Vozes da SBPC: Educação Midiática e Inclusão

Vozes da SBPC: Educação Midiática e Inclusão

Mesa-redonda traz professor da UFF, Felipe Pena, para entender os possíveis caminhos para o letramento informacional

Um levantamento realizado pelo DataSenado diz que sete em cada 10 brasileiros já viram alguma notícia falsa. Diante do cenário no qual a tecnologia passa por múltiplas transformações e ganha protagonismo, estima-se a necessidade de desenvolver habilidades que possibilitem ao indivíduo pensar e entender criticamente o conteúdo consumido. O crescimento na disseminação de desinformação é expressivo, já que a circulação de notícias atreladas a qualquer gênero é feita de forma rápida e massificada. 

A formação de uma consciência informacional acerca do ambiente midiático é um assunto posto em pauta na atualidade. O professor de Jornalismo da UFF, Felipe Pena, debaterá a questão em participação na mesa-redonda “Educação Midiática e Inclusão: Caminhos para a Soberania Informacional”, voltada a discutir os possíveis meios de ampliação da educação e letramento midiático. O objetivo é enfatizar a importância da criticidade e responsabilidade ao lidar com as tecnologias da contemporaneidade. 

A atividade faz parte da programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o maior encontro científico da América Latina, que acontece na Universidade Federal Fluminense (UFF), entre os dias 26 de julho e 1° de agosto. 

Clique aqui e Inscreva-se para o encontro

Como tem sido a inserção da educação midiática nas escolas do Brasil e quais são os principais ganhos com a implementação?

A educação midiática ainda é incipiente no Brasil e no mundo. Mesmo os países com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) maior que o Brasil têm a educação midiática ainda precariamente abordada nas instituições de ensino, em qualquer nível. E por que isso é perigoso? Pois nós estamos em uma época, diferentemente do que pensam a maioria das pessoas, não da pós-verdade, mas uma época da auto-verdade, que é diferente. 

A auto-verdade é uma confirmação de um sequestro cognitivo de uma parcela da população. Esse fenômeno é quando um espectro político cria uma narrativa implementada como se fosse verdade e, depois de estabelecê-la na sua comunidade, no seu grupo, passa a repercutir informações que confirmem a falsa verdade.

Esse é o grande risco de não se ter uma educação midiática: não saber checar fontes, de não saber de onde vem a informação. A ausência faz com que o indivíduo esteja condicionado a confirmar uma informação que o agrada cognitivamente.

Quais, na sua visão, são as principais ações que o Brasil precisa tomar para atingir a soberania informacional?

Existe uma medida principal, mas que é a mais difícil de se fazer: a regulamentação das big techs. Essa regulamentação é constantemente dificultada, por conta da articulação dessas empresas. Se as big techs não forem regulamentadas, teremos muita dificuldade em evoluir para outras medidas mais avançadas. Boa parte dos países da Comunidade Europeia estão conseguindo dar esse primeiro passo, mas o Brasil não. Sem isso, nós não temos o que fazer.

Quais ações mais específicas são necessárias para implementar essa regulamentação?

As plataformas precisam ser responsabilizadas pelo que publicam e não esperar que alguém entre na justiça para ganhar uma causa, que é o que acontece atualmente. Há algoritmos capazes de retirar conteúdo mentiroso assim que identificado, mas as empresas não são obrigadas a fazer isso nesse momento, quando, na minha opinião, deveriam ser.

Além da educação midiática, sua palestra também fala da inclusão como um caminho para garantir a soberania informacional. Quem seriam os incluídos e como a inclusão deve ser aplicada?

Eu tenho muito cuidado ao falar de inclusão e fico com muito medo quando esse termo é utilizado como se fosse apenas “dar internet para todos”. É muito mais que isso, é passar pela educação midiática, porque não adianta a pessoa ter internet, se não é educada midiaticamente para fazer uso dessa tecnologia e entender como funciona uma rede social, a produção de uma fake news e esse ciclo de auto-verdadede que eu mencionei anteriormente. Uma coisa sem a outra se torna ineficaz.

Quais exemplos de países que alcançaram essa soberania o Brasil pode seguir? Como foram os processos?

Nós não temos um exemplo a seguir. A União Europeia está um passo à frente, mas não é um exemplo, pois cada país tem sua peculiaridade, sua soberania e são culturalmente diversos uns dos outros, mas todos têm em comum a necessidade da regulamentação. Por isso que esse primeiro passo me parece global. Iniciando o processo regulatório no Brasil e  tomando como referência alguns modelos globais como os da França e Reino Unido, talvez alcancemos essa soberania. No entanto, nunca pode ser uma cópia, temos que olhar o que está acontecendo lá fora, mas produzindo questões que absorvam a cultura brasileira.

Eu tenho pesquisas nessa área e fico absolutamente impactado com a massiva circulação de fake news sem nenhum tipo de regulamentação, sem nenhum tipo de restrição por parte da justiça, que são distribuídas em grupos de Whatsapp, porque falta uma legislação adequada.

O Relatório MacBride foi um documento da UNESCO, publicado em 1980, que teve como um de seus objetivos a inclusão do sul global na soberania midiática a partir de políticas de comunicação. Naquele tempo, diversas empresas multinacionais negociaram com líderes políticos e conseguiram barrar a iniciativa. Quais paralelos podemos tratar, considerando os acontecimentos dessa época e os dias atuais? O que melhorou e o que piorou?

