Ações buscam assegurar conforto, segurança e acessibilidade aos participantes durante toda a programação
Entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, o campus Gragoatá, da Universidade Federal Fluminense (UFF), será palco do maior encontro acadêmico e científico da América Latina: a 78ª edição da Reunião Anual (RA) da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. A área de 200 mil metros quadrados abrigará dispositivos como megatendas, salas de cinema, museus itinerantes e planetários. A expectativa é que 50 mil pessoas participem do evento, realizado pela primeira vez na cidade de Niterói.
A RA é realizada ininterruptamente desde 1949, e esta edição acontece em parceria com a Prefeitura de Niterói. A cada ano, o evento transforma universidades públicas em espaços de encontro entre ciência e sociedade, reunindo pesquisadores, professores, estudantes, gestores públicos, lideranças sociais e visitantes interessados em ciência, educação, tecnologia e cultura.
As inscrições para a 78ª Reunião Anual da SBPC são gratuitas e estão abertas neste link.
Desde o ano passado, quando a Universidade foi escolhida como sede, a comissão de infraestrutura trabalha na organização e preparação do local. De acordo com o coordenador da comissão e atual Superintendente de Operações e Manutenção da UFF (SOMA), Mário Augusto Ronconi, a atuação começou com o mapeamento das necessidades de adequação do campus para receber o encontro.
“Receber um público tão expressivo exige planejamento e trabalho integrado, e é isso que estamos realizando desde o ano passado para preparar o Campus do Gragoatá. A programação científica acontecerá nos edifícios de salas de aula, enquanto atividades como a ExpoT&C e a SBPC Jovem contarão com estruturas temporárias, implantadas em duas tendas de 4 mil mil metros quadrados e 2,4 mil metros quadrados, respectivamente, que funcionarão na área da Instituto de Educação Física”, explica Ronconi.
Campus em preparação para receber a Tenda da ExpoT&C / Foto: SCS
O coordenador reforça que desenvolve as ações em parceria com a Comissão de Manutenção, responsável pelas intervenções nos prédios e espaços já existentes do campus. “Intensificamos algumas ações de manutenção rotineira, como na recuperação de aparelhos e modernização dos elevadores. Além disso, estão sendo realizadas melhorias e adequações nos acessos, na iluminação e nos banheiros do campus com o objetivo de garantir que os espaços ofereçam conforto, segurança e pleno funcionamento para todos”, destaca.
Montagem das estruturas no Campus Gragoatá / Foto: SCS
Alimentação e Hospedagem
Além das estruturas que compõem a programação, o local também abrigará uma área de alimentação ao lado do bloco H, que contará com tendas gastronômicas e espaço de food trucks para os participantes que desejarem se alimentar no campus. Também será mantida a operação dos quiosques já existentes no campus, a fim de ampliar as alternativas de alimentação de forma prática e acessível.
Para os participantes que vêm de outros estados e regiões, a cidade de Niterói dispõe de diversas opções de hospedagem próximas ao Campus Gragoatá, como pousadas, hotéis e hostels. As reservas são de responsabilidade dos participantes, mas é possível conferir uma lista de estabelecimentos preparada pela comissão de hospedagem por meio deste link.
A UFF também disponibilizou um edital para preenchimento de vagas para o alojamento coletivo, que funcionará no Colégio Universitário Geraldo Reis (Coluni-UFF), voltado para os estudantes de fora da região metropolitana do Rio de Janeiro.
Acessibilidade
O Campus Gragoatá é equipado com elevadores e sistema de acessibilidade desde a entrada, e possui pavimentação direcional para cadeirantes e piso podotátil para pessoas com baixa visão entre os blocos e espaços de convivência. Além disso, o evento contará com uma Central de Acessibilidade, que estará alocada no Espaço Proaes, no térreo do Bloco A.
Também estão sendo implantados dois espaços de autorregulação para pessoas neurodivergentes, que terão a função de acolher, instruir e encaminhar demandas durante todo o evento. Haverá, ainda, monitores disponíveis para orientação na entrada dos blocos que receberão atividades da programação científica.
Com expectativa de atrair 50 mil participantes, 78ª Reunião Anual da SBPC vai movimentar Niterói
Entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, a Universidade Federal Fluminense (UFF) recebe a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Realizado em parceria com a Prefeitura de Niterói, o evento gratuito, que acontece pela primeira vez na cidade, é aberto ao público e reúne os principais cientistas do Brasil para promover discussões e debates públicos acerca de uma variedade de assuntos referentes às múltiplas áreas de conhecimento.
