Nicky é escolhida como mascote oficial da SBPC Jovem

Nicky é escolhida como mascote oficial da SBPC Jovem

A 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que será realizada na Universidade Federal Fluminense (UFF), entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, contará com mais uma edição da SBPC Jovem, espaço dedicado aos estudantes da educação básica. A iniciativa tem como objetivo aproximar crianças e jovens do conhecimento científico e dos pesquisadores, estimulando o interesse pela ciência, tecnologia e inovação. Para esta edição, a SBPC Jovem já tem sua mascote oficial: Nicky. Escolhida com 46,4% dos votos em concurso aberto ao público, a personagem foi criada para representar os valores da ciência, da inclusão, da diversidade e da inovação que norteiam as atividades do programa.

Nicky, idealizada por Adezilton Cordeiro de Lima, Mestre em Diversidade e Inclusão pela UFF, é retratada como uma jovem pesquisadora de pele parda, cabelos crespos e usuária de aparelho auditivo, reforçando o compromisso com a representatividade e a acessibilidade. Sua identidade visual também estabelece conexão com a cidade-sede da reunião, incorporando referências ao Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói em seu design, além de elementos tecnológicos que remetem ao futuro da pesquisa científica.

O nome Nicky possui dupla referência. Uma delas é pelo termo muito usado em ambiente da Internet como redes sociais e games. O outro significado faz alusão ao próprio apelido da cidade de Niterói, “Nikity City”.

O processo de criação teve como base uma concepção autoral centrada na valorização da pluralidade do ambiente universitário e da produção científica brasileira. A proposta buscou destacar o protagonismo feminino na ciência, a inclusão social e a integração entre conhecimento, tecnologia e identidade regional.

Além de receber certificado de reconhecimento, o autor da proposta vencedora terá sua criação utilizada nas ações institucionais e nos materiais de divulgação da 78ª Reunião Anual da SBPC ao longo de 2026. A mascote também participará de atividades voltadas ao público de diferentes faixas etárias, contribuindo para aproximar a sociedade da ciência de forma lúdica e acessível.

Realizada pela primeira vez na UFF, a 78ª Reunião Anual da SBPC reunirá pesquisadores, estudantes, professores e representantes da sociedade civil para debater temas estratégicos para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do país.

Resultado final do concurso:
Nicky – 46,4%
Ibí – 31,6%
Arari – 22%

Vozes da SBPC: Educação quilombola, ancestralidade e os desafios de uma ciência antirracista

Vozes da SBPC: Educação quilombola, ancestralidade e os desafios de uma ciência antirracista

A pedagoga Natália Barbosa reflete sobre a necessidade de “aquilombar” as escolas e o compromisso coletivo com a construção de um ensino plural

A mesa-redonda “Aquilombar a escola — o que a educação quilombola pode ensinar à educação regular” é um dos destaques da programação da comissão Afro, Indígenas e Comunidades Tradicionais da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A atividade debate como práticas de oralidade, coletividade e valorização da ancestralidade presentes nas comunidades quilombolas podem contribuir para uma educação mais inclusiva e antirracista. A SBPC acontece entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, no Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói.

Com o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, o maior encontro científico da América Latina deve reunir cerca de 50 mil participantes para discutir políticas públicas nas áreas de Educação, Ciência e Tecnologia. Como forma de ampliar o debate sobre os modelos educacionais, o evento abriu espaço para a reflexão sobre como experiências da educação quilombola podem inspirar práticas pedagógicas mais diversas e representativas na educação básica.

Participa desta edição do Vozes SBPC a pedagoga Natália Barbosa da Silva, professora e diretora do Colégio Universitário Geraldo Reis (Coluni/UFF). Com pesquisas voltadas à educação antirracista, ela explica nesta entrevista como o conceito de “aquilombar” a escola pode contribuir para uma formação mais plural e representativa, além dos desafios para a implementação da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira, além de colocar o Dia da Consciência Negra como data prevista no calendário escolar.

Quando se fala em educação quilombola, muitas pessoas ainda conhecem pouco essa realidade. Quais características dessa experiência educacional você considera fundamentais para compreender os desafios da educação brasileira hoje?