Eu falo desse relatório em um dos meus livros e tento também conectar com a tentativa de implementar no Brasil o Conselho Federal do Jornalismo, que também seguiu a mesma lógica. Se o advogado comete um deslize ético, ele pode perder sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por que com jornalistas isso não acontece? Se um jornalista difunde uma fake news, ele deveria sofrer uma sanção.

O relatório sofreu pressões por parte do poder econômico e do grande capital, hoje o grande capital são as big techs. Hoje, elas são a principal fonte de renda dos Estados Unidos, o capital dominante na política americana. Então, de certa forma, piorou muito porque há uma maior concentração de capital em algo que ainda é muito mais incisivo na condução e na coerção da comunicação pública. Elas conseguem influenciar governos e o poder  legislativo pelo mundo todo, principalmente no governo americano. 

Qual a importância de falar sobre essa temática em um evento como a SBPC?

A SBPC, como o próprio nome já diz, fala sobre o progresso da ciência, ou seja, em normas básicas, algo que tenta buscar uma determinada verdade com dados randômicos que podem ser comprovados a partir de pesquisas. Se vivemos em uma era de fake news, de que que adianta a pesquisa e a ciência, quando dizem, por exemplo, que a vacina não funciona quando a ciência prova que funciona? 

Todo mundo que trabalha com jornalismo, ciência, artes, educação pública ou privada também está sendo atacado pelo negacionismo, por fake news, e pela tentativa de sequestrar a cognição pública e transformar em falsas verdades. A ciência tem que discutir isso porque ela  está sendo atacada.

SBPC na UFF

A expectativa é de que cerca de 50 mil pessoas venham de todo o país para acompanhar a 78ª Reunião Anual da SBPC, que está voltando para o estado do Rio de Janeiro após 32 anos. Com o tema “Ciência Para Todos: Soberania, Desenvolvimento e Inclusão”, o encontro conta com uma programação repleta de atividades voltadas à ciência, educação, cultura, tecnologia e inovação. O evento é realizado em parceria com a Prefeitura de Niterói e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), com o apoio da Fundação Itaú.

Por João Pedro Chiabai e Isabela Paiva.

SBPC amplia discussões sobre inclusão e igualdade na ciência brasileira

SBPC amplia discussões sobre inclusão e igualdade na ciência brasileira

Almoço cultural no cinema, roda de samba e apresentação de um coral indígena são alguns destaques da 78ª Reunião Anual

As comissões Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais e Gênero, Diversidade e Equidade retornam para a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) com a promoção de debates acerca da pluralidade no espaço acadêmico. A edição deste ano tem como tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão” e acontecerá entre os dias 26 de julho e 1° de agosto, na Universidade Federal Fluminense (UFF), no Campus Gragoatá, em Niterói.  

O objetivo dos eixos é ampliar o debate e trazer para o centro do discurso as populações afro-indígenas e comunidades tradicionais do Brasil, bem como questões de gênero, raça, etnia, deficiência, território, classe social e diversidade sexual.

O evento, realizado este ano em parceria com a Prefeitura de Niterói, é considerado o maior encontro científico da América Latina e exerce um papel fundamental na expansão e aperfeiçoamento do sistema nacional da ciência e tecnologia, dialogando com diversos públicos sobre questões contemporâneas e o futuro do Brasil. A reunião conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Fundação Itaú. 

Os saberes do Brasil diverso

A SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais visa promover reflexões sobre práticas de pesquisa éticas e decoloniais, que valorizam os saberes tradicionais que fogem do eurocentrismo acadêmico. Durante o evento serão realizadas conferências, mesas-redondas e discussões com o objetivo de garantir a participação ativa de lideranças dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

A coordenadora da comissão e superintendente de Equidade, Políticas Afirmativas e Diversidade da UFF, Érika Frazão ressalta a importância da descolonização na produção do conhecimento e da valorização dos saberes ancestrais. “Para construirmos uma ciência e uma educação verdadeiramente plurais, precisamos descolonizar nossos currículos e práticas de pesquisa e incorporar cada vez mais textos e saberes de origens indígenas e quilombolas. A inclusão desse eixo na SBPC é um marco e permite fazer com que essas produções alcancem diferentes camadas”.

Entre os nomes confirmados no evento estão figuras de liderança importantes como o reitor da Universidade Pluriétnica Aldeia Marakana, Cacique Urutau Guajajara, e a representante do Coletivo de Ancestralidade Quilombola (CAQ) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Vitória Machado Alves, que trazem relatos de experiências universitárias na mesa “Estudantes Indígenas e Quilombolas nas Universidades produzindo ciência e tecnologia”.

Ao longo dos sete dias de reunião, a exposição “Cidade Imaginária Antirracista”, técnologia social da UFF desenvolvida pelo professor do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional de Campos dos Goytacazes (ESR-UFF), Edimilson Antonio Mota, estará aberta para experimentação do público. O jogo geo-racial demonstra como a cor de pele atua como peça na segregação das cidades brasileiras, com a população negra predominando zonas periféricas. A partir da peça central “antirracismo”, os visitantes terão como objetivo pensar em ideias antirracistas a partir de áreas como educação, diversidade, mobilidade, arte e lazer para transformar a cidade em um lugar mais igualitário para todos.

A programação completa deste núcleo está disponível no site: https://sbpc.uff.br/atividades/sbpc-afro-indigena-e-comunidades-tradicionais/

Pluralidade na pauta científica  

O eixo SBPC Gênero, Diversidade e Equidade foi ampliado para esta edição com debates sobre igualdade e inclusão. Ao longo do evento, os participantes terão acesso a diversas atividades que aprofundam a discussão sobre as interseccionalidades e transversalidades que perpassam as questões de gênero, raça/etnia, classe social e geração. A roda de conversa “Pioneirismo e Resistência: Trajetórias de mulheres que moldaram a Universidade Pública”, mediado pela pesquisadora Maria Lúcia Braga, abordará a história das mulheres que romperam barreiras do machismo e abriram caminhos para que a população feminina conquistasse mais espaço no meio acadêmico.