Considerada a maior conferência de ciências e pesquisa da América Latina, a reunião ocupará o campus Gragoatá com atividades interativas, científicas e culturais por meio de shows, sessões de cinema, dois planetários, uma experiência de viagem pelo tempo geológico, exposições, mesas-redondas, conferências e minicursos. Entre os núcleos que integram o evento, estão a SBPC Jovem; Cultural; Gênero; Afro, Indígena, e Comunidades Tradicionais; Diversidade e Equidade; e da ExpoT&C. O evento conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Fundação Itaú.
Para o reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, a realização da 78º Reunião Anual da SBPC na universidade representa uma grande oportunidade de ampliar a projeção do conhecimento produzido no espaço acadêmico, e de seu papel como instituição de ensino, pesquisa e extensão.
“A UFF receberá o maior evento científico da América Latina. É uma grande responsabilidade, e nós temos atuado de forma integrada para garantir uma edição memorável, compatível com a sua trajetória de excelência para o desenvolvimento científico e social do Brasil. Temos grandes expectativas em relação à realização desse encontro em nossa universidade. Ele reforça o nosso papel como espaço de produção e divulgação do conhecimento, além de conferir maior visibilidade aos nossos pesquisadores e às pesquisas desenvolvidas na instituição”.
Estima-se a presença de cerca de 50 mil pessoas no encontro deste ano na UFF, entre estudantes, professores, pesquisadores e o público geral. Com a temática de “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, o evento contará com recursos de acessibilidade e é focado em abrir a ciência de forma interativa e dinâmica para toda a população, com programação para toda a família.
Mais de 300 pesquisadores participam das atividades que compõem a reunião, além de 63 minicursos, 60 conferências e 88 mesas-redondas que articulam debates acerca de assuntos centrais na agenda científica nacional e internacional ao tema central da edição, para contribuir com a construção de soluções para os desafios contemporâneos da sociedade global.
A presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, afirma que a reunião representa uma oportunidade de aproximar a população da produção científica nacional.
“A Reunião Anual da SBPC é o maior encontro da ciência brasileira e será uma grande oportunidade para aproximar a população do conhecimento produzido no país. Vamos reunir pesquisadores de diversas áreas para discutir temas que impactam diretamente o presente e o futuro. Também teremos espaços dedicados aos jovens, com atividades que despertam o interesse pela ciência e inspiram novas carreiras”, pontua.
Na programação estão previstas discussões sobre o futuro do país, como “Crise habitacional e ambiental: políticas públicas urbanas e direito à moradia”, “Inteligência artificial na publicação científica: transparência, integridade, e novos paradigmas”, e “Educação midiática e inclusão: caminhos para a soberania informacional”.
“Todos estão convidados para esse grande encontro. Teremos debates sobre temas fundamentais para o futuro de Niterói, do Rio de Janeiro e do Brasil, como terras raras, pesquisas nucleares, inteligência artificial, computação quântica, complexo industrial da saúde e diversos outros assuntos ligados à inovação, à ciência e à tecnologia. Será uma oportunidade única de aproximar a população dos grandes debates que vão influenciar os próximos anos”, afirma o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.
As inscrições nos minicursos da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) já estão abertas. São mais de 60 minicursos virtuais e presenciais que integram a programação do evento. Neles, serão abordados temas referentes à ciência, inovação, sustentabilidade, educação, cultura, entre outros, como mudanças climáticas, astronomia, saúde e meio ambiente, equidade de gênero e ciência cidadã.
Os minicursos serão ministrados por pesquisadores e especialistas de todo o país, e buscam o engajamento de diferentes públicos, tal como estudantes de graduação e pós-graduação. As vagas para as atividades presenciais são limitadas, e serão disponibilizadas de acordo com a capacidade dos locais em que irão ocorrer.
Serviço – 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Data e hora Abertura: 26/07 às 17h30 Programação: de 27/07 a 01/08, das 9h às 20h
Local Abertura: Distrito de Inovação – Estação Cantareira Programação: Universidade Federal Fluminense – UFF (Campus Gragoatá).
Endereço: R. Prof. Marcos Waldemar de Freitas Reis – São Domingos, Niterói – RJ, 24210-201
A SBPC foi fundada em 8 de julho de 1948, tendo a sua primeira reunião no ano seguinte na cidade de Campinas, em São Paulo. Em 1990, o evento cresceu, deixando de ser limitado apenas a “doutores”. Neste mesmo período, fundou-se a SBPC Jovem em Recife, em sua 45ª reunião. A criação deste grande nome para a educação no país acontece com o objetivo de fomentar a criação de fundos de amparo à ciência e para proteger a carreira de pesquisador.