Natália Barbosa: Os principais aspectos que a educação quilombola traz são os valores das comunidades tradicionais: a questão da oralidade, do respeito à memória e à ancestralidade. Temos a educação quilombola como uma modalidade e há um grande erro dentro da educação básica que acaba separando-a. Em algumas escolas não se aborda o tema , sendo que os saberes que os quilombos trazem são muito importantes quando pensamos em educação para as relações étnico-raciais. Dentro desses conhecimentos estão a diversidade cultural e a memória ancestral, os quais são fundamentais para preservar saberes que muitas vezes são apagados nos contextos urbanos, mas permanecem vivos na educação quilombola por meio da valorização dos mais velhos. Saber viver em comunidade e aprender esses aspectos é fundamental, pois fazem parte da nossa história, embora ainda vejamos poucos trabalhos sobre a modalidade na educação básica como um todo.

Professora Natália Barbosa

Ao longo da sua trajetória, você pesquisou temas como educação antirracista, formação de professores e a implementação da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas escolas. Como essas experiências ajudam a compreender o papel da educação quilombola na construção de uma escola mais plural e representativa?

Natália: Minha trajetória acadêmica toda é pensada na discussão das relações étnico-raciais e no ensino de história e cultura africana e afro-brasileira na educação básica, com um recorte nos anos iniciais e na formação de professores. Quando estudamos e pensamos na educação quilombola, vemos não só a importância dessa inserção, mas a necessidade de falar e afirmar esse espaço, até porque o reconhecimento da modalidade não é simplesmente dado, mas feito a partir de muita luta. Precisamos, por meio da educação,introduzir as referências, assim como demonstrar a importância e a relevância desse modelo de ensino. Fala-se pouco sobre quilombos nas escolas, nas universidades e menos ainda nas licenciaturas. Eu mesma fiz pedagogia e, ao longo da minha formação, não estudei quantos quilombos existem no Rio de Janeiro. No geral, nós desconhecemos essa realidade. O desconhecimento faz parte da ausência de uma discussão que precisa estar presente tanto na universidade como na educação básica. Mesmo com a criação da Lei 10.639/2003, ainda há muito trabalho a ser feito quando pensamos na educação quilombola, seja no ensino superior ou na educação básica.

A educação quilombola costuma ser associada apenas às comunidades onde ela acontece. Na prática, quais aprendizados desse modelo podem contribuir para melhorar a experiência educacional de estudantes em diferentes contextos do país?

Natália: Acaba que a ideia de educação quilombola fica restrita às comunidades tradicionais, como se devêssemos discutir o tema apenas onde há uma escola quilombola. Mas não é disso que falamos quando usamos o termo “aquilombar”; o conceito não diz que queremos discutir apenas com as escolas quilombolas. Elas já estão vivenciando o que as outras unidades de ensino precisam discutir. A diversidade cultural e a memória ancestral são fundamentais, pois temos dificuldade em entender a memória do nosso povo. Na educação quilombola, a memória dos mais velhos é referenciada na prática, algo que muitas vezes perdemos no meio urbano, onde a memória local e cultural é apagada. Outras questões essenciais são a oralidade e o viver em comunidade, o senso de circularidade [é a capacidade de compreender e aplicar a lógica de que nada se perde, tudo se transforma], de aprender com o outro e com o mais velho, priorizando a troca em vez da disputa. Acredito que cresceríamos muito mais como sociedade se nos “aquilombássemos”.

Sua pesquisa tem uma forte ligação com a formação de professores. Qual é o papel dos educadores na construção de uma escola capaz de reconhecer diferentes identidades, histórias e formas de produção de conhecimento?

Natália: Aprendi com os mais velhos e com pessoas que estudam relações raciais que só existe democracia se a sociedade for antirracista. Isso traz toda a discussão sobre as questões raciais para dentro da escola. Se um professor quer ser de fato comprometido com uma educação democrática, para a diversidade e para a diferença, ele precisa compreender os diferentes saberes e as diferentes contribuições para essa educação acontecer. Não tem como pensar em modelo educacional para a diversidade sem olhar para as questões raciais que atravessam essa discussão, especialmente quando falamos sobre a formação do povo brasileiro.