Para a coordenadora da comissão e professora de Fisiologia e Farmacologia da UFF, Letícia de Oliveira, trazer esse debate para o centro do evento é uma oportunidade histórica de rever o papel dado aos grupos sub-representados na ciência e de articular as produções com pautas e necessidades da sociedade.

 “Nosso objetivo é fomentar um conhecimento crítico que lute ativamente contra o machismo, o racismo, o patriarcado e ajude a consolidar políticas públicas mais justas na educação e na tecnologia. Precisamos olhar para a ciência cruzando diferentes marcadores sociais para garantir que as produções acadêmicas reflitam a diversidade e rompam com as desigualdades históricas na produção científica”, afirma a pesquisadora. “Ao longo da história tivemos grandes nomes como Virginia Bicudo, uma mulher negra pioneira das ciências sociais e da psicanálise no Brasil, porém quando olhamos para as ementas e para o corpo docente das universidades ainda existe uma predominância por homens brancos da classe média”, complementa.

Um dos destaques na programação é a mesa-redonda “População Trans e Travesti e os Desafios da Diversidade na Educação e na Ciência”, mediada pela professora de Ciência da Computação da UFF, Luciana Salgado.

À luz das eleições presidenciais que acontecerão no final do ano, a SBPC contará com uma mesa-redonda mediada pela professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Clara Maria Araújo, intitulada “Desafios à democracia brasileira: Eleições 2026 e a presença das mulheres”, com participação das pesquisadoras Miriam Grossi e Luciana Veiga, debatendo o papel e a força feminina na política do Brasil.

A programação ainda conta com rodas de conversa, como a de “Enfrentamento às violências de gênero e os desafios cotidianos”, com participação das professoras da UFF, Paula Land e Carla Appollinario de Castro, além de conferências com diversos pesquisadores e atividades com outros núcleos da SBPC, como o “Almoço Cultural no Cinema – Transbordar”.

Para visualizar a agenda completa do eixo SBPC Gênero, Diversidade e Equidade basta acessar o site: https://sbpc.uff.br/atividades/sbpc-genero-diversidade-e-equidade/

Serviço – 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

Data e hora
Abertura: 26/07 às 17h30
Programação: de 27/07 a 01/08, das 9h às 20h

Local
Abertura: Distrito de Inovação – Estação Cantareira
Programação: Universidade Federal Fluminense – UFF (Campus Gragoatá).

Endereço: R. Prof. Marcos Waldemar de Freitas Reis – São Domingos, Niterói – RJ, 24210-201

Site oficial do evento: 78ª Reunião Anual da SBPC

Sobre a 78ª Reunião Anual da SBPC

Está é a primeira edição do evento a ocorrer na cidade de Niterói. Em parceria com a Universidade Federal Fluminense e o apoio da Prefeitura municipal de Niterói, é esperado que 50 mil pessoas se reúnam no campus do Gragoatá entre os dias 26 de julho e 1° de agosto para discutir temas centrais da agenda nacional nas áreas de ciência, educação, tecnologia e inovação.

O acesso à reunião é aberto para todos os públicos. Entre os núcleos que integram o evento, estão a clássica Sessão de Pôsteres e Jornada Nacional de Iniciação Científica (JNIC); Programação Científica; Expo T&C; SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais; SBPC Gênero, Diversidade e Equidade; SBPC Jovem; e SBPC Cultural.

As inscrições para as atividades são gratuitas, com cobrança apenas para inscrições em minicursos e webminicursos, aquisição opcional do material do evento e apresentação de trabalhos aprovados na Sessão de Pôsteres. 

Sobre a Universidade Federal Fluminense

Fundada em 1960, a Universidade Federal Fluminense (UFF) é uma instituição de ensino superior pública. Com sede em Niterói, ela apresenta diversos campi em diferentes cidades do Estado do Rio de Janeiro, e uma unidade avançada em Oriximiná, no Pará. 

A UFF é reconhecida como uma das principais universidades do Brasil, e apresenta uma grande presença na pesquisa e investigação científica. Ela oferece cursos de graduação e pós-graduação em variadas áreas do conhecimento, contemplando desde as ciências exatas e da natureza, saúde, ciências humanas,ciências sociais aplicadas, artes e letras. 

Informações para a imprensa 

E-mail: imprensa@id.uff.br

Contato:   21 99655-7430

Por dentro da SBPC: Infraestrutura

Por dentro da SBPC: Infraestrutura

Ações buscam assegurar conforto, segurança e acessibilidade aos participantes durante toda a programação

Entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, o campus Gragoatá, da Universidade Federal Fluminense (UFF), será palco do maior encontro acadêmico e científico da América Latina: a 78ª edição da Reunião Anual (RA) da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. A área de 200 mil metros quadrados abrigará dispositivos como megatendas, salas de cinema, museus itinerantes e planetários. A expectativa é que 50 mil pessoas participem do evento, realizado pela primeira vez na cidade de Niterói. 

A RA é realizada ininterruptamente desde 1949, e esta edição acontece em parceria com a Prefeitura de Niterói. A cada ano, o evento transforma universidades públicas em espaços de encontro entre ciência e sociedade, reunindo pesquisadores, professores, estudantes, gestores públicos, lideranças sociais e visitantes interessados em ciência, educação, tecnologia e cultura.