A entidade permanece conectada a esta origem, atuando a favor da pesquisa no Brasil, e da divulgação e difusão científica. Esta representa 161 sociedades científicas afiliadas e múltiplos sócios ativos, dentre os quais se enquadram pesquisadores, docentes, estudantes, entre outros. Para além disso, a SBPC tem assento permanente no Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT) e apresenta representantes oficiais em mais de 20 conselhos e comissões governamentais.
Sobre a Universidade Federal Fluminense
Fundada em 1960, a Universidade Federal Fluminense promove o ensino, projetos de pesquisa e de extensão de alta qualidade em diversas áreas do conhecimento. Presente em onze cidades do estado do Rio de Janeiro e com uma unidade avançada em Oriximiná (PA), a UFF é reconhecida como uma das principais universidades do país, comprometida com a excelência acadêmica, com a defesa da universidade pública e com o desenvolvimento nacional.
Informações para a imprensa
Para mais informações, o reitor da Universidade Federal Fluminense e a presidente da SBPC estão disponíveis para entrevistas.
Conferência do evento recebe Vitor Francisco Ferreira, professor da UFF, para refletir sobre os perigos dos polímeros no ecossistema
Copos, pratos, talheres, sacolas de supermercado, inúmeros são os objetos consumidos que são produzidos majoritariamente por plásticos presentes no cotidiano. O uso abundante, o descarte irregular e os 450 anos de degradação fazem com que os descartáveis circulem pelas águas e oceanos se chocando e formando grandes ilhas plásticas. Com o tempo são corroídas e fragmentadas pelo sol e correntes marinhas, liberando milhares de microplásticos no meio ambiente.
Na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), sediada na Universidade Federal Fluminense (UFF), entre os dias 26 de julho e 1° de agosto, o professor do Departamento de Tecnologia Farmacêutica da UFF, Vitor Francisco Ferreira, comandará a conferência “Microplásticos e Nanoplásticos na Saúde e Doenças Humanas” para discutir os problemas dos micros polímeros no ecossistema.
O pesquisador será homenageado na abertura da reunião da SBPC por suas contribuições para o desenvolvimento da educação, ciência e tecnologia no país. Ferreira também está presente na lista dos oito pesquisadores da UFF mais influentes no planeta.
Como os microplásticos e nanoplásticos se tornaram uma grande questão para o desenvolvimento humano?
Vitor Francisco Ferreira: Não existe um olhar para o meio ambiente e para as pessoas quando uma tecnologia é criada. O plástico foi inventado há mais de 100 anos e, na época, não foi pensado que ele poderia gerar pequenas partículas chamadas de nanoplástico ou microplástico – a diferença entre eles depende apenas do tamanho. Não pensaram que isso iria acontecer, mas o plástico tomou conta da nossa vida. Ele é derivado do petróleo e, conforme a produção do combustível fóssil foi aumentando, maior foi a quantidade de plástico que apareceu no nosso cotidiano. Hoje, não conseguimos pensar em viver sem plástico, usamos para embalagens e diversas outras coisas. Basta entrar no supermercado para ver a quantidade de plástico presente lá dentro.
Quando esse material foi feito, não inventaram o seu processo de mitigação, ou seja, processos de recuperação ou reaproveitamento. Isso acontece com pneus, plásticos e as substâncias perfluoradas e polifluoroalquiladas, os chamados PFAS. Estes últimos são ainda piores que os microplásticos. Existem mais de 4.700 dessas substâncias contaminando o mundo todo, e elas são eternas, sendo chamadas na literatura de “Forever Chemicals”. Desenvolvem-se tecnologias sem pensar no meio ambiente, e depois as pessoas têm que tentar mitigar os problemas.
Como o descarte de materiais plásticos se transforma no problema dos microplásticos e nanoplásticos?
Vitor Francisco Ferreira: O problema do plástico se tornou imenso, a ponto de existirem ilhas de plástico. Os macroplásticos são aqueles de tamanho grande, como embalagens de shampoo e sacolas de supermercado, que vão para o meio ambiente e para os oceanos. Essas substâncias duram de 400 a 500 anos e, antes de sofrerem o processo de decomposição, passam por um processo de quebra promovido principalmente pela luz solar, como o pregador de roupa que fica ressecado e quebradiço no varal sob os raios ultravioleta. No mar, isso representa um grande problema. Existem ilhas de plástico, como a que tem o tamanho do estado do Texas e fica localizada entre a Califórnia e o Havaí. Os plásticos vão batendo uns nos outros e se quebrando em pedaços cada vez menores até chegar ao tamanho nano. Isso acaba entrando na cadeia alimentar por meio da água dos rios, dos peixes que você consome e dos animais que bebem água contaminada.
