baseadas em evidências.

A programação contará com a participação de ministros de Estado, dirigentes das principais instituições de ciência e tecnologia do País e pesquisadores de reconhecimento internacional, além de atividades voltadas à popularização da ciência, como a SBPC Jovem, a ExpoT&C, a SBPC Cultural e a cerimônia de premiação do Prêmio SBPC-TikTok de Divulgação Científica.

Durante a coletiva também serão apresentados o caderno Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos, que reúne 117 propostas da comunidade científica para candidatas e candidatos, as novidades desta edição e as informações de serviço para a cobertura jornalística.

Detalhes do evento

Coletiva de imprensa – 78ª Reunião Anual da SBPC
Data: 24 de julho de 2026 (sexta-feira)
Horário: 10h
Local: Sala 406A, no Bloco A, Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF)
Endereço: Rua Professor Marcos Waldemar de Freitas Reis, São Domingos, Niterói, RJ

Participam:

  • Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, reitor da UFF;  
  • Ana Tereza Vasconcelos, diretora da SBPC, representando a presidente da entidade, Francilene Procópio Garcia;
  • Rodrigo Neves, prefeito de Niterói;
  • Andrea Macedo, secretária-geral da SBPC e coordenadora-geral da 78ª Reunião Anual;  
  • Laura Antunes Maciel, coordenadora da Comissão Executiva Local do evento.

Destaques da programação

Entre os temas que estarão em debate durante a Reunião Anual estão:

  • políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação em ano eleitoral;
  • inteligência artificial, soberania digital e transformação tecnológica;
  • mudanças climáticas, COP30, biodiversidade e bioeconomia;
  • saúde pública, combate à dengue, microplásticos e resistência antimicrobiana;
  • desenvolvimento industrial, financiamento da pesquisa e reforma tributária;
  • democracia, combate à desinformação e comunicação científica.


A programação contará com a participação de ministros de Estado, dirigentes das principais agências nacionais de fomento, pesquisadores brasileiros reconhecidos internacionalmente e especialistas de diferentes áreas do conhecimento.

Entre os nomes já confirmados estão a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; a primeira-dama da República, Janja Lula da Silva, enviada especial para Mulheres na COP30; os ex-ministros da Saúde, Nísia Trindade e José Gomes Temporão; e especialistas renomados, como Mariângela Hungria (Embrapa), Luciano Moreira (Fiocruz), Paulo Artaxo (USP), Nina da Hora, André Trigueiro, Larissa Mies Bombardi, Luisa Lina Villa, Helena Nader, e Thelma Krug, entre muitos outros.

Além da programação científica, a Reunião Anual contará com a ExpoT&C, a SBPC Jovem, a SBPC Cultural e atividades voltadas a estudantes, professores e famílias. Pela primeira vez realizada em Niterói, a expectativa é receber cerca de 40 mil participantes ao longo da semana.

O evento é gratuito e aberto ao público.

Release completo.

Participação remota

Jornalistas de outros estados poderão acompanhar a coletiva ao vivo pelo canal da SBPC no YouTube (youtube.com/canalsbpc).

Quem desejar participar da sala virtual de imprensa e fazer perguntas aos participantes deve solicitar credenciamento pelo e mail comunicacao@sbpcnet.org.br, informando nome, veículo e telefone para contato. O link de acesso será enviado uma hora antes do início da coletiva.

Solicitamos, gentilmente, a confirmação de presença até 23 de julho.
Contamos com sua participação.

Assessoria de Comunicação – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
Vivian Costa — (11) 99207-5259 • comunicacao@sbpcnet.org.br
Daniela Klebis — (11) 99161-0171

Assessoria de Comunicação – Universidade Federal Fluminense
Vitor Dagne – (21) 98746-4938
Wladimir Lênin – (21) 99655-7430
e-mail: imprensa@id.uff.br

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