As inscrições para a 78ª Reunião Anual da SBPC são gratuitas e estão abertas neste link.

Desde o ano passado, quando a Universidade foi escolhida como sede, a comissão de infraestrutura trabalha na organização e preparação do local. De acordo com o coordenador da comissão e atual Superintendente de Operações e Manutenção da UFF (SOMA), Mário Augusto Ronconi, a atuação começou com o mapeamento das necessidades de adequação do campus para receber o encontro. 

“Receber um público tão expressivo exige planejamento e trabalho integrado, e é isso que estamos realizando desde o ano passado para preparar o Campus do Gragoatá. A programação científica acontecerá nos edifícios de salas de aula, enquanto atividades como a ExpoT&C e a SBPC Jovem contarão com estruturas temporárias, implantadas em duas tendas de 4 mil mil metros quadrados e 2,4 mil metros quadrados, respectivamente, que funcionarão na área da Instituto de Educação Física”, explica Ronconi.

Campus em preparação para receber a Tenda da ExpoT&C / Foto: SCS

O coordenador reforça que desenvolve as ações em parceria com a Comissão de Manutenção, responsável pelas intervenções nos prédios e espaços já existentes do campus. “Intensificamos algumas ações de manutenção rotineira, como na recuperação de aparelhos e modernização dos elevadores. Além disso, estão sendo realizadas melhorias e adequações nos acessos, na iluminação e nos banheiros do campus com o objetivo de garantir que os espaços ofereçam conforto, segurança e pleno funcionamento para todos”, destaca.

Montagem das estruturas no Campus Gragoatá / Foto: SCS

Alimentação e Hospedagem

Além das estruturas que compõem a programação, o local também abrigará uma área de alimentação ao lado do bloco H, que contará com tendas gastronômicas e espaço de food trucks para os participantes que desejarem se alimentar no campus. Também será mantida a operação dos quiosques já existentes no campus, a fim de ampliar as alternativas de alimentação de forma prática e acessível. 

Para os participantes que vêm de outros estados e regiões, a cidade de Niterói dispõe de diversas opções de hospedagem próximas ao Campus Gragoatá, como pousadas, hotéis e hostels. As reservas são de responsabilidade dos participantes, mas é possível conferir uma lista de estabelecimentos preparada pela comissão de hospedagem por meio deste link

A UFF também disponibilizou um edital para preenchimento de vagas para o alojamento coletivo, que funcionará no Colégio Universitário Geraldo Reis (Coluni-UFF), voltado para os estudantes de fora da região metropolitana do Rio de Janeiro. 

Acessibilidade 

O Campus Gragoatá é equipado com elevadores e sistema de acessibilidade desde a entrada, e possui pavimentação direcional para cadeirantes e piso podotátil para pessoas com baixa visão entre os blocos e espaços de convivência. Além disso, o evento contará com uma Central de Acessibilidade, que estará alocada no Espaço Proaes, no térreo do Bloco A. 

Também estão sendo implantados dois espaços de autorregulação para pessoas neurodivergentes, que terão a função de acolher, instruir e encaminhar demandas durante todo o evento. Haverá, ainda, monitores disponíveis para orientação na entrada dos blocos que receberão atividades da programação científica.

Por Vivian Abreu

Universidade Federal Fluminense recebe maior encontro científico da América Latina

Universidade Federal Fluminense recebe maior encontro científico da América Latina

Com expectativa de atrair 50 mil participantes, 78ª Reunião Anual da SBPC vai movimentar Niterói

Entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, a Universidade Federal Fluminense (UFF) recebe a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Realizado em parceria com a Prefeitura de Niterói, o evento gratuito, que acontece pela primeira vez na cidade, é aberto ao público e reúne os principais cientistas do Brasil para promover discussões e debates públicos acerca de uma variedade de assuntos referentes às múltiplas áreas de conhecimento. 

Considerada a maior conferência de ciências e pesquisa da América Latina, a reunião ocupará o campus Gragoatá com atividades interativas, científicas e culturais por meio de shows, sessões de cinema, dois planetários, uma experiência de viagem pelo tempo geológico, exposições, mesas-redondas, conferências e minicursos. Entre os núcleos que integram o evento, estão a SBPC Jovem; Cultural; Gênero; Afro, Indígena, e Comunidades Tradicionais; Diversidade e Equidade; e da ExpoT&C. O evento conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Fundação Itaú. 

Para o reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, a realização da 78º Reunião Anual da SBPC na universidade representa uma grande oportunidade de ampliar a projeção do conhecimento produzido no espaço acadêmico, e de seu papel como instituição de ensino, pesquisa e extensão.

“A UFF receberá o maior evento científico da América Latina. É uma grande responsabilidade, e nós temos atuado de forma integrada para garantir uma edição memorável, compatível com a sua trajetória de excelência para o desenvolvimento científico e social do Brasil. Temos grandes expectativas em relação à realização desse encontro em nossa universidade. Ele reforça o nosso papel como espaço de produção e divulgação do conhecimento, além de conferir maior visibilidade aos nossos pesquisadores e às pesquisas desenvolvidas na instituição”. 

Estima-se a presença de cerca de 50 mil pessoas no encontro deste ano na UFF, entre estudantes, professores, pesquisadores e o público geral. Com a temática de “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, o evento contará com recursos de acessibilidade e é focado em abrir a ciência de forma interativa e dinâmica para toda a população, com programação para toda a família.