O ambiente inteiro está inundado de microplástico: no Alasca, nos polos Norte e Sul, na água potável e nos alimentos. Todos nós estamos contaminados com microplásticos. Estima-se que consumimos entre 39 mil e 52 mil microplásticos por ano. Os plásticos estão presentes em uma quantidade alarmante e provoca uma ameaça gigante à saúde do ecossistema e dos seres vivos.
Existem 5 grandes ilhas de plástico, localizadas nos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico Foto: The Ocean Cleanup/Reprodução
Qual é a dificuldade de enfrentar um problema que é invisível a olho nu?
Vitor Francisco Ferreira: É muito complexo. Por exemplo, purificar a água ao nível de retirar essas partículas a tornaria muito mais cara, pois seria necessário usar métodos térmicos, fototérmicos ou eletroanalíticos para destruir as partículas. A água encanada potável, como a que chega em nossas caixas d’águas, carrega microplásticos porque o processo de filtração atual não retém partículas que variam de 5 milímetros a 1 nanômetro. Eles filtram as impurezas maiores, semelhante a como fazemos com o pó de café, mas não tiram metais pesados, PFAS ou microplástico.
Essa diferença de partículas capturadas é muito grande e para identificar e isolar os nanoplásticos é necessário um equipamento especializado de alto custo.
Os estudos apontam que os polímeros atuam como esponjas químicas, absorvendo poluentes orgânicos e metais pesados pelo ambiente. Quais são os perigos dessas toxinas serem transportadas diretamente para nossas células?
Vitor Francisco Ferreira: O nanoplástico é pior porque ele é menor do que os componentes celulares, conseguindo atravessar a membrana da célula. O polietileno é um dos polímeros mais perigosos e produzidos em abundância. Ele é formado apenas por uma cadeia de carbono e hidrogênio. A queima gera apenas calor, pois sua composição química é semelhante à do carvão e não tem outros elementos para contaminar o ambiente. Já o poliestireno, o nylon e outros plásticos possuem funções e compostos químicos que, quando queimados, geram produtos tóxicos que podem interagir com as biomoléculas do nosso organismo, como proteínas e enzimas.
O poliestireno possui um anel aromático benzênico, e vale lembrar que o benzeno é cancerígeno. Ele pode interagir com as células por empacotamento pela ligação chamada “pi-stacking”. Isso é semelhante ao funcionamento de medicamentos. Quando tomamos uma aspirina, que também possui anel aromático, esperamos que ela entre no organismo e interaja com enzimas e proteínas. O problema é que eliminamos milhares de toneladas de fármacos no meio ambiente pela urina e pelas fezes. Tomar um medicamento pode ser bom para a pessoa, mas o resíduo químico volta de forma prejudicial para os animais, plantas e para o próprio ser humano. Como exemplo recente, na Índia, milhares de urubus morreram após comerem carne de gado que estava contaminada com o anti-inflamatório diclofenaco, princípio ativo presente no Cataflam e no Voltaren.
Diversas pesquisas já identificaram a presença de nanoplásticos em tecidos humanos, incluindo a placenta. Existe alguma estimativa do impacto que isso pode causar na saúde e no desenvolvimento do feto e de recém-nascidos?
Vitor Francisco Ferreira: A primeira etapa das pesquisas mundiais focou na detecção de onde existe a presença do microplástico. Uma segunda etapa das pesquisas começou a detectar o material no pulmão, cérebro, artérias, urina, placenta e nas fezes. O grande problema é descobrir quais doenças isso pode gerar.
É muito complicado associar uma determinada doença ao microplástico de imediato, pois é necessário um estudo de caso muito grande para confirmar a relação de causa e efeito, além disso é uma pesquisa muito cara de realizar. Seria necessário analisar um número enorme de pessoas, como agrupar 5.000 placentas, verificar o índice de contaminação em todas elas, observar se os fetos desenvolveram problemas de saúde ao longo do tempo e cruzar todas essas variáveis.
O único grande estudo de que tenho conhecimento foi feito por mais de 500 médicos e pesquisadores, que analisaram coágulos da aorta e constataram que 60% deles continham microplásticos. No entanto, não se sabe ainda se foi o plástico que iniciou a formação do coágulo ou se ele foi apenas absorvido porque o sangue já continha o material.
Vitor Francisco Ferreira, ao centro, com equipe do Instituto de Química da UFF. Foto: Divulgação
Existem evidências comprovando que alternativas sustentáveis oferecem menos riscos a longo prazo quando se quebram?