Mais de vinte anos após a criação da Lei 10.639/2003, quais transformações você considera mais significativas e quais lacunas ainda precisam ser enfrentadas?

Natália: Tivemos avanços e alguns retrocessos voltados às políticas governamentais. A Lei 10.639 foi uma conquista do movimento negro e gerou políticas de ação afirmativa importantes, como as diretrizes curriculares de 2004, a criação da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI), da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), a Lei de Cotas e o Estatuto da Igualdade Racial. Após 20 anos, o maior gargalo está na gestão escolar. Muitas vezes os professores têm práticas maravilhosas, mas a gestão não as institucionaliza, o que impede a continuidade do trabalho. Outra lacuna está nas licenciaturas; a discussão de Educação e Relações Étnico-Raciais (ERER) ainda aparece de forma opcional ou ausente em muitos currículos. Esse debate precisa avançar em todas as áreas, não apenas em história ou artes, mas também na matemática, física e biologia, pois todos esses professores estarão nas escolas. A discussão racial não pode ser responsabilidade apenas de uma disciplina ou dos professores negros. Então, eu acho que na universidade o debate precisa avançar ainda mais nos próximos anos.

Questões como diversidade, pertencimento e combate ao racismo têm impacto direto na formação das novas gerações. Qual a importância de eventos como a SBPC criarem espaços de diálogo entre pesquisadores, educadores e a sociedade para discutir esses temas?

Natália: Acho fundamental. Sendo a SBPC o maior encontro de ciências do Brasil, é essencial que todos os pesquisadores pensem sobre esses aspectos. Eu, enquanto mulher negra e pedagoga, não quero essa discussão apenas para mim, mas para todo mundo. É fundamental que a ciência brasileira seja antirracista e se coloque nesse compromisso. Embora a legislação foque na educação básica, a responsabilidade é coletiva, pois a ciência está em toda parte e deve se afirmar como um lugar de compromisso com as relações raciais.

Para quem pretende acompanhar a mesa na SBPC, qual é a principal reflexão que você espera provocar sobre a educação quilombola e os caminhos para uma educação mais inclusiva no Brasil?

Natália: A principal reflexão é de que essa discussão não é só da educação, é para todo mundo. Precisamos nos “aquilombar” e valorizar nossa ancestralidade, a diversidade e a diferença. Mas, antes de valorizar, precisamos conhecer. Por isso, convido a todos para que possam conhecer e discutir, entendendo que construir esse caminho é uma tarefa de todos nós.

A Reunião Anual da SBPC é aberta ao público, com acesso livre e gratuito às atividades. Primeira edição a ocorrer em Niterói, o evento contará com conferências, mesas-redondas, sessões de pôsteres, atividades culturais, exposições, minicursos e outras programações. Acompanhe as informações sobre o evento no site oficial e no instagram.


Natália Barbosa da Silva é professora do Quadro Permanente da Universidade Federal Fluminense, lotada no Colégio Universitário Geraldo Reis (COLUNI/UFF) e Diretora da Unidade de Ensino. Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2017), Especialização no Programa de Residência Docente do Colégio Pedro II (2018) e Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2020). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em formação de professores, alfabetização, educação antirracista e história e cultura africana e afro-brasileira.

Por João Santos

Por dentro da SBPC: Jovem

Por dentro da SBPC: Jovem

Programação aposta em atividades interativas para aproximar crianças e jovens da ciência

Entre os dias 26 de julho e 1 de agosto, a Universidade Federal Fluminense (UFF) receberá a 78ª Reunião Anual (RA) da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Campus Gragoatá, em Niterói. A programação do evento, considerado o maior encontro científico da América Latina, contará com atividades organizadas por diversas comissões,
entre elas a SBPC Jovem, que tem como objetivo aproximar crianças e jovens do conhecimento científico e estimular o interesse pela ciência, tecnologia e inovação.

Coordenada pelo professor do Instituto de Biologia da UFF, Luiz Andrade, a comissão é formada por instituições e setores dedicados à popularização da ciência. Dentre estas, destacam-se a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), a Associação Brasileira de Museus e Centros de Ciência (ABMCC), o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) e o Instituto de Ciências Humanas (ICH).