Clique aqui e inscreva-se gratuitamente 

Mais de 300 pesquisadores participam das atividades que compõem a reunião, além de 63 minicursos, 60 conferências e 88 mesas-redondas que articulam debates acerca de assuntos centrais na agenda científica nacional e internacional ao tema central da edição, para contribuir com a construção de soluções para os desafios contemporâneos da sociedade global.

A presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, afirma que a reunião representa uma oportunidade de aproximar a população da produção científica nacional.

“A Reunião Anual da SBPC é o maior encontro da ciência brasileira e será uma grande oportunidade para aproximar a população do conhecimento produzido no país. Vamos reunir pesquisadores de diversas áreas para discutir temas que impactam diretamente o presente e o futuro. Também teremos espaços dedicados aos jovens, com atividades que despertam o interesse pela ciência e inspiram novas carreiras”, pontua.

Na programação estão previstas discussões sobre o futuro do país, como “Crise habitacional e ambiental: políticas públicas urbanas e direito à moradia”, “Inteligência artificial na publicação científica: transparência, integridade, e novos paradigmas”, e “Educação midiática e inclusão: caminhos para a soberania informacional”. 

“Todos estão convidados para esse grande encontro. Teremos debates sobre temas fundamentais para o futuro de Niterói, do Rio de Janeiro e do Brasil, como terras raras, pesquisas nucleares, inteligência artificial, computação quântica, complexo industrial da saúde e diversos outros assuntos ligados à inovação, à ciência e à tecnologia. Será uma oportunidade única de aproximar a população dos grandes debates que vão influenciar os próximos anos”, afirma o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.

Confira a programação preliminar da 78ª Reunião Anual da SBPC: https://reunioes2.sbpcnet.org.br/programacao/. 

Inscrições em minicursos

As inscrições nos minicursos da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) já estão abertas. São mais de 60 minicursos virtuais e presenciais que integram a programação do evento. Neles, serão abordados temas referentes à ciência, inovação, sustentabilidade, educação, cultura, entre outros, como mudanças climáticas, astronomia, saúde e meio ambiente, equidade de gênero e ciência cidadã. 

Os minicursos serão ministrados por pesquisadores e especialistas de todo o país, e buscam o engajamento de diferentes públicos, tal como estudantes de graduação e pós-graduação. As vagas para as atividades presenciais são limitadas, e serão disponibilizadas de acordo com a capacidade dos locais em que irão ocorrer. 

Serviço – 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

Data e hora
Abertura: 26/07 às 17h30
Programação: de 27/07 a 01/08, das 9h às 20h

Local
Abertura: Distrito de Inovação – Estação Cantareira
Programação: Universidade Federal Fluminense – UFF (Campus Gragoatá).

Endereço: R. Prof. Marcos Waldemar de Freitas Reis – São Domingos, Niterói – RJ, 24210-201

Site oficial do evento: 78ª Reunião Anual da SBPC

Sobre a SBPC

A SBPC foi fundada em 8 de julho de 1948, tendo a sua primeira reunião no ano seguinte na cidade de Campinas, em São Paulo. Em 1990, o evento cresceu, deixando de ser limitado apenas a “doutores”. Neste mesmo período, fundou-se a SBPC Jovem em Recife, em sua 45ª reunião. A criação deste grande nome para a educação no país acontece com o objetivo de fomentar a criação de fundos de amparo à ciência e para proteger a carreira de pesquisador.

A entidade permanece conectada a esta origem, atuando a favor da pesquisa no Brasil, e da divulgação e difusão científica. Esta representa 161 sociedades científicas afiliadas e múltiplos sócios ativos, dentre os quais se enquadram pesquisadores, docentes, estudantes, entre outros. Para além disso, a SBPC tem assento permanente no Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT) e apresenta representantes oficiais em mais de 20 conselhos e comissões governamentais.

Sobre a Universidade Federal Fluminense

Fundada em 1960, a Universidade Federal Fluminense promove o ensino, projetos de pesquisa e de extensão de alta qualidade em diversas áreas do conhecimento. Presente em onze cidades do estado do Rio de Janeiro e com uma unidade avançada em Oriximiná (PA), a UFF é reconhecida como uma das principais universidades do país, comprometida com a excelência acadêmica, com a defesa da universidade pública e com o desenvolvimento nacional.

Informações para a imprensa 

Para mais informações, o reitor da Universidade Federal Fluminense e a presidente da SBPC estão disponíveis para entrevistas. 

E-mail: imprensa@id.uff.br

Telefone: Wladimir Lênin –  21 99655-7430

Vozes da SBPC: Microplásticos e nanoplásticos na saúde e doenças humanas

Vozes da SBPC: Microplásticos e nanoplásticos na saúde e doenças humanas

Conferência do evento recebe Vitor Francisco Ferreira, professor da UFF, para refletir sobre os perigos dos polímeros no ecossistema

Copos, pratos, talheres, sacolas de supermercado, inúmeros são os objetos consumidos que são produzidos majoritariamente por plásticos presentes no cotidiano. O uso abundante, o descarte irregular e os 450 anos de degradação fazem com que os descartáveis circulem pelas águas e oceanos se chocando e formando grandes ilhas plásticas. Com o tempo são corroídas e fragmentadas pelo sol e correntes marinhas, liberando milhares de microplásticos no meio ambiente. 

Na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), sediada na Universidade Federal Fluminense (UFF), entre os dias 26 de julho e 1° de agosto, o professor do Departamento de Tecnologia Farmacêutica da UFF, Vitor Francisco Ferreira, comandará a conferência “Microplásticos e Nanoplásticos na Saúde e Doenças Humanas” para discutir os problemas dos micros polímeros no ecossistema.