Vitor Francisco Ferreira: Um ótimo exemplo de bioplástico é o Poliácido Láctico (PLA), que é muito utilizado em impressoras 3D, inclusive nos laboratórios. Ele deriva do ácido lático, o mesmo presente no iogurte e que é produzido pelo tecido muscular humano. Quando o PLA se degrada, ele volta a ser ácido lático, que é uma substância endógena e não tóxica. É um substituto muito eficiente, porém é incomparavelmente mais caro que o polietileno ou o poliestireno.
Existem alternativas, porém são mais caras, como o plástico biodegradável e polímeros derivados de amido. A implementação de subsídios governamentais poderia ajudar a baratear essas opções, porém a melhor saída seria a criação de políticas duras para reduzir o uso de plástico e penalizar o desperdício, para que nos tornemos uma sociedade menos dependente do plástico.
O que pode ser feito em termos de políticas públicas para diminuir os riscos, mesmo com grandes corporações tentando frear essas ações?
Vitor Francisco Ferreira: Se os grandes competidores do mercado não frearem, uma cidade sozinha, como Niterói, não conseguirá enfrentar o problema. É uma questão de governança mundial. Diminuir a quantidade de macroplástico consequentemente exige a diminuição da produção de petróleo. As companhias petrolíferas não querem debater a redução, como foi visto na COP 30, e o comitê internacional é extremamente vulnerável a pressões políticas.
Em todas as 30 COPs, não houve sequer uma restrição firme à produção de combustíveis fósseis. Nós vivemos um paradoxo esquizofrênico: tentamos controlar e diminuir o uso de combustíveis fósseis, mas, ao mesmo tempo, os países procuram mais petróleo. O Brasil está procurando mais no Amapá, e os Estados Unidos demandam cada vez mais da commodity para manter sua economia carbonizada funcionando.
Já sofremos com poluição severa pelo uso do carvão na Revolução Industrial, até o petróleo substituí-lo em grande escala. No fim, é uma questão de princípios. Eu não coloco combustível fóssil no meu carro, abasteço apenas com etanol, que é uma fonte renovável, pois não posso dar aula de sustentabilidade, defendendo o fim do combustível fóssil enquanto consumo derivados do petróleo.
O que podemos fazer coletivamente para frear o problema do microplástico?
Vitor Francisco Ferreira: Eu uso apenas pratos de papel e garfos de madeira. Também levo minhas próprias sacolas para o supermercado. Existem opções mais biodegradáveis para objetos básicos do cotidiano que corriqueiramente consumimos na versão de plástico. No próximo churrasco, não usem pratos de plástico. É possível comprar pratos de papel na internet e eles funcionam muito bem e, em até três meses, estão totalmente decompostos, pois celulose é cem por cento biodegradável.
Qual a importância de utilizar encontros acadêmicos como a SBPC, que aproximam a ciência da sociedade, para debater sobre esse tema? Além disso, qual é o papel dos pesquisadores na hora de divulgar e contribuir com reflexões relacionadas às mudanças climáticas do planeta?
Vitor Francisco Ferreira: Utilizar encontros científicos como os promovidos SBPC para discutir os microplásticos é particularmente importante porque o tema reúne características que favorecem a desinformação: trata-se de um problema complexo, interdisciplinar, em rápida evolução científica e com impactos potenciais sobre a saúde humana, os ecossistemas, a economia e as políticas públicas. Em um cenário em que novas descobertas são divulgadas com frequência, é essencial que a sociedade tenha acesso a informações contextualizadas e baseadas em evidências.
O papel dos pesquisadores na divulgação e na promoção de reflexões sobre o aquecimento global é muito mais amplo do que apenas produzir artigos científicos. Em um contexto em que as mudanças climáticas afetam a saúde, a biodiversidade, a segurança alimentar, a economia e a estabilidade social, os cientistas têm uma responsabilidade ética e social de contribuir para que o conhecimento científico seja compreendido e utilizado pela sociedade e pelos tomadores de decisão.
Nesta reunião, o senhor participará de uma homenagem pela sua contribuição para o desenvolvimento da ciência brasileira. Qual o tamanho do significado de conquistar o reconhecimento pelos anos de trabalho prestados?
Vitor Francisco Ferreira: Receber uma homenagem na reunião da SBPC é uma honra que transcende o reconhecimento individual. Vejo essa distinção como um reconhecimento ao trabalho coletivo desenvolvido ao longo de muitos anos ao lado de estudantes, orientandos, colegas, técnicos e instituições que acreditam na ciência como instrumento de transformação da sociedade.