Além dessas instituições, a SBPC Jovem é apoiada pela Prefeitura de Niterói, pela Casa da Descoberta da UFF, pela Casa da Ciência da UFRJ, e pelo Labaciências, vinculado à UFF. Nesse sentido, o grupo trabalha na articulação de parcerias com órgãos públicos, especialmente com as redes municipal e estadual de ensino, a fim de viabilizar a participação de escolas na programação da RA da SBPC.

Esquenta SBPC leva debates e experiências para diferentes espaços da cidade

Reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, no primeiro evento ‘Esquenta SBPC’

Responsável por definir atividades, convidar participantes, mapear iniciativas de ensino e de debate científico para compor a Programação Científica e organizar os espaços da Tenda Jovem, a equipe atua na construção da agenda, tendo como base o tema “Ciência Para Todos: Soberania, Desenvolvimento e Inclusão”. De acordo com Luiz, a curadoria das atividades foi realizada a partir da experiência acumulada pelos diferentes representantes das instituições e dos coletivos de popularização da ciência que compõem a comissão.

“A experiência da UFF enquanto organizadora de diversos congressos de divulgação científica, além da participação no encontro de popularização da ciência, realizado no fim do ano passado, em Brasília, pelo Departamento de Popularização da Ciência do MCTI, foi determinante para nossas escolhas”, explica Andrade.

A fim de aproximar a população da cidade do evento, a SBPC Jovem já realizou dois eventos, chamados de ‘Esquenta SBPC’, cujo objetivo é ampliar o diálogo entre temáticas da ciência com alunos do ensino fundamental, médio e da graduação. A primeira edição aconteceu no dia 07 de abril, no Auditório do Núcleo de Estudos em Biomassa e Gerenciamento de Água
da UFF, e promoveu uma aula sobre mundo, território e o papel da ciência na transformação da sociedade a partir da visão de Milton Santos, geógrafo e cientista brasileiro.

Sessão de Pôsteres de projetos de alunos da Rede Municipal de Ensino de Niterói no evento ‘Esquenta SBPC’

O segundo encontro foi realizado no dia 20 de maio, na Plataforma Urbana Digital (PUD) de Santa Bárbara, equipamento público municipal de inovação, educação e cultura digital em Niterói. O evento foi coordenado pela Secretaria Municipal de Inovação, Ciência e Tecnologia (SMICT), órgão parceiro da comissão, e contou com um museu itinerante de astronomia e ciências, cedido pelo MCTI.

Luiz explica que ainda estão previstos mais dois eventos deste tipo antes do início da SBPC, a serem realizados em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME) e com a SMICT. “Estamos um forte plano de Comunicação, atuando em duas principais frentes. São elas: o uso inteligente e criativo das mídias digitais, principalmente o Instagram; e a produção e promoção dos ‘Esquenta SBPC Jovem’, levando uma prévia do que aconteceu durante a 78ª RA para outros locais da cidade”, afirma Andrade.

Tenda Jovem

Durante o evento, as atividades organizadas pela comissão acontecerão na Tenda Jovem, espaço que será transformado em uma mini Cidade da Ciência, cujo objetivo é incentivar a participação juvenil, a aprendizagem ativa, a interdisciplinaridade, a ludicidade e a inclusão. Para Andrade, o trabalho desenvolvido pela equipe visa consolidar a política de popularização da ciência que não se limita à exposição de conteúdos, mas que promove um espaço de participação, reflexão, intercâmbio de conhecimentos e formação para uma ciência cidadã.

“O contexto atual é marcado pela desinformação e distanciamento entre ciência e sociedade. Assim, acredito que nosso desafio é contribuir na criação de experiências públicas de contato direto com a produção científica, especialmente junto à juventude, fomentando redes colaborativas entre as esferas municipais, estaduais e federais, e especialmente com o Programa Mais Ciência na Escola, do MCTI”, explica Andrade.

A iniciativa também pretende reunir exposições interativas, oficinas, rodas de conversa, esquetes teatrais e ações de comunicação pública da ciência, ampliando o acesso ao conhecimento e fortalecendo a formação crítica de crianças, jovens e professores de todos os níveis educacionais.