O pesquisador será homenageado na abertura da reunião da SBPC por suas contribuições para o desenvolvimento da educação, ciência e tecnologia no país. Ferreira também está presente na lista dos oito pesquisadores da UFF mais influentes no planeta.

Como os microplásticos e nanoplásticos se tornaram uma grande questão para o desenvolvimento humano?

Vitor Francisco Ferreira: Não existe um olhar para o meio ambiente e para as pessoas quando uma tecnologia é criada.  O plástico foi inventado há mais de 100 anos e, na época, não foi pensado que ele poderia gerar pequenas partículas chamadas de nanoplástico ou microplástico – a diferença entre eles depende apenas do tamanho. Não pensaram que isso iria acontecer, mas o plástico tomou conta da nossa vida. Ele é derivado do petróleo e, conforme a produção do combustível fóssil foi aumentando, maior foi a quantidade de plástico que apareceu no nosso cotidiano. Hoje, não conseguimos pensar em viver sem plástico, usamos para embalagens e diversas outras coisas. Basta entrar no supermercado para ver a quantidade de plástico presente lá dentro.

Quando esse material foi feito, não inventaram o seu processo de mitigação, ou seja, processos de recuperação ou reaproveitamento. Isso acontece com pneus, plásticos e as substâncias perfluoradas e polifluoroalquiladas, os chamados PFAS. Estes últimos são ainda piores que os microplásticos. Existem mais de 4.700 dessas substâncias contaminando o mundo todo, e elas são eternas, sendo chamadas na literatura de “Forever Chemicals”. Desenvolvem-se tecnologias sem pensar no meio ambiente, e depois as pessoas têm que tentar mitigar os problemas.

Como o descarte de materiais plásticos se transforma no problema dos microplásticos e nanoplásticos? 

Vitor Francisco Ferreira: O problema do plástico se tornou imenso, a ponto de existirem ilhas de plástico. Os macroplásticos são aqueles de tamanho grande, como embalagens de shampoo e sacolas de supermercado, que vão para o meio ambiente e para os oceanos. Essas substâncias duram de 400 a 500 anos e, antes de sofrerem o processo de decomposição, passam por um processo de quebra promovido principalmente pela luz solar, como o pregador de roupa que fica ressecado e quebradiço no varal sob os raios ultravioleta. No mar, isso representa um grande problema. Existem ilhas de plástico, como a que tem o tamanho do estado do Texas e fica localizada entre a Califórnia e o Havaí. Os plásticos vão batendo uns nos outros e se quebrando em pedaços cada vez menores até chegar ao tamanho nano. Isso acaba entrando na cadeia alimentar por meio da água dos rios, dos peixes que você consome e dos animais que bebem água contaminada.

O ambiente inteiro está inundado de microplástico: no Alasca, nos polos Norte e Sul, na água potável e nos alimentos. Todos nós estamos contaminados com microplásticos. Estima-se que consumimos entre 39 mil e 52 mil microplásticos por ano. Os plásticos estão presentes em uma quantidade alarmante e provoca uma ameaça gigante à saúde do ecossistema e dos seres vivos.

Existem 5 grandes ilhas de plástico, localizadas nos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico Foto: The Ocean Cleanup/Reprodução

Qual é a dificuldade de enfrentar um problema que é invisível a olho nu?

Vitor Francisco Ferreira: É muito complexo. Por exemplo, purificar a água ao nível de retirar essas partículas a tornaria muito mais cara, pois seria necessário usar métodos térmicos, fototérmicos ou eletroanalíticos para destruir as partículas. A água encanada potável, como a que chega em nossas caixas d’águas, carrega microplásticos porque o processo de filtração atual não retém partículas que variam de 5 milímetros a 1 nanômetro. Eles filtram as impurezas maiores, semelhante a como fazemos com o pó de café, mas não tiram metais pesados, PFAS ou microplástico.

Essa diferença de partículas capturadas é muito grande e para identificar e isolar os nanoplásticos é necessário um equipamento especializado de alto custo. 

Os estudos apontam que os polímeros atuam como esponjas químicas, absorvendo poluentes orgânicos e metais pesados pelo ambiente. Quais são os perigos dessas toxinas serem transportadas diretamente para nossas células?

Vitor Francisco Ferreira: O nanoplástico é pior porque ele é menor do que os componentes celulares, conseguindo atravessar a membrana da célula. O polietileno é um dos polímeros mais perigosos e produzidos em abundância. Ele é formado apenas por uma cadeia de carbono e hidrogênio. A queima gera apenas calor, pois sua composição química é semelhante à do carvão e não tem outros elementos para contaminar o ambiente. Já o poliestireno, o nylon e outros plásticos possuem funções e compostos químicos que, quando queimados, geram produtos tóxicos que podem interagir com as biomoléculas do nosso organismo, como proteínas e enzimas.

O poliestireno possui um anel aromático benzênico, e vale lembrar que o benzeno é cancerígeno. Ele pode interagir com as células por empacotamento pela ligação chamada “pi-stacking”. Isso é semelhante ao funcionamento de medicamentos. Quando tomamos uma aspirina, que também possui anel aromático, esperamos que ela entre no organismo e interaja com enzimas e proteínas. O problema é que eliminamos milhares de toneladas de fármacos no meio ambiente pela urina e pelas fezes. Tomar um medicamento pode ser bom para a pessoa, mas o resíduo químico volta de forma prejudicial para os animais, plantas e para o próprio ser humano. Como exemplo recente, na Índia, milhares de urubus morreram após comerem carne de gado que estava contaminada com o anti-inflamatório diclofenaco, princípio ativo presente no Cataflam e no Voltaren.