A entrada na Reunião Anual da SBPC é livre e gratuita para todas as atividades. Há cobrança apenas para inscrição em minicursos e webminicursos, aquisição opcional do material do evento e apresentação de trabalhos aprovados na Sessão de Pôsteres.
A programação preliminar, assim como informações sobre inscrições está disponível no site oficial da 78ª Reunião Anual da SBPC: https://ra.sbpcnet.org.br/78RA/.
Vitor Francisco Ferreiraé Professor Titular Livre do Departamento de Tecnologia Farmacêutica da Universidade Federal Fluminense. É pesquisador do 1A do CNPq, Cientista do nosso Estado (desde sua primeira edição) e membro Titular da Academia Brasileira de Ciências. Possui graduação em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro-IQ (1976), Mestrado em Química de Produtos Naturais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro-NPPN (1980), doutorado em Química Orgânica – University of California San Diego (1984) e pós-doutorado pela University of Oklahoma (1997). Foi Professor Titular do Departamento de Química Orgânica da Universidade Federal Fluminense entre 1986-2017 e foi um dos criadores do programa de Pós Graduação em Química (1990). Foi incluído na lista de 2020 como um dos cientistas mais influentes do mundo pela revista Plos Biology. Foi incluído na lista dos cientistas mais influentes do mundo 2021 e 2022,organizada pela Stanford University. Incluído entre os 8 pesquisadores da UFF que são os mais influentes do planeta. Foi agraciado com o título de Professor Emérito, por indicação do Instituto de Química, pelo Conselho Universitário (CUV/UFF No 207 de 06/07/2023). Em setembro de 2024 recebeu “BMOS AWARD 2024” do 19th Brazilian Meeting in Organic Synthesis.
A 78ª RA da SBPC Ciência contará com uma estrutura de apoio à saúde para garantir atendimento inicial, suporte em situações de urgência e ações de promoção do bem-estar dos participantes.
Serão oferecidos:
Dois postos de saúde para atendimento inicial, localizados no Bloco A e na área de Educação Física, ambos localizados próximos às tendas;
Ambulâncias de prontidão para remoção a unidades hospitalares, em caso de necessidade;
Materiais de primeiros socorros disponíveis no alojamento;
Ações educativas e de promoção da saúde, com distribuição de materiais informativos ao público participante.
A estrutura foi planejada para oferecer suporte básico e atendimento rápido durante toda a realização do evento.
Além da intensa programação científica e cultural da 78ª Reunião Anual da SBPC, a Universidade Federal Fluminense (UFF) promoverá, entre os dias 27 e 31 de julho, uma série de ações voltadas à promoção da saúde, prevenção de doenças e bem-estar da comunidade acadêmica e do público participante do evento.
As atividades são organizadas pela Divisão de Promoção e Vigilância em Saúde, vinculada à Coordenação de Atenção Integral à Saúde e Qualidade de Vida da UFF, e têm como objetivo ampliar o acesso à informação, incentivar hábitos saudáveis e fortalecer a cultura do cuidado e da prevenção.
Ao longo da semana, serão realizadas as seguintes campanhas:
● 27 e 31 de julho (segunda a sexta) – Campanha de vacinação contra a Influenza, no Bloco A, onde funciona o posto de saúde (CASQ).
● 28 e 30 de julho (terça e quinta-feira) – Campanha de Prevenção de Acidentes com Bicicleta, com ações de conscientização sobre mobilidade segura, uso correto de equipamentos de proteção, curso de mecânica básica para ciclistas e boas práticas de convivência no trânsito.
● 28 de julho (terça-feira) – Campanha de Doação de Sangue, incentivando a doação voluntária e divulgando informações sobre a importância desse gesto solidário para a manutenção dos estoques dos hemocentros.
● 29 de julho (quarta-feira) – Campanha de Prevenção e Combate à Hipertensão, com orientações sobre fatores de risco, prevenção e controle da pressão arterial, além de atividades educativas voltadas à promoção da saúde cardiovascular.
● 31 de julho (sexta-feira) – Campanha de Prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), com orientações sobre prevenção, diagnóstico e cuidados com a saúde sexual.
● 31 de julho (sexta-feira) – Campanha de Combate ao Assédio e à Discriminação no Trabalho, voltada à promoção de um ambiente institucional mais respeitoso, inclusivo e livre de qualquer forma de violência, assédio ou discriminação.
As ações são gratuitas e abertas aos participantes da Reunião Anual da SBPC e acontecem de 10h as 15h, reforçando o compromisso da UFF com a promoção da saúde, da cidadania e da qualidade de vida.