Para a UFF, a oportunidade de sediar esta edição da RA está em consonância com a meta da instituição de contribuir com a socialização do conhecimento científico, especialmente neste momento histórico de desinformação e de ataque à democracia e à soberania do país. Além disso, a realização da SBPC trará caravanas de estudantes, acompanhados de seus respectivos docentes e orientadores, e de expositores da Feira de Ciências, de todos os estados da federação.

“Esta é uma iniciativa que reforça a importância da universidade de investir, cada vez mais, na popularização da ciência, por meio de ações de combate à desinformação e na promoção do pensamento crítico, como forma de retorno à sociedade. Para a cidade, acredito que a realização de um congresso vibrante, com a participação de milhares de pessoas de várias regiões do país, movimenta o intercâmbio de experiências no que se denomina ciência cidadã”, conclui Andrade.

UFF e SBPC realizam reunião geral de alinhamento para a 78ª Reunião Anual

UFF e SBPC realizam reunião geral de alinhamento para a 78ª Reunião Anual

Em mais uma etapa de preparação, representantes de todas as comissões discutiram o planejamento do evento

A Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC) realizaram, na última quinta-feira (21), a reunião geral de alinhamento para a 78ª Reunião Anual da SBPC. Faltando dois meses para o principal evento científico da América Latina, os representantes dos eixos temáticos apresentaram o planejamento logístico e principais atrações da edição.

Na ocasião, as comissões apresentaram a atualização dos cronogramas, avanços operacionais e entregas já concluídas em cada eixo de atuação. O encontro também contribuiu para fortalecer a articulação entre as equipes da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), promovendo maior alinhamento das ações previstas para o evento. Participaram da reunião a secretária-geral da da Comissão Executiva Central da SBPC, Andrea Macedo, a secretária executiva, Fernanda Albuquerque, além de representantes da Comissão Executiva Local.

Para a coordenadora da Comissão Executiva Local, Laura Antunes Maciel, a integração entre as comissões é um dos pilares para o sucesso do evento. “Precisamos manter um diálogo permanente entre todas as frentes para assegurar o melhor aproveitamento da infraestrutura, maior eficiência na gestão dos recursos e a construção de ações colaborativas entre as diferentes equipes. É com esse espírito de cooperação e compromisso coletivo que estamos trabalhando para realizar a maior edição da história da SBPC”.

Foto: Participantes da reunião geral de alinhamento para a 78ª Reunião da SBPC

A 78ª Reunião Anual da SBPC acontece entre os dias 26 de julho e 1º de agosto na UFF, em Niterói (RJ), com expectativa de receber 50 mil participantes. Para conferir a programação preliminar acesse a página de divulgação da SBPC. Mais informações estão disponíveis no site oficial e no Instagram da Reunião Anual de 2026.

Por João Pedro Chiabai e Isabela Bitencourt

Por dentro da SBPC: Cultural

Por dentro da SBPC: Cultural

Programação aposta em cinema, música e culturas urbanas para aproximar ciência, arte e comunidade

A Universidade Federal Fluminense (UFF) receberá, entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, no Campus do Gragoatá, em Niterói, a SBPC Cultural, uma das frentes da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Organizada pela comissão cultural do evento em parceria com as comissões de Gênero, Diversidade e Equidade e Afro e Indígena, além de instituições da cidade, a iniciativa propõe um roteiro voltado à integração entre universidade, comunidade científica e população.

Integrante da programação há mais de uma década, neste ano, a SBPC Cultural tem como objetivo promover experiências de intercâmbio e produção de conhecimento por meio de diferentes linguagens artísticas e culturais. A expectativa é de que a programação mobilize não apenas os participantes da reunião anual, mas também o público geral.

De acordo com Leonardo Guelman, coordenador da Comissão Cultural e superintendente do Centro de Artes UFF (Ceart), as atividades buscam reafirmar a cultura como campo de produção de saberes e circulação de experiências.

“Entendemos que a maior tarefa da SBPC Cultural é criar um espaço de troca das expressões culturais. A partir da experiência em produção cultural do Ceart, está sendo desenvolvida uma programação multilinguagem, que envolve música, artes visuais e cinema, capaz de transitar e articular o público da universidade e da cidade de Niterói.”