Diversas pesquisas já identificaram a presença de nanoplásticos em tecidos humanos, incluindo a placenta. Existe alguma estimativa do impacto que isso pode causar na saúde e no desenvolvimento do feto e de recém-nascidos?

Vitor Francisco Ferreira: A primeira etapa das pesquisas mundiais focou na detecção de onde existe a presença do microplástico. Uma segunda etapa das pesquisas começou a detectar o material no pulmão, cérebro, artérias, urina, placenta e nas fezes. O grande problema é descobrir quais doenças isso pode gerar. 

É muito complicado associar uma determinada doença ao microplástico de imediato, pois é necessário um estudo de caso muito grande para confirmar a relação de causa e efeito, além disso é uma pesquisa muito cara de realizar. Seria necessário analisar um número enorme de pessoas, como agrupar 5.000 placentas, verificar o índice de contaminação em todas elas, observar se os fetos desenvolveram problemas de saúde ao longo do tempo e cruzar todas essas variáveis. 

O único grande estudo de que tenho conhecimento foi feito por mais de 500 médicos e pesquisadores, que analisaram coágulos da aorta e constataram que 60% deles continham microplásticos. No entanto, não se sabe ainda se foi o plástico que iniciou a formação do coágulo ou se ele foi apenas absorvido porque o sangue já continha o material.

Vitor Francisco Ferreira, ao centro, com equipe do Instituto de Química da UFF. Foto: Divulgação

Existem evidências comprovando que alternativas sustentáveis oferecem menos riscos a longo prazo quando se quebram?

Vitor Francisco Ferreira: Um ótimo exemplo de bioplástico é o Poliácido Láctico (PLA), que é muito utilizado em impressoras 3D, inclusive nos laboratórios. Ele deriva do ácido lático, o mesmo presente no iogurte e que é produzido pelo tecido muscular humano. Quando o PLA se degrada, ele volta a ser ácido lático, que é uma substância endógena e não tóxica. É um substituto muito eficiente, porém é incomparavelmente mais caro que o polietileno ou o poliestireno.

Existem alternativas, porém são mais caras, como o plástico biodegradável e polímeros derivados de amido. A implementação de subsídios governamentais poderia ajudar a baratear essas opções, porém a melhor saída seria a criação de políticas duras para reduzir o uso de plástico e penalizar o desperdício, para que nos tornemos uma sociedade menos dependente do plástico.

O que pode ser feito em termos de políticas públicas para diminuir os riscos, mesmo com grandes corporações tentando frear essas ações?

Vitor Francisco Ferreira: Se os grandes competidores do mercado não frearem, uma cidade sozinha, como Niterói, não conseguirá enfrentar o problema. É uma questão de governança mundial. Diminuir a quantidade de macroplástico consequentemente exige a diminuição da produção de petróleo. As companhias petrolíferas não querem debater a redução, como foi visto na COP 30, e o comitê internacional é extremamente vulnerável a pressões políticas. 

Em todas as 30 COPs, não houve sequer uma restrição firme à produção de combustíveis fósseis. Nós vivemos um paradoxo esquizofrênico: tentamos controlar e diminuir o uso de combustíveis fósseis, mas, ao mesmo tempo, os países procuram mais petróleo. O Brasil está procurando mais no Amapá, e os Estados Unidos demandam cada vez mais da commodity para manter sua economia carbonizada funcionando. 

Já sofremos com poluição severa pelo uso do carvão na Revolução Industrial, até o petróleo substituí-lo em grande escala. No fim, é uma questão de princípios. Eu não coloco combustível fóssil no meu carro, abasteço apenas com etanol, que é uma fonte renovável, pois não posso dar aula de sustentabilidade, defendendo o fim do combustível fóssil enquanto consumo derivados do petróleo.

O que podemos fazer coletivamente para frear o problema do microplástico? 

Vitor Francisco Ferreira: Eu uso apenas pratos de papel e garfos de madeira. Também levo minhas próprias sacolas para o supermercado. Existem opções mais biodegradáveis para objetos básicos do cotidiano que corriqueiramente consumimos na versão de plástico. No próximo churrasco, não usem pratos de plástico. É possível comprar pratos de papel na internet e eles funcionam muito bem e, em até três meses, estão totalmente decompostos, pois celulose é cem por cento biodegradável.

Qual a importância de utilizar encontros acadêmicos como a SBPC, que aproximam a ciência da sociedade, para debater sobre esse tema? Além disso, qual é o papel dos pesquisadores na hora de divulgar e contribuir com reflexões relacionadas às mudanças climáticas do planeta?

Vitor Francisco Ferreira: Utilizar encontros científicos como os promovidos SBPC para discutir os microplásticos é particularmente importante porque o tema reúne características que favorecem a desinformação: trata-se de um problema complexo, interdisciplinar, em rápida evolução científica e com impactos potenciais sobre a saúde humana, os ecossistemas, a economia e as políticas públicas. Em um cenário em que novas descobertas são divulgadas com frequência, é essencial que a sociedade tenha acesso a informações contextualizadas e baseadas em evidências.

O papel dos pesquisadores na divulgação e na promoção de reflexões sobre o aquecimento global é muito mais amplo do que apenas produzir artigos científicos. Em um contexto em que as mudanças climáticas afetam a saúde, a biodiversidade, a segurança alimentar, a economia e a estabilidade social, os cientistas têm uma responsabilidade ética e social de contribuir para que o conhecimento científico seja compreendido e utilizado pela sociedade e pelos tomadores de decisão.