Com a proximidade da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece de 26 de julho a 1º de agosto de 2026, cresce a expectativa dos cerca de 50 mil visitantes sobre como desfrutar dos encantos da cidade de Niterói. O evento, sediado no Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), conta com o apoio estratégico da Prefeitura de Niterói para unir a experiência acadêmica do principal encontro científico da América Latina a um roteiro turístico diversificado. Sob o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, a reunião será um marco para a cidade, integrando pesquisadores e o público em geral em um ambiente de troca e descoberta.
Niterói se prepara para oferecer um cenário que equilibra a produção de conhecimento com belezas naturais e atrações culturais e de lazer. Para as milhares de pessoas que vão circular pelo campus e seus arredores, é natural que surjam questionamentos sobre o que visitar nos intervalos da programação acadêmica. A cidade oferece desde complexos arquitetônicos de renome no país até trilhas e fortificações históricas que mostram diferentes ângulos da Baía de Guanabara. Confira dez lugares para visitar durante a estada para o evento.
Museu de Arte Contemporânea (MAC)
O primeiro ponto turístico é o Museu de Arte Contemporânea (MAC), construído por Oscar Niemeyer e o maior cartão-postal de Niterói. Com seu design futurista que remete a uma “nave espacial” e a rampa vermelha de 98 metros, o espaço integra exposições de arte a uma vista privilegiada da Baía de Guanabara e do Pão de Açúcar. No subsolo do edifício, o Bistrô MAC oferece café da manhã e almoço em um cenário panorâmico. Consulte a disponibilidade no Instagram @bistroniteroi. As galerias internas funcionam de terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h30), enquanto o pátio externo abre diariamente às 9h. O ingresso normal custa R$ 20,00 (pagamento na bilheteria realizado exclusivamente em espécie), sendo que às quartas-feiras a entrada é franca para todo o público.
Localização: Mirante da Boa Viagem, S/N°.
Caminho Niemeyer
Além do MAC, Niterói abriga o Caminho Niemeyer, um complexo arquitetônico que reúne o segundo maior conjunto de obras assinadas pelo renomado arquiteto. O percurso se estende pela orla e inclui marcos como o Teatro Popular, o Memorial Roberto Silveira e a Fundação Oscar Niemeyer, todos com o design sinuoso característico que dialoga com a paisagem da Baía de Guanabara. O espaço abre aos sábados, domingos e feriados, das 7h às 18h, e conta com visitas monitoradas gratuitas que ocorrem diariamente, de hora em hora, entre 9h e 17h. Percorrer esse trajeto é uma forma de compreender a identidade urbana e artística de Niterói enquanto se aprecia a vista para o mar.
Para quem busca uma perspectiva panorâmica de Niterói, o Parque da Cidade é o destino ideal. Localizado no alto do Morro da Viração, o lugar é o preferido para registrar o pôr do sol e oferece uma vista das montanhas e praias do Rio de Janeiro. Além de contar com trilhas e cenários perfeitos para fotografias, o espaço é o ponto de encontro para entusiastas de esportes radicais, sendo famoso pelos voos duplos de parapente. O acesso ao parque é gratuito e o funcionamento ocorre de terça a domingo, das 7h às 18h.
Localização: Estrada da Viração, S/N° – São Francisco.
Fortaleza de Santa Cruz da Barra
Para os que buscam uma imersão na história nacional, a Fortaleza de Santa Cruz da Barra é um ponto de visitação que não pode faltar no roteiro, já que é considerada uma das fortificações mais bem preservadas do país. O local proporciona um mergulho no passado militar brasileiro, guardando canhões centenários e oferecendo uma vista da entrada da Baía de Guanabara. O passeio une cultura e belas paisagens e revela como a cidade foi importante para a proteção do litoral do Brasil ao longo dos séculos. As visitas guiadas ocorrem de terça a domingo, das 9h às 16h, com saídas a cada hora, e o ingresso inteiro custa R$ 10,00.
O Campo de São Bento, nomeado oficialmente como Parque Prefeito Ferraz, é o principal refúgio verde de Niterói e um marco histórico no coração do bairro de Icaraí. Com 36 mil metros quadrados, o espaço oferece um vasto território arborizado, lagos e o Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, sendo ideal para um descanso relaxante a apenas 12 minutos de carro do local da SBPC. O parque conta com atrações infantis e, aos sábados, domingos e feriados, recebe uma tradicional feira de artesanato das 9h às 15h. O funcionamento é diário, das 7h às 19h, com entrada gratuita.
Localização: o espaço ocupa a área entre as ruas Lopes Trovão, Domingues de Sá, Gavião Peixoto e a Avenida Roberto Silveira.