SBPC Cine marca programação cultural

Principal novidade desta edição, a SBPC Cine será o eixo central da programação cultural. Instalada no Campus do Gragoatá, a estrutura funcionará como uma sala de cinema multiuso com capacidade para cerca de 200 pessoas, oferecendo sessões contínuas ao longo do evento. A programação contará com filmes, documentários científicos, produções audiovisuais de pesquisa e obras de artistas indígenas e quilombolas, em diálogo com a SBPC Afro e Indígena.

“A realização da SBPC Cine tem como objetivo abrir espaço para a exibição de produções indígenas e quilombolas, bem como para documentários e materiais audiovisuais que tenham caráter científico e de pesquisa. Então, é uma curadoria que está sendo pensada para abarcar diferentes minutagens e formatos que explorem esses universos”, explica Guelman.

Foto: Leonardo Guelman apresenta programação da SBPC Cine em reunião com a comissão executiva da SPBC

Programação cultural e atrações

A agenda também reunirá apresentações dos corpos artísticos da UFF, como concertos da Orquestra Sinfônica Nacional (OSN), do grupo Música Antiga e do Quarteto de Cordas, além de atividades voltadas ao fortalecimento da produção cultural universitária e dos movimentos de base. Para Alexandre Mangeon, Chefe da Divisão de Música Sinfônica da UFF, a inclusão da OSN e outros corpos artísticos na agenda da 78ª RA da SBPC representa uma oportunidade de aproximação entre a orquestra, os grupos da UFF e novos públicos.

“Acredito que a apresentação dos corpos artísticos da UFF será essencial para ampliar os horizontes da nossa atuação. Esperamos que, a partir dessa agenda, mais pessoas se conectem com nosso trabalho e possam desfrutar e conhecer obras clássicas que carregam elementos do que conhecemos hoje na música popular, seja na forma, seja na harmonia, ou ainda na contextualização e valorização da brasilidade”, afirma.

Foto: Divulgação OSN UFF
Foto: Divulgação OSN UFF

Mangeon também ressalta que o programa escolhido pela OSN para a apresentação na SBPC mostra como a música pode unir mundos diferentes de forma leve e direta, valorizando o caráter de diálogo entre ciência, arte e diversidade cultural proposto pelo evento. “Ao colocar lado a lado a sofisticação francesa de Ravel e Lili Boulanger e a energia brasileira de Villa-Lobos, a orquestra cria um espaço de intercâmbio cultural muito rico. É uma forma de mostrar que, tanto na pesquisa quanto na arte, a colaboração é o que gera os resultados mais inovadores”, acrescenta.

Outro destaque será a Roda Cultural de Hip-Hop, que contará com batalhas, slam e apresentações musicais que reúnem estudantes de diferentes áreas da universidade, além de uma mostra de música autoral produzida por alunos. Segundo Pedro Gradella, integrante da comissão cultural e Coordenador de Artes do Ceart, a proposta é integrar grupos de diferentes institutos e campi da universidade.

“Estamos reunindo estudantes de todas as unidades da UFF para ampliar a representatividade regional da universidade na programação. A ideia é valorizar expressões culturais que ocupam as ruas, como slam, batalhas e apresentações de hip-hop, além de abrir espaço para bandas autorais formadas por alunos que produzem e compõem na universidade”, afirma Gradella.

Com ampla divulgação e articulação com equipamentos culturais locais, a SBPC Cultural pretende deixar como legado o fortalecimento do protagonismo da UFF na realização de eventos de grande porte e a consolidação de uma experiência na qual a ciência e a cultura dialogam como dimensões complementares do conhecimento.

“A expectativa é de que a SBPC Cultural resulte em uma experiência rica de intercâmbio e troca de saberes, mobilizando não apenas os participantes da reunião, mas também a cidade. Nossa proposta vai além do entretenimento: entendemos a cultura como produção de conhecimento, em diálogo com a ciência e com diferentes formas de saber, que incluem e celebram as experiências quilombolas, indígenas e populares como eixos importantes na formação da nossa sociedade”, conclui Guelman.

Por Vivian Abreu e João Pedro Costa

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