Nesta reunião, o senhor participará de uma homenagem pela sua contribuição para o desenvolvimento da ciência brasileira. Qual o tamanho do significado de conquistar o reconhecimento pelos anos de trabalho prestados?

Vitor Francisco Ferreira: Receber uma homenagem na reunião da SBPC é uma honra que transcende o reconhecimento individual. Vejo essa distinção como um reconhecimento ao trabalho coletivo desenvolvido ao longo de muitos anos ao lado de estudantes, orientandos, colegas, técnicos e instituições que acreditam na ciência como instrumento de transformação da sociedade.

A entrada na Reunião Anual da SBPC é livre e gratuita para todas as atividades. Há cobrança apenas para inscrição em minicursos e webminicursos, aquisição opcional do material do evento e apresentação de trabalhos aprovados na Sessão de Pôsteres.

A programação preliminar, assim como informações sobre inscrições está disponível no site oficial da 78ª Reunião Anual da SBPC: https://ra.sbpcnet.org.br/78RA/.


Vitor Francisco Ferreira é Professor Titular Livre do Departamento de Tecnologia Farmacêutica da Universidade Federal Fluminense. É pesquisador do 1A do CNPq, Cientista do nosso Estado (desde sua primeira edição) e membro Titular da Academia Brasileira de Ciências. Possui graduação em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro-IQ (1976), Mestrado em Química de Produtos Naturais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro-NPPN (1980), doutorado em Química Orgânica – University of California San Diego (1984) e pós-doutorado pela University of Oklahoma (1997). Foi Professor Titular do Departamento de Química Orgânica da Universidade Federal Fluminense entre 1986-2017 e foi um dos criadores do programa de Pós Graduação em Química (1990). Foi incluído na lista de 2020 como um dos cientistas mais influentes do mundo pela revista Plos Biology. Foi incluído na lista dos cientistas mais influentes do mundo 2021 e 2022,organizada pela Stanford University. Incluído entre os 8 pesquisadores da UFF que são os mais influentes do planeta. Foi agraciado com o título de Professor Emérito, por indicação do Instituto de Química, pelo Conselho Universitário (CUV/UFF No 207 de 06/07/2023). Em setembro de 2024 recebeu “BMOS AWARD 2024” do 19th Brazilian Meeting in Organic Synthesis.

Por Guilherme Neves

UFF promove ações de saúde e qualidade de vida durante a 78ª Reunião Anual da SBPC

UFF promove ações de saúde e qualidade de vida durante a 78ª Reunião Anual da SBPC

A 78ª RA da SBPC Ciência contará com uma estrutura de apoio à saúde para garantir atendimento inicial, suporte em situações de urgência e ações de promoção do bem-estar dos participantes.

Serão oferecidos:

  • Dois postos de saúde para atendimento inicial, localizados no Bloco A e na área de Educação Física, ambos localizados próximos às tendas;
  • Ambulâncias de prontidão para remoção a unidades hospitalares, em caso de necessidade;
  • Materiais de primeiros socorros disponíveis no alojamento;
  • Ações educativas e de promoção da saúde, com distribuição de materiais informativos ao público participante.

A estrutura foi planejada para oferecer suporte básico e atendimento rápido durante toda a realização do evento.

Além da intensa programação científica e cultural da 78ª Reunião Anual da SBPC, a Universidade Federal Fluminense (UFF) promoverá, entre os dias 27 e 31 de julho, uma série de ações voltadas à promoção da saúde, prevenção de doenças e bem-estar da comunidade acadêmica e do público participante do evento.

As atividades são organizadas pela Divisão de Promoção e Vigilância em Saúde, vinculada à Coordenação de Atenção Integral à Saúde e Qualidade de Vida da UFF, e têm como objetivo ampliar o acesso à informação, incentivar hábitos saudáveis e fortalecer a cultura do cuidado e da prevenção.

Ao longo da semana, serão realizadas as seguintes campanhas:

● 27 e 31 de julho (segunda a sexta) – Campanha de vacinação contra a Influenza, no Bloco A, onde funciona o posto de saúde (CASQ).

● 28 e 30 de julho (terça e quinta-feira) – Campanha de Prevenção de Acidentes com Bicicleta, com ações de conscientização sobre mobilidade segura, uso correto de equipamentos de proteção, curso de mecânica básica para ciclistas e boas práticas de convivência no trânsito.

● 28 de julho (terça-feira) – Campanha de Doação de Sangue, incentivando a doação voluntária e divulgando informações sobre a importância desse gesto solidário para a manutenção dos estoques dos hemocentros.

● 29 de julho (quarta-feira) – Campanha de Prevenção e Combate à Hipertensão, com orientações sobre fatores de risco, prevenção e controle da pressão arterial, além de atividades educativas voltadas à promoção da saúde cardiovascular.

● 31 de julho (sexta-feira) – Campanha de Prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), com orientações sobre prevenção, diagnóstico e cuidados com a saúde sexual.

● 31 de julho (sexta-feira) – Campanha de Combate ao Assédio e à Discriminação no Trabalho, voltada à promoção de um ambiente institucional mais respeitoso, inclusivo e livre de qualquer forma de violência, assédio ou discriminação.

As ações são gratuitas e abertas aos participantes da Reunião Anual da SBPC e acontecem de 10h as 15h, reforçando o compromisso da UFF com a promoção da saúde, da cidadania e da qualidade de vida.

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