Costão de Itacoatiara
Para os amantes de trilhas e do contato direto com a natureza, o Costão de Itacoatiara é uma opção de ecoturismo local. O passeio é muito procurado tanto por quem gosta de caminhar quanto por praticantes de escalada, que se aventuram pelos paredões de pedra da montanha. Além da subida principal, os visitantes podem explorar a Trilha da Enseada do Bananal, que é uma opção de caminho mais leve e tranquilo. O trajeto exige atenção nos pontos mais íngremes, mas a vista do mar e o pôr do sol lá de cima fazem todo o esforço valer a pena. O acesso é gratuito e o funcionamento ocorre diariamente, das 8h às 17h.
Localização: Rua das Flores, n°24 – Itacoatiara (Posto de Recepção ao Visitante).
Praia do Sossego
A Praia do Sossego é considerada um dos mais belos recantos de Niterói e um dos principais naturais do município. Por possuir uma pequena extensão e uma trilha de acesso menos conhecida, o local é um “tesouro escondido”, sendo muito frequentado por quem chega pelo mar em lanchas e iates. É o destino para quem busca um refúgio silencioso e contato direto com a natureza preservada. Embora o acesso seja liberado durante todo o dia, as autoridades recomendam a visitação entre 7h e 17h por questões de segurança e iluminação.
Localização: ela está situada entre as praias de Piratininga e Camboinhas – Região Oceânica de Niterói.
Mercado Municipal de Niterói
Reaberto em 2023 após quase quarenta anos, o Mercado Municipal de Niterói ocupa um edifício histórico de arquitetura neoclássica e consolidou-se como um polo gastronômico e cultural. Reconhecido como Patrimônio Histórico do Estado, o espaço de 9.700 m² abriga mais de 150 lojas que oferecem desde artesanato e queijarias até cervejarias artesanais. Para os participantes da SBPC, o local é a escolha ideal para explorar sabores regionais. Além disso, o espaço possui o Centro de Atendimento ao Turista (CAT) onde pode-se obter informações sobre o turismo da cidade e as principais atrações do estabelecimento. O funcionamento é diário, com as lojas e o mercado abertos das 9h às 21h, enquanto a área de gastronomia e o biergarten operam das 11h às 23h.
Localização: Avenida Felíciano Sodré, n°488 – Centro de Niterói.
Rua Nóbrega
A Rua Nóbrega consolida-se como o coração do Polo Gastronômico do Jardim Icaraí, sendo o destino obrigatório para quem busca explorar a diversidade culinária de Niterói. Reconhecida como o corredor gastronômico mais famoso da cidade, a via oferece mesas acomodadas na calçada e um cardápio variado que abrange desde hamburguerias artesanais,cafeterias e até pratos da alta gastronomia internacional. O local é o ponto de encontro ideal para confraternizar com amigos, compartilhar momentos e degustar pratos elaborados para conquistar o paladar do público. Em dias úteis, a maioria dos estabelecimentos inicia suas atividades a partir das 17h, enquanto aos finais de semana diversos restaurantes já abrem as portas para o almoço.
Localização: Rua Nóbrega, Jardim Icaraí.
Ilha da Boa Viagem
Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938, a Ilha da Boa Viagem é um cenário onde a história e a natureza se fundem na costa leste da Baía de Guanabara. Com utilizações que variaram entre o uso militar e o acolhimento religioso desde o século XVII, o local abriga construções antigas e uma capela histórica, considerados símbolos do patrimônio niteroiense. O visitante pode explorar as paisagens de forma livre e gratuita aos sábados e domingos, das 10h às 17h. Para quem busca uma imersão maior, a Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur) oferece visitas monitoradas sem custo nos horários de 10h, 11h30, 13h e 15h.
Localização: Praia da Boa Viagem, S/N°.
Hospedagem
A SBPC também oferece dicas extras sobre hospedagem para que a experiência do visitante seja completa e uma lista diversificada de hotéis e pousadas para apoiar os participantes na escolha da melhor acomodação durante o evento. Essas orientações podem ser encontradas nosite oficial da 78ª Reunião Anual, na seção “Hospedagem”. Como a rede hoteleira de Niterói possui um número limitado de leitos, a Comissão de Alojamento e Hospedagem recomenda que as reservas sejam realizadas com antecedência. O guia oficial sugere opções estratégicas na região central, Ingá e Icaraí para facilitar o deslocamento até o Campus Gragoatá, além de listar alternativas na cidade do Rio de Janeiro com acesso facilitado via barcas. Vale ressaltar que a contratação da hospedagem é de inteira responsabilidade do participante.